quarta-feira, 11 de abril de 2018

ENTRE FUMAÇAS E CONCRETO

Por Gabriel Barban

Esses dias sonhei que construía um prédio. Um prédio bem alto, lá no centro da cidade. O sonho acabou bem na hora que ele ia ser inaugurado. Acordei encabulado, afinal justo quando o mundo finalmente ia ter uma marca minha, fui pego pelo despertar repentino.
Levantei, tomei três goles de café fresco, troquei de roupa e saí. Estava pronto para enfrentar o mundo e seus arranha-céus. 
Tomei o ônibus e no caminho de meu destino vi gente de todo tipo: alto, magro, judeu e palestino. Vi até uma mulher de cabelos castanhos e olhos gigantes que falava no telefone aos berros.
- VOCÊ VAI ME PAGAR EVANDRO, VAI ME PAGAR, FALHOU COMIGO, gritava.
Nada no entanto, conseguia prender minha atenção. Eu estava fissurado no meu sonho. Naquele filme, A procura da felicidade, a gente aprende que tem que ir atrás do nosso sonho, mesmo que seja ser um corretor da bolsa enquanto você seja um morador de rua desempregado. Mas e se esse sonho for cortado, interrompido, justo na melhor cena? Como uma TV que você desliga da tomada e depois quando liga, fica tentando sintonizar o canal de novo mas nunca consegue.
- Você deixou cair sua blusa, moço.
Desci do ônibus, já no centro da cidade e essas foram as primeiras palavras que ouvi. Olhei em volta, era de uma menina de uns 6 ou 7 anos. Sua mão esquerda segurava a mão de um homem branco gordo que eu acreditava ser seu pai. Na direita segurava minha blusa verde escura, um pouco suja, claro. Estendi meus braços, peguei e agradeci. Pensei em colocá-la para que o fato não se repetisse, mas senti o calor exaustivo na hora. Achei um daqueles termômetros de rua que marcava 29.6 graus. 
Diferente de Evandro, este nunca falha - pensei.
Andei 3 quarteirões e abaixei para amarrar o cadarço. Quando levantei, meus olhos fixaram-se. Estava de frente para um dos maiores edifícios do quarteirão. Todo espelhado, com seu imponente tom de azul escuro, dando a impressão de que quando a Terra foi criada, ele foi criado junto, tamanha perfeição e sincronia que era.
Tão breve a admiração passou e fui tomado por pensamentos típicos de perdedor. Então é assim? Uns podem realizar seus sonhos, construir prédios, ser corretor da bolsa e tudo mais? Enquanto outros estão fadados a passarem suas vidas admirando os sonhos dos outros?
Resmunguei mais uns quarteirões e achei uma praça com três árvores no centro, escondida no meio dos prédios e automóveis.
Sentei e vi crianças atravessarem a rua. Vi dois idosos discutindo futebol. Vi carros buzinando contra o farol.
Essas coisas não acontecem todo dia.

quinta-feira, 22 de março de 2018

VOCÊ CONSEGUIU, PARABÉNS

Por Gabriel Barban

O homem do meu lado no metrô disse que a semana está começando e que “só os fortes chegarão até o final”.
Ele falava ao telefone e obviamente não comigo. Não tenho amizade com pessoas que gostam de empregar tal sentido à palavra forte.
Devo ter passado uns 2 minutos pensando na frase que mais parecia um mantra de autoajuda.
Chega! Seja lá o que isso quer dizer, não sou forte nem pra refletir sobre uma citação, quanto mais para ir até o final, pensei.
O sinal telefônico ia ficando cada vez mais baixo, enquanto a voz do ilustre passageiro ia só aumentando.
-Caiu.
Disse ele em tom de tristeza e repousou as costas na parte de trás do banco.
Olhei a estação atual: restavam ainda seis para o meu desembarque.
-Você paga uma fortuna nisso daqui e ele não funciona.
Disse o senhor, já um pouco conformado com toda aquela situação tecnológica-constrangedora.
-Não disseram que iam colocar antenas nas estações? Não disseram?
Olhou para mim.
Fiz uma expressão de desânimo e tentei parecer neutro, enquanto olhava novamente as estações. Faltavam quatro.
Realmente o centro é um pouco longe.
Entra um ambulante: gritaria, vendas, guardas e algumas risadas. Nada fora do comum. Essa cidade tem dessas coisas e você logo se acostuma.
-Será que eles pagam imposto?
Perguntou uma mulher ao vento e abotoou o último botão superior de sua camisa listrada.
Três estações para mim.
Comecei a ficar com medo. Será que aquele cara ia descer na mesma estação que eu? Ele era meu vizinho e eu nunca percebi? O quão desligado estou eu do mundo?
O vagão esvazia e a hora do rush logo não parece ser mais a hora do rush, tanto assim. Todo mundo com seu celular fazendo qualquer coisa. Qualquer coisa que fosse útil. Útil para fazer com que o tempo passasse mais rápido.
Do que adianta chegar ao final se você não viveu o caminho?
Passar todo o tempo se entretendo com uma tela de vidro parece ser o jeito mais fácil para manter o rumo.
Difícil mesmo é brigar, é rir, é reclamar do que está errado, reclamar do tempo frio e do frio das pessoas.
É sentir.
Ser forte pra mim é isso: é aceitar essa nossa natureza de não ser forte o suficiente para superar tudo.
E tudo bem. É como dizem os caras do Codinome Whinchester: tome mais remédios para não se atirar de um prédio.
E quem sabe você chegará até o fim.

terça-feira, 6 de março de 2018

UM PARÁGRAFO

Por Alexandre Passos Bitencourt

Para mim, escrever nunca foi uma atividade prazerosa, talvez, por isso não apenas eu, mas muitos preferem não escrever. Gosto mesmo é de ler, a leitura sim, é uma atividade que aspira prazer, pelo menos para mim. Escrever é penoso, é angustiante. Não mais que um parágrafo, claro, o motivo o qual me levou a escrever esse parágrafo poderia preencher várias linhas, isso se caso eu tivesse o domínio da arte da escrita, para poder fazer a organização das palavras, concatenando cada uma em seu devido lugar. Contudo, há quem não pense assim, há até aqueles que vivem disso, que até se consideram profissionais na arte dessa linguagem. Porém, existem também os que preferem se expressar por meio de imagens e, os que são como eu, que preferem mesmo é se aventurar no mundo da leitura. Cada um com o seu dom. Pois bem, para não irritar ainda mais o leitor com a minha inabilidade no tocante ao uso das palavras, tentarei descrever duas rações que me levaram a arriscar-me nessa difícil tarefa. Ambas aconteceram em fevereiro do corrente ano, parece simples, não fosse o fato da pouca afinidade com a leitura, por parte não somente dos estudantes do ensino básico, mas de uma considerável porção da população adulta. Recebi da Paloma um convite para eu poder ir à “Exposição Padre Cícero, cordel e artesanato”, junto ao convite ela relatou que ao saber dessa exposição, lembrou-se de mim, pois segundo ela, foi eu quem a introduziu ao fantástico mundo da leitura do cordel. Logo depois, na semana seguinte, recebo do Gabriel, um belíssimo email no qual ele descreve a importância do ato da leitura, como uma das formas de trazer significado a um dia banal e sem muitos acontecimentos. Modéstia parte, sinto-me lisonjeado com o carinho de vocês. Que pena que tive mesmo que reduzir a grandeza do gesto externalizado por vocês em um ínfimo parágrafo, até que tentei ir além desse parágrafo, mas fui vencido, vencido pela incapacidade de lidar com as palavras, de forma a poder torná-las claras ao leitor. Nesse caso, paro nesse parágrafo. 

quinta-feira, 1 de março de 2018

NÃO SE DEIXE LEVAR

Por Gabriel Barban 

- Você deixou sua revista cair no chão. Essas foram as últimas palavras de um humano que ouvi hoje. O resto foi só barulho. O comercial da Rádio disse que eu tenho que procurar um psicólogo. A atendente da farmácia me indicou um remédio para concentração. O mundo nunca foi tão caótico. - Desculpe, estou buscando exatamente o contrário. Respondi e fui embora. Anotei o endereço daquela farmácia - nunca mais volto ali. Querem que você se vista de acordo, fale de acordo, ouça as músicas de acordo. O uniforme utilizado durante o primário é só um treino. A vida adulta lhe impõe várias outras convenções que diferentemente da escola, ainda fazem você defender elas. Trabalhe e ganhe dinheiro, mas não tanto porque você quer ir pro céu e lá em cima eles não gostam de gente gananciosa. Tirando o seu pastor e as pessoas da TV, ninguém com muito dinheiro costuma passar a eternidade com o Divino. Permaneça íntegro e não se entregue aos vícios. Se for homem a gente até aceita que você tome alguma cerveja de vez em quando. Maconha nem pensar! Dane-se se a primeira causa mais danos que a segunda. O que vou dizer para os meus filhos? Não seja preconceituoso, isso saiu de moda. Mas se você ver dois homens se beijando saia de perto imediatamente. Afinal você não tem nada contra, mas também nada pode fazer se o ato faz com  que você tenha vontade de bater com uma barra de ferro neles. Não veja defeito em tudo. Problematizar é coisa de comunista. Não seja comunista. Vá dormir cedo para não perder o horário amanhã e o seu chefe não lhe mandar embora. Agrade o seu chefe. Sua filha terá o primeiro dia de aula dela mês que vem, mas a data coincide exatamente com a entrega de um projeto no trabalho e você é adulto, portanto sabe de suas responsabilidades. Não é? Não escute música alta aos domingos. Não pratique a libertinagem. Todos concordamos que um Happy Hour durante a semana está liberado, afinal a tensão que adquirimos é grande demais e somente a cerveja que custa 8 reais no bar ao lado do escritório, é capaz de aliviar. Vá à igreja no mínimo uma vez por semana. E no máximo também. O ambiente que você frequenta é formado por intelectuais cristãos, mas não fanáticos! Ser fanático é coisa de gente alienada. A gente não é alienada. Isso é coisa de comunista. Não aceite em hipótese alguma que alguém defenda bandido na sua presença. Quem faz isso é o que mesmo? Não vou repetir. Direitos humanos para humanos direitos.  - Tem que morrer um vagabundo desses, diz um desconhecido que para ao seu lado na banca enquanto você e ele veem uma manchete estampada no jornal. Siga sua caminhada e tenha uma vida normal, como um ser humano normal.  Você não precisa de muito, você precisa apenas se manter concentrado. 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O ESTRANHO

Por Gabriel Barban

Não escrevo há um tempo. Um bom tempo, talvez meses. A falta da escrita não é um problema, o problema é quando você não sabe porque parou. Não que eu ache que isso vá acontecer, mas fico imaginando se despretensiosamente alguém me parasse na rua. Um desconhecido sem qualquer senso, me perguntasse por qual razão eu parei de escrever.

Com certeza o ignoraria, mas sei que isso jamais aconteceria, então dou liberdade a esse pensamento e fico imaginando se essa pessoa fosse insistente e tentasse arrancar minhas respostas de uma forma mais sutil. Vamos supôr que começássemos a andar lado a lado na praça Roosevelt.

- O que você fez no dia em que escreveu pela última vez?
Quase respondo de forma instantânea:
- Isso não é da sua conta!
Consigo conter o ímpeto e sigo firme na caminhada rumo à Avenida São João. Mais um louco, o mundo está cheio deles.
- Você deveria parar de postar foto de comida na sua storie do Instagram, isso tira a criatividade. 
- Disse em tom de alerta.
- E o que você sabe sobre criatividade? Você mora numa praça, não deveria ter instagram.
- Pensei! Coço a cabeça, respiro fundo, fico quieto e não paro meu caminhar. Ele continua, parece que está atingindo o auge de sua petulância.
- Você escreve para os outros, por isso quando parou de ser estimulado pelas pessoas, parou também de escrever.
- Diz em um tom irônico.
- E o que você sabe sobre meus estímulos? O que sabe sobre meus escritos? Minhas palavras? 

Você não passa de um morador de rua, um morador de rua com wifi, mas ainda um morador de rua! Eu gritava. E foi gritando que me encontrei. Foi gritando que as palavras dele ecoaram em mim. O problema é que minha raiva momentânea me cegou e quando dei por mim estava aos berros na praça, com o nada.

Alguns poucos me viram, então tentei disfarçar como se fosse um dia qualquer. Tarde demais. Estou aqui escrevendo sobre ele, sem ter certeza se ELE era ele de verdade. Criei uma teoria para mim mesmo, que é no mínimo confortante: Meu alter ego estava cansado e com saudade de escrever, por isso criou esse alguém, esse ser não-tangível, para reavivar minhas palavras.

Amanhã talvez isso não faça o menor sentido, mas hoje estou botando todas as fichas e é assim que deve ser.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O ÔNIBUS

Por Gabriel Barban

Entramos, era um dia quente, talvez o mais quente daquele março. O bar não estava muito cheio, havia mais garçons, do que clientes. Pedimos uma mesa próxima às janelas. Um cara alto, de sobrancelhas grossas e voz não tão grossa assim nos guiou por um corredor frio, até o lugar. 

Ela não gostava de bares, eu amava. Uns poucos caras nos olhavam, mas eu estava com minha garota, era verão e sentia que nada podia me deter.

Pedi uma porção de fritas e uma cerveja amarela de origem mexicana. Ela pediu um drink de cereja um tanto enjoativo. 

Eu já estava na terceira cerveja quando ela começou á falar dos problemas com sua família. Até ficou quieta por um tempo razoável, mas quando veio, foi violenta. Falava repetidamente que ia fugir, ir embora. Por dentro, me perguntava para onde, por fora balançava com a cabeça, em uma mistura de sim e não. 

Assim como aquela tarde, seu drink chegava ao fim. Pediu outro. Eu já começava a coçar a cabeça pensando que ía deixá-la em sua casa bêbada. 

A janela dava a sensação que não via uma água há pelo menos 3 meses, mas ainda assim a vista daquele bar na zona norte da cidade, era razoável. Comecei a sentir uma leve sensação que não fazia mais parte daquele lugar. O garçom, a garota, o corredor frio, o drink de cereja pareciam estar em uma sincronia perfeita, que nada tinham a ver comigo. Após isso senti culpa, porque ela morava na zona sul e eu a tinha levado por um longo percurso até aquele bar no lado norte, tudo isso porque um amigo rasgou elogios à carne assada daquele lugar, que eu nem pedi. Talvez ela tenha percebido meu devaneio e por isso, veio feroz até mim, aproximou sua cadeira e deitou no meu ombro, dizendo que eu lhe trazia paz. Comecei a pensar no conceito de paz, não cheguei a conclusão alguma. Olhei-a, senti seu doce hálito de cereja e álcool, nos beijamos levemente. Ela pareceu gostar e com isso retribuiu. Fizemos carícias por mais alguns segundos e paramos. Passar tempo demais com alguém me dava desespero, começava a me encher de agonia. 

Finalmente em um ato de coragem e bravura, lhe perguntei se queria ir embora, pois minha dor de cabeça só aumentava. 

- É a Cerveja? 

Achei prudente não responder e dar um sorriso. 

Pegamos o metrô, lhe paguei uma viagem de carro até sua casa e peguei meu ônibus. Ao passar pela catraca percebi que as seis cervejas mexicanas não passavam despercebidas e por isso encontrei um pouco de dificuldade para achar e sentar em um lugar. 

Pensei nos mexicanos, em como eles eram mestres em fabricar bebidas alcoólicas. Depois comecei a imaginar no que iria fazer se aquele ônibus capotasse e logo vi que nada podia fazer. De repente por um momento de lucidez, me coloquei acima de todos daquele ônibus, por alguma razão que por ora eu não sabia, me senti superior ao cobrador, à senhora de cabelos grisalhos e ao casal do banco da frente. Foi uma felicidade repentina e estranha, e por isso passei a olhar todos a minha volta: pareciam dilacerados, loucos com suas existências. E em mais um momento de lucidez, olhei para mim. Quem será que estava me julgando naquela hora? Me senti um covarde, afinal cheguei a conclusão de que analisar o nível de sanidade do outro, não me tornava menos louco. 

Bukowski já dizia: a insanidade é relativa, quem estabeleceu a norma?  

Desisti de pensar e decidi virar um passageiro do ônibus, a caminho de sua casa.

Amanhã é outro dia.

domingo, 28 de janeiro de 2018

TEMPOS DIFÍCEIS

Por Alexandre Passos Bitencourt

Incerteza, talvez seja esta, a palavra que melhor defina o contexto da política nacional. Quando se olha para o cenário atual, mesmo que ainda possa ser cedo, para se apontar qualquer posição futurológica, em relação à eleição de outubro, para deputados, governadores, senadores e presidente ou presidenta da república, o que, a princípio, observa-se diante do atual contexto é realmente muita especulação e pouca opção que possa representar algo realmente novo. Políticos que tragam para o debate propostas de inovação além da repetição do jargão: educação, saúde, emprego e segurança.

Educação, saúde, emprego e segurança são os pilares que indicam o quão um país é desenvolvido ou não. Quando digo que os candidatos geralmente trazem para o debate temas dessa magnitude, não quero dizer que eles não devam ser discutidos, ao contrário, como referido anteriormente são os temas mais importantes para o desenvolvimento de qualquer nação. No entanto, a meu ver, são temas desgastados, sempre é debatido, mas funciona muito mal no país inteiro, nesse sentido, significa que a população deve desconfiar de candidatos que estão há anos debatendo propostas para melhoria da educação, da saúde, da geração de emprego e da segurança nacional.

É comum ver pessoas dizerem que política, religião e futebol não se discute. Talvez seja por isso que, por exemplo, perpetue no futebol a vergonhosa desigualdade salarial entre os jogadores que compõem o mesmo clube, geralmente com alguns idiotas, patrocinados por grandes marcas, ganhando milhões, enquanto os demais ganham um ínfimo salário, mas nunca vi esses que são endeusados pela imprensa jogarem uma partida sozinho, sem falar da presença do machismo, pois o futebol feminino não consegue emplacar. Assim como o futebol ou até mais, a religião, faz parte do dia a dia da sociedade, não a discutir é perder a oportunidade para atenuar os preconceitos que giram em torno dela e, que tem causado há tempos, um grande mal à sociedade mundial. Obviamente que são temas complexos, logo, precisam ser compreendidos sob o ponto de vista de suas complexidades, para serem debatidos com consciência, sem se enveredar para o fanatismo.

Em relação à política, se essa não for debatida com seriedade, certamente, haverá pouca mudança a curto prazo. Enquanto as pessoas continuarem dando mais atenção às discussões referentes ao futebol, muito pouco será mudado no campo da política nacional. O mercado vai continuar atento à política e, ainda tem como aliado, a grande mídia, essa conhece muito bem a arte da manipulação e do convencimento. O país não precisa de populistas e nem de policarpo muito menos do congresso atual, mas sim, talvez de pessoas que acreditam na justiça social, pessoas que não vejam na política uma forma de se dar bem na vida, que tragam para o debate clareza sobre as reformas que o país precisa enfrentar, devido às mudanças ocorridas na sociedade, que enfrente o debate a respeito da distribuição de riqueza produzida no país. Claro que discutir distribuição de renda sob a óptica da concepção neoliberal predominante no mercado de capital financeiro, endeusado pelo acúmulo de riquezas, é bastante penoso, isso, talvez, só possa ocorrer a partir do aumento da consciência política da população.

Vive-se tempos difíceis no campo da política e, é nessa seara de enorme instabilidade, que brotam os heróis nacionais, os salvadores da pátria, geralmente, com postura de justiceiros, gostam de aparecer na mídia de grande circulação nacional, pregam a ordem nacional e convencem multidões que são os verdadeiros nacionalistas que acabarão com os problemas do povo e resolverão as questões que dizem respeito à corrupção. Cuidado! Heróis só funcionam em filmes hollywoodianos. Discuta política sem, no entanto, basear-se no fanatismo partidário, pois esse é um caminho perigoso, que nada tem a contribuir com o debate político.