domingo, 26 de novembro de 2017

OS SUBSTITUTOS

Por Alexandre Bitencourt


No conto, um artista da fome, Kafka narra a história do artista da fome que decide jejuar, porque se recusa comer a comida oferecida pelo supervisor. Os dias se passam e, por não se submeter à embriaguez daquilo que lhe era oferecido pelo supervisor, o artista da fome morre. E, logo seu lugar, é ocupado por uma pantera abandonada e faminta que devora sem nenhum problema, a comida recusada pelo artista da fome.

Não há dúvida de que sempre haverá substituto para algo recusado por alguém. Agora isso não significa que o substituto seja menos politizado, haja vista que em inúmeras situações do cotidiano haverá a necessidade de alguém substituir outro, por fatores diversos. No entanto, esse, o substituto, nem sempre sabe o porquê está substituindo, ou seja, apenas quer matar sua fome. Assim como a Fé, a fome, é inexplicável. A fome não é sentida, mas sim vivida, ou dito de outra forma, é provocada, pois se alguém passa fome é porque outro acumula comida.

O objetivo dos donos do grande capital é: aumentar ainda mais seu poder de capitalização. Para isso criam situações diversas que colocam uma grande multidão de desamparados e desprovidos de bens de toda espécie, a gladiar-se em busca de posições que lhes permitam a sobrevivência. Pois estão todos embriagados e, a embriaguez, pode levar o sujeito a sujeitar-se, com coisas inexpressivas a ponto de acreditar que sua embriaguez é normal. Basta perguntar a qualquer usuário de bebida alcoólica como se sente após ingerir um copo de cerveja que o mesmo dirá: sinto-me normal.

Definitivamente, com o atual sistema político que tem promovido sempre mais privilégios aos donos do grande capital nesse país, fica cada vez mais difícil alguém ter chances de não se submeter aos desmandos patronais. O artista da fome resistiu a vontade do supervisor e, logo, foi engolido. Resistir ou submeter-se? Substituir ou morrer? Parece que a segunda opção em ambas as assertivas é a que mais tem ganhado coro. O animal que fora colocado na jaula para substituir o artista da fome e, que outrora havia sido abandonado, nem percebeu que não tinha liberdade. Não saber que é um substituto é ruim, no entanto, não saber que não sabe que é um substituto é pior ainda, e muitos são enquadrados nessa última opção. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O ANTÚRIO VERMELHO

Por Sonia Regina Rocha Rodrigues

Na sala de espera da psiquiatra Sofia há dois quadros, dispostos lado a lado. Um deles mostra um vaso com rosas. O outro é um antúrio solitário.
Com tanto quadro bonito, porque manter aquelas duas banais aquarelas?
No início de sua carreira, contou-me Sofia, ela sentia orgulho em ser competente em tudo o que fazia. Desde pequena ela adquirira esse hábito: qualquer que fosse a tarefa a realizar, ela dedicava a atenção e o empenho necessário. Sucesso, dizia seu pai, é um hábito.
O pecado mortal do analista é cair na armadilha obvia do estereótipo. Deste pecado Sofia precavia-se analisando as ambiguidades de cada caso. Ela sabia bem que o que funciona na vida é a teoria dos contrários.
Ela sempre chegava ao consultório com alguns minutos de antecedência. Parte de sua rotina de trabalho incluía esvaziar a mente e dedicar-se a vinte minutos de meditação.
Ora, certa tarde ela estava a caminho do elevador quando se deparou com a garota pirada da recepção. A moça estava a enlouquecer metade dos condôminos, alguns pacientes de Sofia, que lhe contavam detalhes insólitos.
_ Doutora do céu, eu tenho setenta anos, enfartei ano passado, mas continuo homem. Quando fui entregar a chave do meu carro na recepção, me deparo com aquele decote, na blusa transparente. Como evitar olhar? Tive uma taquicardia. Tenha dó.
_ Vai se entender as mulheres. A empregadinha nova do prédio me chamou para entregar a correspondência e começou com uma conversa sobre as baladas de sábado, onde ela dança muito porque tem fama de gostosa e os rapazes do clube fazem fila para dançar com ela. Convidei ela para sair e perguntei quem levaria as camisinhas, eu ou ela. Aí ela me chamou de tarado. Disse que eu não insistisse. Que ela me processaria por assédio. O assediado fui eu. Cada uma....
Ouvindo comentários há semanas, a médica observou que, das mulheres, a recepcionista mantinha distância. Secos e impessoais, bom dia, boa tarde, até logo, pois não. Sequer levantava os olhos do computador. Já para a clientela masculina, abria-se em sorrisos e ajeitava os cabelos com as mãos.
_ Bom dia, doutora.
_ Bom dia. Hoje não é seu dia de folga?
_ justamente por isso marquei hoje uma consulta com a senhora.
_ É mesmo?
_ Todo mundo elogia, dizem que a senhora é fera, que resolve qualquer problema. Nota dez. Exatamente o que eu preciso.
Sofia sorriu profissionalmente e permaneceu calada quando o elevador chegou. Enquanto subiam, ela considerava que essa era uma paciente que ela gostaria de recusar, pois representava tudo que ela odiava em qualquer pessoa: a tolice, a futilidade, a vulgaridade, a total falta de classe. No entanto, assumiu um tom neutro:
_ Fique à vontade. Ali no canto tem café, chá e água.
Mais do que depressa, ela fugiu para a tranquilidade de suas almofadas, no santuário cheirando a alfazema, com música relaxante em volume baixo.
Foi muito difícil desligar os pensamentos mundanos. A imagem acabada da fêmea gostosa, toda peitos e nádegas, embrulhada no vestido de alcinhas vermelho cereja, com decote drapeado, justo no quadril, com rachos nas laterais, insistia em invadir seus pensamentos. 
Sofia vestia-se com discrição. Educada por pais severos, suas roupas eram recatadas. Embora bonita, ficava irritada porque os colegas homens mal olhavam para ela, enquanto comiam com os olhos as meninas mais livres, e não poupavam comentários eróticos sobre as modelos e as prostitutas de suas fantasias, nunca mulheres de carne e osso. Amargamente ela pensava: a confiar na biologia, a raça humana só pode estar em decadência, mesmo.
Toda profissão tem dissabores, todo dia tem seus percalços. Com um suspiro filosófico, Sofia desistiu de meditar e conformou-se.
Na sala de consultas, anotou os detalhes relevantes na ficha de Amanda e perguntou-lhe qual era o problema.
A recepcionista serviu-se de um punhado de lencinhos de papel, que apertou contra o rosto para conter sentidas lágrimas.
_ Eu sou tão infeliz! Falta amor em minha vida. 
Sofia permitiu que ela se debulhasse em queixas por algum tempo, depois explicou com palavras simples como funcionava a sessão. A princípio iam fazer um exercício de imaginação. 
A paciente fechou os olhos e Sofia a conduziu em um passeio pelo campo. Colher flores em um dia de primavera era uma indução curta e agradável que conquistava a confiança da maioria dos clientes. Depois de poucos minutos, tirou a moca do transe e perguntou:
_ Quantas flores você colheu?
_ Só uma, doutora.
_ Que tipo de flor?
_ Um antúrio vermelho.
Para sorte de Sofia, ela estava fora do campo visual de Amanda, sentada a cabeceira do sofá onde a paciente se deitara. Sorte, sim, porque ela não conseguiu evitar a surpresa. Silenciou o riso malicioso. Quase engasgou ao pensar naquela flor enorme, com a aparência de um falo ereto, a imagem de um pintão assanhado. A mulher revelava sua natureza de viúva negra, caçadora experiente de machos incautos, a colher   "antúrios" às dúzias pelas esquinas.
_ Essa flor tem algum significado para você?
_ Essa flor sou eu, doutora. Um enorme coração solitário.
Entre os soluços e gemidos de Amanda, Sofia desviou sua atenção do pistilo para a folha do antúrio. Para sua surpresa, a paciente concluiu:
_ Já entendi tudo, doutora, tudinho. Melhor eu ser uma rosa. As rosas são mais inteligentes. Espalham perfume por toda parte, mas estão protegidas pelos espinhos. 
A psiquiatra havia esquecido este detalhe precioso aforismo de Hipócrates: o médico apenas auxilia a natureza a processar a cura. O médico psiquiatra é semelhante ao filósofo:  faz o parto das ideias.
A paciente passou do choro ao riso.

Sofia deixou-se escorregar no encosto da poltrona. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

UM TRISTE OLHAR

Por Fernando Rocha

O sol, um convite para ficar em casa. O calor, sorrisos, isso não fazia parte do roteiro que eu imaginava para o meu dia. A insistência das mensagens dos amigos me perturbava, o celular no modo silencioso, vibrava, fazendo tremer minha cabeça e a mesinha do quarto.

Sem explicação, lá estava eu, à beira da piscina, olhando para os meus pés submersos, inundado em meu interior, fui surpreendido pelo breve resvalar de um braço, uma moça de olhos claros, com um triste tom de voz, era bonita, mas não era isso o que me hipnotizava, era o olhar dela, o gesto concentrava a sensibilidade de quem pode desaparecer pelo excesso de sentir.

The sad eyed lady of the lowlands, começou a tocar em minha cabeça, era ela, a personagem da canção estava em minha frente, de olhos fechados, perdi a noção do tempo, quando voltei a mim, caminhei pelo clube, não encontrei rastro humano, fui ao vestiário para me banhar, junto com a água do chuveiro, as lágrimas desciam pelo ralo. Na parede havia uma frase escrita com batom: O desespero é a fraternidade que une por meio do silêncio. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

QUAL É O PAPEL DA IMPRENSA?

Por Alexandre Bitencourt


                                                                 Imagem: Adaptada de: http://www.vermelho.org.br/noticia/301629-1


Há exatamente um ano, escrevi neste mesmo blog um texto com o título: FORMAR OU INFORMAR?, onde discutia o papel da imprensa, isto é, se cabe a ela formar ou informar? Levando-se em conta que discutia naquela época uma reportagem veicula em um jornal de grande circulação nacional, e, não por acaso, a notícia que ora me refiro também foi veiculada há poucos dias por um conhecido jornal que, também é de grande circulação nacional, resta-nos refletir em torno de uma simples questão. Há imparcialidade nos grandes veículos de comunicação impresso de notável circulação no país?

 

A imagem acima é o retrato de uma triste realidade divulgada no início do mês de setembro de 2017, pela imprensa. Várias malas contendo mais 50 milhões de reais foram encontradas em um apartamento em Salvador, capital do estado da Bahia. Dinheiro que segundo investigação da Polícia Federal e Ministério Público Federal pertence ao senhor Geddel Vieira Lima.

 

No entanto quando o leitor ler o título da manchete principal veiculada naquele dia por o jornal “O Globo”, depara-se com os nomes do ex-presidente Lula, da ex-presidenta Dilma e do PT. Ambos bastante envolvidos em citações que envolve situações de corrupção, que a princípio não é objeto de discussão proposta aqui. Logo na parte inferior da imagem o leitor encontra outro título, agora referente ao STF a respeito de áudio da JBS.

 

Portanto, da forma como a imagem está representada no layout da capa principal do jornal daquele dia, não apresenta relação nenhuma com o título da manchete principal do jornal. Se houve algum tipo de “intenção” em relacionar a imagem com as supostas acusações e crimes "praticados" pelos ex-presidentes e o PT, durante seus mandatos, não há dúvida de que é uma posição empobrecida por parte do jornal. Ou seja, ambos os casos são realmente vergonhosos, no entanto cada um com sua vergonha, dentro do seu contexto. O papel da imprensa é ou deveria ser informar seus leitores sobre fatos e acontecimentos de interesse coletivo.

 

Nesse caso, diante da complexidade da questão colocada anteriormente cabe ao leitor fazer suas reflexões, ou seja, estar sempre atento ao que é noticiado. Ao leitor que não se deixa influenciar por qualquer tipo de reportagem, principalmente, quando essa cria certas dúvidas, só resta mesmo duvidar e buscar outras fontes que possam dar sustentação à sua dúvida. 

sábado, 12 de agosto de 2017

SÁBADO

Por Fernando Rocha


O triste nisso tudo é tudo isso
Quer dizer, tirando nada, só me resta o compromisso
Com os dentes cariados da alegria
Com o desgosto e a agonia da manada dos normais.
(Sergio Sampaio)

É sábado cedo, da varanda, olho e ouço, talvez seja algum problema em meus olhos e ouvidos, mas no meio da sincronia entre esta polifonia caótica e a sequência incessante de imagens, deve haver alguma felicidade. Os olhares das pessoas do meu bairro estão sem brilho, achatados nas lotações ou presos em seus carros, todos se apertam, disputam um lugar para chegar antes, eu não consigo ver o pódio, por isso abro caminho, deixo que passem, seguindo rumo ao troféu invisível chamado primeiro lugar.

Como eu, certamente, há outros lambendo em secreto suas feridas, mas a ferida é uma epidemia, alguns a disfarçam com o sorriso do breve instante, paralisado no retrato, que foi postado na rede social, outros sentados no boteco, como o paciente com câncer toma sua dose de morfina, tomam suas bebidas, erguem suas vozes e fingem que o alívio chegará com o instante posterior.

Perco o meu tempo escrevendo, ainda há milhares de analfabetos em meu país, a subjetividade está sendo eliminada, por meio da lei, nos tiram o direito de ficar em paz. Nos enchem com um cansaço que não passa, um futuro já preenchido por afazeres e preocupações insolúveis.

Basta por o pé na calçada, para perceber que cada um está enclausurado em si, lutando uma batalha perdida e inexistente contra o mundo: O cara que acelera quando a luz do semáforo está amarela, o homem que usa sua força e altura para embarcar primeiro no ônibus, o cidadão que com o som do carro ligado, faz tremer as paredes e os corpos próximos ao seu veículo: Tragédia do cotidiano.  

quarta-feira, 31 de maio de 2017

VIDA NA PERIFERIA

Por Alexandre P Bitencourt

Viver na periferia é... tipo meio maluco, na verdade é estranho. O cara mora numas casas de tijolos vermelhos que não tem nenhum conforto, estuda numas escolas abandonadas, o posto de saúde é um pra atender um número muito grande de enfermos, o transporte é precário, são poucos ônibus que precisam transportar milhares de pessoas, e ainda tem que disputar lugar nas ruas cheias de buracos com os carros individuais daqueles que tentam fugir das superlotações do busão, ou melhor lata de sardinha.

A cultura é sempre desvalorizada, as oportunidades são poucas quase inexistentes, a educação é emblemática gira em torno do caos com escolas fechadas (no sentido de não estabelecerem diálogo com a comunidade), com prédios antigos, pouco atraentes, no entanto ainda é uma via de escape para aqueles que desejam nadar contra a maré, contra o vento que a elite burguesa sopra pra sempre mantê-los afastados de si.

Além das escolas que em geral precisam pelo menos ser discutidas, repensadas, há inúmeras igrejas que contrastam com botecos, a cada esquina você vai encontrar um ou outro, quando não os dois, disputando espaço querendo agregar no rol de seus membros frequentadores, mais um. Cada um com seu objetivo, os botecos em sua maioria funcionam como lugar de venda de cachaça e espaço para quem gosta de música brega, sempre tocada em som alto, pra disputar espaço com o funk ostentação dos garotos e das garotas que ficam na esquina ou desfilando nas ruas com o tampão do carro aberto.

As igrejas geralmente funcionam em alguns dias da semana e finais de semana, proliferam rápido em meio ao caos como conforto aos desamparados, que por se sentirem afligidos aqui na terra veem esperança na eternidade, não importa o sofrimento, pois na vida eterna o indivíduo terá conforto, mas para isso precisa ser fiel nos dízimos e nas ofertas, pois quem dar com alegria recebe em dobro. A maioria dos pastores não têm teologia, basta ser inspirados por Deus, e caso haja alguma discordância com os membros ou outros pastores, é certeza de outra igreja na próxima esquina com outro nome, mas em nome de “Jesus”.

O sujeito que acorda cedo todos os dias da semana para ir ao trabalho e pensa que terá descaço aos finais de semana, não vai conseguir, pois à noite dificilmente ele vai conseguir dormir com o som alto do pancadão, às vezes, com a garotada correndo da polícia, e quando amanhece o dia passa o carro do gás, da batata, da laranja, do abacaxi, do ovo, o vizinho da frente, do lado, dos fundos, disputando quem tem o som melhor ou o carro mais caro com o melhor som... e assim segue a vida na periferia. 

domingo, 30 de abril de 2017

DIA DOS TRABALHADORES

Por Alexandre P Bitencourt



                                          Imagem: Agoranews

Em primeiro de maio acontece em todo país, como ocorre todo ano, vários movimentos com comemorações referentes ao dia dos trabalhadores. No entanto, dadas as inúmeras injustiças às quais os trabalhadores vêm sofrendo nos últimos tempos, desde a falta de trabalho até as tentativas de retirada de forma vergonhosa, de alguns direitos, que foram conquistados com sangue, suor e muita luta por diversos trabalhadores há tempos, infelizmente, aos trabalhadores existe mais dúvidas em relação aos seus direitos, do que algo de bom a ser comemorado.

Nos últimos meses a palavra REFORMAS tem tomado conta dos noticiários, como se essas fossem a salvação para todos os problemas que atormentam milhões de brasileiros que nesse momento estão desempregados, trabalham em subempregos e/ou em condições precárias. Reformas sempre são bem-vindas, desde que haja clareza, isto é, precisam ser melhores explicadas à população. Fazer reformas apenas para mostrar que o governo foi o que mais fez reformas, sem levar em conta suas implicações a curto e longo prazo aos trabalhadores, não parece ser o melhor caminho.

Taxar de vagabundos e preguiçosos, milhões de trabalhadores por fazer uso de um meio legal de protestar, que é a greve, pois essa é garantida a todos pela constituição, como fez o prefeito de São Paulo, é uma vergonha. Talvez a greve não seja mais a melhor forma na relação de negociação entre sindicatos, representando os trabalhadores, e patrões, uma vez que esta tem implicações diversas, porém não se tem ainda outro mecanismo claro que sirva de solução às negociações. Pois aos patrões que representam a burguesia, interessam apenas a mais-valia (lucro) Marx. Os sindicatos com todos os seus problemas, ainda representam uma forma de diminuir a distância entre lucro e trabalho.

Em meados dos anos noventa, trabalhadores de uma fábrica de eletrodomésticos, localizada no Bairro do Belém, cruzaram os braços durante uma semana, reivindicando melhorias, como: café da manhã, participação nos lucros e resultados (PLR), e fim do desconto de vinte por cento no valor do ticket refeição. Hoje, passados mais de vinte anos daquela semana de greve, é provável que quem ainda não era nem nascido e comece a trabalhar naquela empresa, que logo irá gozar desses benefícios, não tenha ideia que há mais de vinte anos, houve luta pra que hoje todos tenham tais benefícios, ou seja, não foi porque os donos da empresa são generosos, e forneceram tais benefícios.

Existe uma ideia distorcida, que na sociedade capitalista, todos os trabalhadores são pagos pelo seu trabalho, no entanto, há uma parte desse trabalho que não é paga, é o que gera os lucros imensos. Bom, uma das vias possíveis à atenuação de tais disparates, entre o lucro da burguesia e a força de trabalho dos trabalhadores, é ter consciência de sua existência. Viva todas as trabalhadoras e trabalhadores deste país.