terça-feira, 1 de dezembro de 2015

POUCA PELE

Por Fernando Rocha

As lágrimas têm visitado os meus olhos ultimamente, pensei que tivessem secado, mas não, vejo algo do lado de dentro do mundo e a pele do meu corpo parece pouca, não me protege, os livros conhecimento supérfluos, nada disso protege, sinto o golpe do é das coisas se colidindo com o meu ser. Dor? Nenhuma, só desajuste e lágrimas que não têm a força necessária para se transformarem em choro.

Nasci de parto natural, ouvi dizer que os que assim nascem, recebem uma proteção que os ajudará a atravessar a vida, sem muitos problemas de saúde, meu psiquiatra nunca me perguntou nada sobre isso, ganhei umas letras que dentro de um código internacional justificam o não-estar do meu ser.

Seu Tião morreu, não fui ao enterro, ele, analfabeto me dizia com orgulho histórias da sua ida à África do Sul, nunca consegui sentir orgulho de nenhum feito como aquele que me narrava Seu Tião. Um vizinho que ajudou na construção da casa do filho, mais do que um convite, me intimou a ver sua obra. Como é que faz para sentir isso?

Acho que enquanto as Moiras trabalhavam, uma brisa soprou meu fio para dentro do vento-espaço-infinito. Esta minha cabeça leve e o peso do sem-sentido das coisas, só pode ser isso!

Um dia, sob efeito de antidepressivo e ansiolítico fui a um grupo de discussão sobre a filosofia do Gilles Deleuze, minha cabeça não identificava ou controlava o ritmo das minhas palavras, meus ouvidos dispersos, não compreendiam os múltiplos sons que por eles entravam, noutras oportunidades percebi que com meu estado de consciência alterado, aqueles debates poderiam ser mais interessantes, ou melhor, menos enfadonhos, porque podia ser culpa dos remédios toda aquela falta de senso.

Um pintor de paredes exercendo seu trabalho, eu vi pela janela, e todo aquele papinho de diferenciação e diferençação, me pareceu indiferente à realidade... Um menino que tinha ensaiado angústia, num encontro com um filósofo francês, realizou o cálculo perfeito da equação: Três mexidinhas no cabelo, um leve olhar simulando estar perdido e o uso do francês desnecessário (Havia tradução simultânea no evento). Professores universitários se portando como meninos do primário diante daquele que deveria ser um colega de discussões.

Não, eu prefiro o sorriso de Dotô ao ver Robertinho tocando bateria com o Som imaginário, Daniel gritando: Canalha! Na comunhão final de um show do Walter Franco, Dona Rafa atendendo ao chamado do Jair Naves e se aproximando do palco, ler a tempestade de ideias de Otacília. Aí há vida, sangue, não o blush fake dos caboclos que pretendem vestir a fantasia de europeu pensante.

Como inventar uma casca que nos proteja deste mundo oco? Um gesto que nos ponha dentro da mímica desta cena em construção da sociedade-caos?

Os dedos que tocam o cenário desta peça sentem a falta de sustância dos que arrotam caviar, rejeitam o torresmo e mesmo assim se proclamam de esquerda, gostam das ideias que leram nos livros e ouviram dos descolados filhotes de universidade, mas não gostam de pobre, que fique bem claro!

Chorei ao longo de todo o primeiro ano na escola, sentia que o espaço queria me engolir, o inspetor de olhos vermelhos, os gritos da professora, nem quando fiz xixi nas calças, no pré, senti tamanho desconforto!

Ser um bom aluno, um bom profissional, um bom isso ou aquilo: Armadilha cruel, domesticação de qualquer instinto criativo. Perceber o oco de tudo e mesmo assim participar é como carregar um punhal cravado no peito e a cada gesto sentir um milímetro te rasgar.

Estar no mundo sem senti-lo, sem um porto orgânico por meio do qual um gesto possa ser um convite para ancorar; onde da sensação de velocidade só resta a leveza do vulto que passa sem o descanso de um bloqueio. Ter a vida com um observatório, uma janela que permite enxergar o interior, mas não a entrada.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

OS JOVENS E SEU PROTAGONISMO

É preconizável à democracia a forma como os jovens estudantes de escolas estaduais de São Paulo têm demostrado o seu protagonismo, por meio de ocupações de várias escolas, por não aceitarem a maneira como o governo através de sua secretaria de educação vem tentando re(des)organizar a educação do estado, ou seja, sem consultar os mais interessados nessa possível “reorganização”, que são as famílias e os alunos.

Democracia se fortalece com participação, não por imposições, por meio de possíveis suposições, e o que esses jovens alunos têm demonstrado de forma corajosa, é que querem sim, participar do processo de fortalecimento democrático do país, isto é, que eles não são alienados e não aceitam que suas escolas sejam fechadas da noite para o dia, sem serem ouvidos, apenas porque um determinado governo quer que assim seja.

É oportuno afirmar que esses jovens aspiram por uma democracia participativa, ou seja, onde eles sejam ouvidos sobre o que eles desejam, e certamente os seus desejos nesse momento é que o estado não feche suas escolas, escolas essas onde a maioria deles estudam desde pequeno, e apesar de que muitos pensam ao contrário, eles têm muito carinho por elas, caso contrário não estariam lutando com todas as forças pelo não fechamento delas.

De acordo com Pernalete (2006), democracia não é assunto de “massas”, mas sim de sujeitos que discutem e tomam suas decisões com base em informações que sejam confiáveis, ainda segundo a autora democracia não é fácil, pois democracia requer um povo maduro, isto é, cidadãos prontos para exigir, propor, controlar, corrigir, desmentir e acima de tudo dialogar.

Pensar em democracia onde o indivíduo vota, mas não participa do processo de tomada de decisões como um todo, onde o sujeito não tem voz, é aceitar uma democracia formal, e o que esses jovens estudantes estão demostrando de forma heroica e inédita na educação, é que eles não querem uma democracia formal, e sim, uma democracia a qual eles possam exercer sua cidadania de forma participativa, com voz, e maturidade dialógica.

Oxalá que o grito desses jovens alunos seja o início de um continuo processo para uma verdadeira “reorganização” da educação pública de qualidade para todos. Não com o fechamento de escolas (uma vez que fechar escola num país onde a educação há tempo patina à beira do abismo, é por si só motivo de estranheza), mas sim com a dessucateação delas, tornando-as mais atrativas e menos desestimulantes, uma escola mais humana, com capacidade para transmitir além de conteúdos de qualidade, cultura, uma escola que forme cidadãos aptos a lidar com as diferenças de forma respeitosa e pacífica. E isso é possível apenas com a participação da sociedade, exigindo do poder público o cumprimento das leis que garantem, educação básica gratuita a todos, tendo em vista ao pleno desenvolvimento da pessoa, bem como o preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. “... Em todo o caso, aqueles cidadãos que não se interessam pela pólis não são considerados inofensivos, mas inúteis”. (PÉRICLES, aput PERNALETE, 2006, p. 23)

Referência

PERNALETE, Luisa Cecília. Democracia, participação, cidadania. Edições Loyola. São Paulo, 2006.

sábado, 14 de novembro de 2015

A VIDA COMO UM OUTDOOR

Por Fernando Rocha

Dentro da grande agência de publicidade que virou o que chamamos de vida, ter um perfil em qualquer rede social, assemelha-se a aceitar um emprego como marqueteiro de si mesmo, tendo como principal tarefa transformar a própria existência num outdoor, carros, filhos, esposa, marido junto de outros bens de consumo, decorados para a competição nossa de todos os dias. Já não é mais necessário sentir o gosto da refeição, é melhor fotografá-la para postar e quem sabe receber várias curtidas, o paladar dos olhos, a sensação de ter realizado algo relevante, dentro da rotina tão ordinária: Leve odor de sucesso.

O que pensam de mim? Será que sou desejável? Quantas pessoas gostariam de transar comigo? Já inventaram um aparelho que detecta respostas para estas questões, basta tirar uma foto sensual (ou sexual para os mais ousados) e vê quantos comentários que farão os milhares de carentes e maníacos que se masturbam em frente à tela do computador. É só um retrato do óbvio, todo mundo já sabe disso, não é?

Ser de esquerda é tão cool! Libertar os explorados pobres coitados. Eu que já não sou mais um deles, servirei de luz guia, mas: - Será que a empregada limpou a casa direitinho? Espero que ela tenha deixado comida pronta; Vendedora insolente! Onde está o gerente? Bacana mesmo é ser do contra, ser direita, aceitar o papel de eco do discurso de um filósofo que mora na terra do tio Sam, de tão preocupado que está com o país. Já cansou de esbanjar a grana do papai ou da mamãe, agora você é o dono da fortuna, ou um pobre que tem medo das mudanças e se habituou às representações ocas.

Ir para qualquer lugar não importa senão houver a possibilidade de divulgar num catálogo de sorrisos captado por meio de fotografias.

Você que me lê pensa que estou acima disso tudo, não é? Mas não, se segundo Schopenhauer um terço da humanidade não vale nada, eu íntegro esta fração da sociedade, sou um troço de fezes, poderia pensar que sou doce de leite ou chocolate, mas não, dentro da grande fossa que é o mundo sou a bosta delirante que não fingi ser a cesta da Chapeuzinho Vermelho.

Para criticar os que se importam com as marcas das roupas, tênis, carros e eletrônicos existem os que se importam com livros e conceitos, mas não os sentem, não têm a marca de sangue nas palavras, de ambos os lados há excesso de exterioridade dentro de um EU gigante.  

Ainda é necessário encontrar um slogan para esta campanha, não preciso criar quem sabe mudar uma palavrinha de uns versos do Bob Dylan, uma nova embalagem para um produto velho ajuda nas vendas: Ainda não está escuro/ Mas estamos quase lá. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O SUBSTITUTO

Por Paloma Rangel


Henry Barthes (Adrien Brody) é um professor de ensino médio, que apesar de ter o dom nato para se comunicar com os jovens, só dá aulas como substituto, para não criar vínculos com ninguém. Mas quando ele é chamado para lecionar em uma escola pública, se encontra em meio a professores desmotivados e adolescentes violentos e desencantados com a vida, que só querem encontrar um apoio para substituir seus pais negligentes ou ausentes.

Detachment nada mais é que o retrato de uma realidade dura e amarga que existe em todos os cantos habitados pela humanidade, mas que se intensifica nas escolas, que é muitas vezes o primeiro contato que os indivíduos tem com a cuja indiferença e com a decadência das relações humanas propiciadas pelo sistema que a gente vive.


E é na própria escola que o primeiro passo para a cura dessa crescente falência de humanismo pode acontecer, assim como fez Henry ao incentivar seus alunos a saírem do estado de reprodução de ignorância e a evoluírem seus pensamentos.

Chuck Palahniuk disse no Clube da luta que somos uma geração na qual nosso mal é o mal do espírito, não temos uma grande guerra, mas temos esse desapego, essa indiferença com o outro que se expande para nós mesmos.

"Detachment", que significa indiferença em inglês não poderia ser o título mais apropriado para o filme.

Ela está lá, em todos os momentos, todos os cantos, na diretora mais interessada no cargo do que nos problemas enfrentados diariamente pela escola, mercantilizando a educação, nos pais dos alunos negligentes, e nos próprios alunos. Só mesmo os professores não escapam do substantivo que dá título ao filme. Para mim o ponto alto dessa relação multifacetada e muitíssimo bem explorada pelo roteiro é a cena em que a professora, interpretada pela Lucy Liu, perde o controle e explode em frente a uma aluna, diante de seu desinteresse pelo futuro.

O Substituto não se restringe a apresentar ao espectador uma sala de aula completamente tomada por estereótipos hollywoodianos e professoras lindas e engajadas que caem de paraquedas em uma escola de periferia. O filme vai muito além disso.

‘'...24 horas por dia, para o resto de nossas vidas, a energia que movimenta trabalha arduamente no nosso emburrecimento até a morte. Então, para nos defendermos e pelejarmos contra esse processo de emburrecimento de nosso pensamento, precisamos aprender a ler para estimular nossa própria imaginação; cultivar nossa própria consciência, nosso próprio sistema de crenças. Todos nós precisamos dessa habilidade para defender e preservar nossas próprias vontades.''

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A IMPORTÂNCIA DE JUNG PARA A LITERATURA

Por Alessandro Wiederkehr, Alexandre Passos Bitencourt, Davi Fernandes Costa, Érika Aparecida Góis


O objetivo deste trabalho é expor a contribuição de Jung para a literatura, apresentando a leitura de algumas obras selecionadas baseando-se em conceitos junguianos como Arquétipos, Inconsciente Coletivo e Símbolo.

De acordo com Silveira (2007, p. 137) a manifestação artística não interessa à psicologia analítica enquanto produção estética, mas sim como um reduto simbológico e repleto de conteúdo do inconsciente.

Na visão de Jung, a literatura divide-se em dois diferentes processos: psicológico e visionário. O primeiro engloba as obras que tratam de temas cotidianos e de conflitos pessoais. Estudá-las psicologicamente não traz, segundo Silveira, contribuições significativas. Já o visionário tem como essência a estranheza que sua leitura causa no leitor, sua elaboração provém das esferas do inconsciente coletivo, portanto, sempre estão permeadas de conteúdos misteriosos, figuras arquetípicas, experiências humanas primordiais e mitológicas, além de seus autores afirmarem não ter total controle sobre suas criações.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Reorganizando o DeLorean

Por Marcos Antônio Oliveira

Hoje (vinte e um de outubro de dois mil e quinze) fomos bombardeados por referências ao filme “de volta para o futuro” na Tevê, nas rádios, em programas esportivos, de comédia e nas redes sociais com imagens e textos pilhéricos. O motivo? No segundo filme da franquia a viagem ao futuro teve como destino a data de hoje! Isto quer dizer (se me é permitida a referência e o trocadilho) que o futuro é hoje!

As listas de comparações entre as inovações tecnológicas apresentadas no filme também inundaram a internet mostrando os acertos e também os erros (pois é uma qualidade desejável ao diretor de filmes a de vaticinar!). Mas será o cinema algo mais que um Nostradamus da Era Contemporânea?

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

VÁRIOS DENTES E UMA SÓ MAÇÃ

Por Fernando Rocha

RESUMO

O trabalho aqui desenvolvido tem por objetivo analisar o poema Maçã, de Manuel Bandeira (1886- 1868), o qual pode ser encontrado no livro Estrela da Vida Inteira (2008), para isso utilizarei alguns conceitos dos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guatarri, mais especificamente, os presentes no livro O que é a Filosofia? (2010): Plano de Imanência, Personagem conceitual, Figura estética, Territorialização, Desteritorialização e Reterritorialização. Pois tais conceitos ajudarão a ampliar as possibilidades de leitura deste breve texto.      

O trabalho dos pensadores estará em consonância com o Ensaio sobre Maçã (Do sublime oculto), do professor e crítico literário Davi Arrigucci, o trabalho está presente em seu livro: Humildade, Paixão e Morte: A poesia de Manuel Bandeira (2009), o qual apresenta uma análise profunda da obra, não só na esfera literária, mas que também dialoga com a estética da pintura e da tradição religiosa.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

ESPORTE SIM, VIOLÊNCIA NÃO!

Numa quinta-feira, como qualquer outra, aquela, a princípio, não teria nenhuma novidade no cotidiano daquelas pessoas que pertencem e circulam dentro daquele determinado espaço a qual estão inseridas. No entanto, para um grupo de adolescentes que pertencem à comunidade mencionada acima, que iam naquele dia participarem de uma tão esperada partida de futsal, seria uma quinta-feira que, decerto, teria algo novo para eles, uma vez que era um dia onde fariam uma atividade que excedia as atividades que até então estavam acostumados a praticar cotidianamente.

sábado, 26 de setembro de 2015

TRÊS MOTIVOS DE MUDANÇA NA EDUCAÇÃO DO ESTADO, UM NO MÍNIMO ESTRANHO

Em uma entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo, quarta-feira dia 23 de setembro de 2015, no caderno Cotidiano, o sr. Secretário de Educação de São Paulo, Herman Voorwald, elencou três motivos para justificar possíveis mudanças nas escolas estaduais a partir do próximo ano letivo, com a organização das escolas em ciclos, ou seja, ensino Fundamental I, Fundamental II e Médio, em escolas separadas que, de acordo com o secretário, será importante para garantir os tempos e espaços para a aprendizagem dos alunos. O primeiro motivo segundo o secretário foi a municipalização que embora ainda não tenha sido concluída, já levou a migração de 60% dos alunos das séries iniciais para o município, segundo pela diminuição da taxa de natalidade que consequentemente diminui o número de alunos, e terceiro foi a melhoria da condição financeira das classes, nos últimos anos, e com isso houve uma migração de alunos para a rede particular de ensino.

domingo, 13 de setembro de 2015

POSFÁCIO PARA “DESEQUÍLIBRIO”, DE NAYARA BRIDA

Por Fernando Rocha

Desequilíbrio, os dois pés no chão não transforma a realidade em algo estável, uma presa fácil de capturar, pois bem, esqueça o ambiente externo, os textos que compõe esta publicação, foram construídos sem a necessidade das ações ou fatos, são jorros de interioridade, do primeiro parágrafo ao último, será como ter o colarinho pressionado, olhos nos olhos invadindo o seu interior, e o disparo de uma metralhadora, não de palavras, mas sim de sentimentos e sensações que antecedem e sucedem a forma primitiva do verbo.

Não há gênero que aprisione Nayara Brida, a extensão dos textos é curta, mas isso não deve ser confundido com fugacidade. A inadequação do ser diante da existência contorna temas como o suicídio, deixando a dúvida se tal ato seria uma espécie de libertação. O retrocesso ao útero como ruptura da linha lógica do tempo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

POR QUE A ESCOLA NÃO É ASSIM?

Existe algumas coisas na educação que são muito estranhas, uma delas a qual quero enumerar neste breve texto, é a hilária tentativa de proibir os alunos a usarem o celular em sala de aula, na verdade existe até a LEI  12.730, DE 11 DE OUTUBRO DE 2007, que proíbe o uso do celular por parte dos alunos em sala de aula no estado de São Paulo. Como se os três artigos que compõem a tal lei fossem suficientes para convencer os alunos que eles em sua maioria, nasceram no Séc. XXI, mas precisam aprender a se comportarem em uma escola do Séc. XX. Claro que esta lei não faz nenhum sentido, principalmente, nos dias de hoje, onde o celular não é um adorno de luxo, mas sim, um rico instrumento, que além de ser um objeto de entretenimento para as pessoas que gostam de jogar, pois são vários os aplicativos de jogos para a pessoa escolher o que mais se adeque ao seu gosto, como também é um meio de interação entre as pessoas, através do acesso às redes sociais.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

Por Fernando Rocha

Da infância trago a violência como ficção, exibida na tevê, monstros que depois de mortos, renasciam gigantes para serem exterminados pelos eficientes robôs dos Changeman e do Jirayia. A tela mágica permitia ao humano atingir o além da sua condição, o voo do Super-Homem, Rambo uma espécie de exército de um homem só.

A celebração da queda de um muro que dividia o mundo, uma canção com um assobio. Animais cobertos por petróleo, labaredas de fogo intermináveis. Um pouco mais tarde, eu um pouquinho mais velho, crianças mortas na Bósnia, lágrimas nos meus olhos, meu pai já não precisava mais pedir silêncio na hora do jornal.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Um mundo além das palavras

Por Paloma Rangel


As câmeras mostram o mundo com ênfase não no "onde", mas "o que está lá". A manhã, paisagens naturais, pessoas em oração, povos indígenas, aldeias inteiras dançando, destruição da natureza através de explosões e minas a céu aberto, pobreza, vida urbana, campos de concentração, valas comuns, ruínas antiga, piras funerárias e retorno à natureza. Numa busca para que cada quadro consiga capturar a grande pulsação da humanidade nas atividades diárias.

A começar, "Baraka" é um documentário profundamente sensorial. Com suas músicas e imagens estonteantes, o filme mexe com corpo e imaginação: em diversos momentos senti palpitações estranhas enquanto refletia sobre os significados das cenas, todas fotografadas com brilhantismo.

Por se tratar de algo imensamente subjetivo, "Baraka" pode ser lido sob diversas perspectivas, mas não se deve perder de vista o fato de que o filme tem um propósito e direcionamento básico, este preenchido a todo momento pela experiência do observador. A principal discussão do filme diz respeito ao velho tema de opostos: "civilização X barbárie". As cenas que retratam organizações tribais primam sobretudo pela serenidade, sabedoria e espiritualidade, enquanto as que representam as cidades são inquietas, caóticas e vazias em significado metafísico.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

POR UMA ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE

Por Alexandre P Bitencourt

Se olharmos a educação pública no Brasil pelo ponto de vista do acesso, no que diz respeito a quantidade, e se só isso for o suficiente para o desenvolvimento e transformação da nação, para a apropriação das pessoas aos bens culturais, para ascensão social dessas pessoas, não há dúvida de que o país avançou e muito em níveis de abertura e ampliação de vagas na educação Básica. Agora se o fato do sujeito ter leis que assegurem a garantia dele ter uma vaga numa escola pública, e essa não der a ele chances de pelo menos poder concorrer de forma menos desigual com quem tem recursos financeiros para estudar em escolas privadas ditas de ponta, me parece que a escola pública está prestando um serviço, se não inútil, pouco relevante à sociedade de forma geral.

A verdade é que não basta apenas resolver os problemas de quantidade, pois isso já está mais do que provado, quando se olha para os índices das avaliações externas que medem a qualidade da educação básica. No entanto, quando se estuda sobre educação no Brasil, o que se percebe é uma sequência de equívocos na implementação de políticas educacionais, ou seja, uma supervalorização, no que diz respeito a quantidade, porém essa quantidade geralmente é desprovida de qualidade.

Que é importante a abertura da escola a todos, ninguém tem dúvida disso, o que deve ser motivo de questionamento é a repetição de políticas que gera acesso, mas não garantem inclusão. Isto é, não basta colocar o indivíduo na escola, é preciso oferecer mecanismos para que esse sujeito consiga desenvolver suas habilidades, dito de outra forma, não basta uma escola aberta aos filhos dos trabalhadores que não serve para os filhos das elites, porque sendo assim, esses caras continuarão na exclusão, uma vez que eles não terão conhecimentos bastante para concorrer uma vaga em uma universidade mais bem-conceituada, para ter uma formação digamos que um pouco melhor, pois com uma formação precária eles assumirão as vagas em empregos cujos salários são menores.

O que o Brasil não pode permitir é continuar errando com a abertura da educação superior, da mesma maneira que aconteceu com o acesso à educação básica, ou seja, não adianta apenas abrir as portas para o ensino superior sem ter resolvido os entraves da educação básica. Jogar o sujeito despreparado no ensino superior em universidades comerciais, com visão apenas de negócios e com pouco cuidado com uma formação de qualidade, não é nada agradável, e certamente contribuirá muito pouco para o desenvolvimento de uma nação sólida com cidadãos críticos e autônomos, ou será que construir uma nação com pessoas bem formadas e independentes não é bom para o estado? Prefiro acreditar na utopia que sim.

Apontar problemas em políticas que dão privilégios mais às questões referentes à quantidade, sem atentar para a qualidade, não configura necessariamente uma subversão à abertura da escola a todos, ao contrário penso que a escola realmente tem que ser pra todos, no entanto o que se deseja é que essa escola seja não só de quantidade, mas sim de qualidade, uma escola que forme pessoas para a vida, com capacidade para poder participar de igual com todos, das oportunidades que surgem.

Colocar todos na escola, decerto, é um enorme ganho à sociedade, mas isso por si, não é objeto desencadeador de oportunidades se essa não for construída com as mínimas condições de qualidade. Devemos sim, querer e exigir uma escola pública melhor, que crie perspectivas aos jovens, uma escola pública que saiba lidar com os anseios da juventude que, infelizmente, tem abandonado o ensino médio, porque não conseguem fazer uma relação conceitual com o contexto atual em que estão inseridos, uma escola que forme pessoas para o enfrentamento dos constantes desafios e incertezas do século XXI, uma escola com capacidade para qualificar e não somente certificar, uma escola que consiga dialogar com o mundo polifônico e policrônico dos alunos.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

ESCOLA (DES)FORMADORA DE LEITORES

Em matéria publicada no caderno Metrópole do jornal O Estado de São Paulo, dia 11 de julho de 2015, sobre leitura, mostra que mais de 57% dos estudantes de oito anos não foram capazes de superar os dois primeiros níveis em uma escala de quatro, de aprendizado em leitura na Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2013. Isso, sem dúvida, é um dado preocupante e que requer urgente tomada de decisão dos responsáveis pelas implementações de políticas públicas voltadas à educação. Pois esses dados explicitam duas situações referentes a atual situação a qual se encontra a educação em nosso país, que se não houver atenção dissociada de projetos partidários (uma vez que os mesmos são construídos com projetos pautados apenas no poder), infelizmente, matérias como essa irão ser cada vez mais frequentes, e a população, principalmente, a mais desassistida, continuará desvelando no lento e infinito labirinto da desigualdade social.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

SERES (IN)EXISTENTES

A quantidade exata de pessoas que moram em ruas das cidades do Brasil é, certamente, causa desconhecida. Pensado sobre o ponto de vista de uma lógica de um mundo movido pelo consumo, cujo “ser”, é reconhecido pelo “ter”, isso pode ser explicado pela falta de representação que essas pessoas denotam na sociedade, ou seja, a quem interessa saber sobre um contingente de seres inexistentes, que não se enquadram dentro de um mercado, marcado apenas pelo paradigma do consumo. Em sociedades onde o ter está acima da vontade do ser, algumas opções de vida tomadas por sujeitos que decidam romper com os padrões de vida estabelecidos por essa sociedade, padrões esses que na maioria das vezes são financiados pelo discurso de mercado, como sendo o correto, e que todos devem segui-lo para que haja ordem e paz, cujo ter é sinônimo de felicidade, optar pelo rompimento com tais padrões, é enveredar-se em caminhos obscuros, onde reina constante perigo, até porque visto pela óptica de uma sociedade que consome e paga em dia, seus impostos, o fato do sujeito negar esse padrão, e escolher um estilo de vida onde esse sujeito se sinta livre, é simplesmente, afirmar a adesão a um estilo de vida pautado pela invisibilidade.

sábado, 11 de julho de 2015

(Re)constituição

Por Marcos Antonio Oliveira

O dia nove de julho marca para os paulistas uma espécie de orgulho esquecido, que está relacionado ao discurso de um povo que se levantou contra o restante do país em função da luta pelos seus direitos.

Muito além de acusações infundadas de separatismo, e também da enaltecedora imagem de conflito redentor da nação, os paulistas em 1932 procuravam restabelecer sua hegemonia política sobre o país que fora suprimida desde a conturbada revolução, ou golpe, de 1930. Sendo assim podemos nomear o evento de 32 como uma revolução, uma revolta ou ainda uma contrarrevolução.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

ENSINO DE INGLÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA: resposta para duas questões

Uma das características dos jovens alunos de hoje é falar muito em sala de aula, isso até certo ponto é bom, pois é sinal de que eles se apropriaram da liberdade de expressão. A única coisa que eles quase nunca fazem, é perguntas sobre o que os professores querem que eles aprendam, e geralmente os professores encistem nisso, por acreditar que se eles dominarem determinados conteúdo do currículo escolar, ao terminarem o Ensino Médio serão aprovados no vestibular, ou talvez em um concurso público. Mas será que os alunos desejam isso para si? Ou será que a escola verdadeiramente tem se tornado um ambiente, insignificante, desestimulante e obsoleto para eles? Lyotard (2013) em o livro “Por que filosofar?”, diz que podemos responder a pergunta: Por que filosofar? Com a resposta. “Mas por que desejar?” Isto é, “por que existe por todos os cantos o movimento do mesmo em busca do outro”? Parece que os currículos escolares não têm refletido sobre o desejo e ansiedade dos alunos, dado o fato de que os mesmos são sempre construídos na contramão do seu verdadeiro significado, de cima para baixo, e nesse sentido, muitas vezes não representam o que os alunos desejam.

domingo, 28 de junho de 2015

CASAMENTO DE BRANCA DE NEVE

Em o Casamento de Branca de Neve, Monteiro Lobato narra a festa de Branca de Neve com o príncipe Codadade, cujos convidados são personagens das mais diferentes tradições, e a descrição da sua chegada é deveras uma demonstração do verdadeiro carnaval de fábulas que tem como princípio deleitar o leitor ao longo da narrativa. Lobato destaca especialmente a chegada dos personagens da mitologia grega, pois, a Grécia outrora foi palco de tempos mitológicos, isto é, antes de igualar-se aos demais países a Grécia era considerada a terra de origem da própria imaginação humana, da liberdade, da pureza, do imaginário, e do fabuloso. 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

CARTA PARA JAIR NAVES

Por Fernando Rocha

Caro Jair,

Não sei qual é a conspiração do tempo que nos empurra para dentro do mundo, permitindo que a nossa existência esteja no mesmo espaço ocupado por um artista que age como uma antena captadora de tudo aquilo que não pode ser nomeado e expressado pela maioria dos viventes distraídos e embrutecidos.

A rua é sempre o risco do desconhecido, quase sinônimo de desproteção, por isso bastam poucas palavras para não querer estar numa, além de ti, o filósofo Cioran já tinha me alertado sobre tal fato possibilitar a contemplação do apocalipse em curso.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O Planeta Fantástico (Fantastic Planet)

Por Paloma Rangel

Hipnotizante e psicodélico filme de animação que ganhou o Grand Prix de Cannes de 1973 e que é um marco na animação europeia. Conceito atemporal, uma trilha sonora maravilhosa e uma união perfeita do surreal com o real são os três pontos que fazem qualquer pessoa, que goste de refletir sobre os temas abordados, se apaixonar por esse filme.

No planeta Yagam vivem humanóides chamados de Oms, que são escravos (ou animais de estimação) dos Draggs, uma raça de gigantes com mais de dez metros de altura, olhos vermelhos e pele azul. O planeta é um lugar indefinido onde os homens parecem insetos aos olhos dos Draggs.

sábado, 6 de junho de 2015

A PERSPECTIVA UTÓPICA

Por George Gleydston

O Breve Século XX; assim intitulou inteligentemente o historiador inglês Eric Hobsbawn. Esse período marcado pela carnificina da Primeira e Segunda Guerra Mundial, ainda o Neocolonialismo. As superpotências disputaram barbaramente a partilha dos lucros, e o domínio sobre os povos mais fracos, subdesenvolvidos. A modernidade é fortemente abalizada pelo agravamento da desigualdade social, e da degradação do meio ambiente. Tudo é volátil, a relação humana não é mais tangível, ou seja, perde consistência e estabilidade. Partindo deste viés, efetivamente começam as mais densas transformações culturais, científicas, tecnológicas, econômicas, e políticas na sociedade institucionalizada, culminando no fenômeno da globalização. Surgem formas de governação regionais e internacionais que criam uma maior proximidade entre países de todo o mundo. Logo, temos o exponencial desenvolvimento das telecomunicações, e da internet que permitem um maior fluxo de informação, em escala global. O discricionário avanço das multinacionais que criam redes de produção e de consumo no mundo inteiro, e que são detentoras de um extraordinário poder econômico, político, e monopolista. Mas, a rápida expansão da globalização é assimétrica e manifesta-se de formas diferentes, em diversas regiões do mundo. Criando um fosso cada vez maior entre os países mais ricos e os mais pobres. A riqueza, o rendimento, os recursos, e o consumo concentram-se nas sociedades desenvolvidas, ao passo que a grande parte do mundo em via de desenvolvimento industrial tardio debate-se com uma colossal dívida externa, e com a fome crônica, também, doenças pandêmicas, etc. Além disso, o terceiro mundo convive com o aumento da violência urbana e rural, abandonando à míngua as forças produtivas.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

INDISSOCIABILIDADE ENTRE TEORIA E PRÁTICA

Assim como Ghedin (2002), eu também penso que teoria e prática precisam estar juntas uma complementando a outra, no sentido de dar mais notoriedade ao trabalho do professor, no entanto parece que nem sempre ambas estão atreladas, isto é, o que se percebe é que há um distanciamento na atividade docente entre teoria e prática. É comum não colocarmos em prática no dia a dia em sala de aula as teorias que estudamos, e um dos possíveis motivos para tal atitude, pode ser um reflexo de nossa formação, que infelizmente muitas vezes não nos dá uma visão mais ampla a respeito da prática de sala de aula, uma vez que ficamos presos em discursões sobre teorias e teóricos sem um aprofundamento mais amplo sobre às questões pedagógicas, ou seja, como realmente é o dia a dia de uma sala de aula, ficamos na superficialidade, já que não agregamos às nossas práticas docentes às teorias que aprendemos e/ou estudamos.

Outro fator desencadeador da dissociação de teoria e prática pode ser gerado pelo afastamento dos pesquisadores tanto dos professores atuantes como da realidade da sala de aula, provocando com isso certa descrença da maioria dos professores a respeito de tais teorias. Acredito que com tantas teorias que temos já está mais do que na hora de tanto os professores quanto os pesquisadores se unirem para tornar teoria e prática verdadeiramente indissociáveis. Falta também reflexão sobre nossas atividades pedagógicas, às vezes, não refletimos criticamente sobre o que fazemos para quem fazemos e porque fazemos, perdemos várias oportunidades de trocar informações com nossos colegas em nossas atividades na escola e ampliar nossos conhecimentos a respeito de nossas práticas com assuntos irrelevantes, descontextualizado da prática docente.

Bakhtin ao analisar a cultura cômica popular no contexto de François Rabelais conclui que há um número considerável de obras científicas que são dedicadas à essa cultura, porém, toda essa expressiva literatura, salvo poucas exceções, é eximida de espírito teórico, ou seja, são apenas analisadas sob o ponto de vista de leituras pessoais, sem ser feito um maior aprofundamento teórico com valor e amplitude de princípio. “Schneegans não compreende em absoluto o hiperbolismo positivo do princípio material e corporal no grotesco medieval e em Rebelais” (BAKHTIN, 2013, p. 40). Por isso faz uma análise do grotesco sem ter um conhecimento profundo do terno, com base apenas em análise superficial.

Ou seja, a dissociação de teoria e prática, não é algo recente, nem tampouco está perto de ser resolvido esse impasse, principalmente no senário atual de esgotamento da profissão docente, motivado pela desmotivação desses profissionais em âmbito nacional, gerado pela desvalorização, tanto no quesito remuneração como em questões de reconhecimento. E com essa política de desvalorização do professor, afasta-se cada vez mais os jovens que melhor se destacam na educação básica, da profissão docente, e dessa forma não há nenhuma possibilidade de atenuarmos o abismo entre teoria e prática no contexto de uma escola de educação básica.

De um lado fica um número expressivo de pesquisadores produzindo e aperfeiçoando teorias, e para manter esses pesquisadores há um enorme investimento por parte do estado, do outro lado estão os professores, que dependendo do tempo que saiu da faculdade e pelas condições pouco estimulantes ao desenvolvimento da profissão que escolheu, já não acredita mais em nenhuma teoria, muito menos que essas venham fazer alguma diferença no contexto atual a qual se encontra a escola básica. Ou seja, a indissociabilidade entre teoria e prática, continuará sendo apenas um termo imaginário, para os românticos desavisados.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

ADEUS PROFESSOR, ADEUS PROFESSORA? novas exigências educacionais e profissão docente

JOSÉ CARLOS LIBÂNEO é doutor em Filosofia e História pela PUC-SP. Atualmente é professor titular da Universidade Católica de Goiás, atuando no Programa de Pós-Graduação em Educação, na Linha de Pesquisa Teorias da Educação e Processos Pedagógicos. Em Goiânia, desde 1973, exerceu funções na Secretaria Estadual, onde fundou e dirigiu por três anos o Centro de Formação de Professores. Escreveu seis livros e é também coautor em treze livros, pesquisa e publica artigos em revistas especializadas.

Este livro foi elaborado a partir de três textos que Libâneo escreveu para conferências, são três capítulos, onde ele discute com uma linguagem completamente didática e objetiva, a necessidade tanto da escola, quanto do professor estarem atentos às novas exigências contemporâneas. Valoriza também a escola que continua desempenhando um papel importante na formação e socialização do cidadão, bem como a nobilitação do professor, no entanto, é um livro destinado a professores, educadores e especialistas da educação de um modo geral.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

POR TRÁS DE UMA INGENUIDADE SEMPRE HÁ UMA ESPERTEZA

Em terra de ingênuos quem é um pouco, digamos mais esperto, reina. E essa ingenuidade a qual me refiro, politicamente falando, não é característica apenas de pessoas oriundas da ausência de escolarização, por falta de oportunidade ou por ter que escolher, estudar ou trabalhar para poder sobreviver, uma vez que nem todos conseguem conciliar as duas atividades. Mas sim de quem, sempre está enveredado numa incansável busca de obter vantagens sobre o outro. E está envolvido nesse embromeiro pessoas de todas as classes sociais, dos menos instruídos aos mais doutos, dos excluídos aos incluídos no atual e contínuo, indecoroso sistema de distribuição de renda.

No conto “O homem que sabia Javanês”, Lima Barreto descreve de forma jocosa e ao mesmo tempo satírica, três tipos de sociedade: primeiro, uma sociedade ingênua, representado pelo português dono da pensão, onde encontrara-se hospedado o “esperto” Castelo, que consegue enganá-lo com a história de que é professor de Javanês. Segundo uma sociedade fundamentada em crenças e superstições, representada pelo doutor Manuel Feliciano Soares Albernaz, Barão de Jacuecanga, que não faz nenhum esforço para olhar além das suas superstições, desde que seus interesses estejam à frente. Não que eu seja contra quem tem suas crenças ou suas superstições, ao contrário eu também tenho minhas crenças, até porque acredito que uma sociedade descrente é uma sociedade sem rumo, cuja promiscuidade faz morada. No entanto, quando tais crenças e superstições são pautadas no fundamentalismo disso ou daquilo, pode torna-se perigoso.

Em terceiro vem o Castelo, que representa o típico sujeito malandro, que quer levar vantagem em tudo, principalmente porque percebe que está diante de uma sociedade imbecilizada, conformada, incapaz de ser crítica, preocupada apenas com seus interesses pessoais e que esses venham se realizar, mesmo que para isso seja a última coisa que o sujeito tenha que fazer.

Sendo assim ele não cansa de se aproveitar, usando e abusando da ingenuidade de todos que preferem fingir que não acreditam em sua malandragem, porque se assim o fizessem teriam que fazer algum tipo de esforço para poder fazer o que ele fez, e com pouco esforço. Castelo com sua “esperteza” enganou e teve uma vida bem-sucedida com o aval da alta sociedade, ou seja, em troca de realizar os delírios de um senhor à beira da morte que mesmo tendo a consciência de pouca existência, não conseguia aceitar a ideia de ver o seu império dissolver. Diante dessa vulnerabilidade a qual se encontrava o Barão de Jacuecanga, ao ver sua família reduzir, causada segundo ele pela maldição de não ter dado importância ao livro escrito na língua Javanês e que deveria ser passado de geração a geração da sua família, e, no entanto, para que a maldição não recaísse à sua família havia a necessidade de ler o que estava escrito no tal livro, é aí então que surge o “gênio” Castelo, e seu feito foi tão bem arquitetado a ponto dele quase acreditar nas crenças e superstições do velho Barão de Jucuecanga.

No tocante ao campo da política há um enorme número de Castelos com ideias fabulosas e discursos abstratos, se servindo de Barões a portugueses, com projetos não de uma nação livre e autônoma, mas sim, permeado de ambição de uma dada perenização no poder, com seus projetos de partidos e não de nação, projetos desenhados para manter uma nação sempre dependente, com Castelos governando às costas para a sociedade.

O discurso casteliano é ornamentado de um engazopamento persuasivo, e continua atuando muito bem, firme e forte, obrigado! Persuadindo barões e portugueses, com uma dialética discursiva no campo das ideias, voltadas à abstração, com um poder de persuasão tão bem construído que, às vezes, causa um certo desconforto e dúvida, enquanto a sua existência até mesmo nos próprios Castelos. Que, frequentemente, exprimem seus faraônicos projetos, e passa-se o tempo, mas quase nada acontece, e, quando algo se sucede, nem sempre se materializa da forma que, a princípio, foi emitido.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

O VERDADEIRO SORRISO

Num dia qualquer da semana, do mês de um ano qualquer, passava eu por uma determinada rua da periferia de São Paulo, e como andar por ruas da periferia é deparar-se a todo o momento com pessoas adultas, crianças e adolescentes ociosos, por falta de opção de lazer e cultura, porque na verdade nascer e crescer na periferia é sinônimo de inclusão a um processo existente e contínuo de exclusão cultura, ou seja, o indivíduo, nasce, cresce, e passa toda a sua vida, incluído em um infinito labirinto de exclusão social sem precedentes.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Desverbalização de signos na escola

Umas das diferenças entre os estudos no campo da linguística e o da semiótica pode ser percebido no fato de que os estudiosos da área da linguística estão preocupados, no que diz respeito apenas aos signos linguísticos, ou seja, com o estudo dos signos verbais, com a palavra, com o estudo e desenvolvimento das línguas, sincrônica e anacronicamente. “Convém enfatizar que a Linguística detém-se somente na investigação científica da linguagem verbal humana” (PETTER, 2006, p. 17).  Enquanto que para os estudiosos da semiótica tudo é signo, isto é, não apenas as palavras são signos, mas as artes, o cinema, a literatura, o pensamento, etc. são signos, ou até mesmo qualquer ideia que surja da nossa imaginação, que na medida em que surge, logo outras ideias emanam em um movimento que gira em torno do infinito. “Qualquer coisa de qualquer espécie, imaginada, sonhada, sentida, experimentada, pensada, desejada... pode ser um signo, desde que esta “coisa” seja interpretada em função de fundamento que lhe é próprio, como estando no lugar de qualquer outra coisa” (SANTAELLA, 2008, p. 90).

sexta-feira, 1 de maio de 2015

DA FICÇÃO À REALIDADE NUA E CRUA

Ao lermos o capitulo primeiro do Gênesis, que relata sobre a criação pode-se perceber que Deus após concluir todo o seu trabalho de criação, abençoou-os, e por ter criado o homem à sua imagem e semelhança, deu-lhe poder para dominar sobre os peixes, as aves, os animais e todos os seres moventes. Mas não satisfeito, o homem com todo o seu projeto destrutivo de tudo o que foi criado para ele poder se beneficiar e conviver harmonicamente, resolve ampliar o seu poder de dominação, estendendo a sua forma de domínio sobre o outro.

Em o livro Fahrenheit 451, Ray Bradbury usa uma sociedade fictícia, ambientada em uma cidade dos Estados Unidos para discorrer sobre questões relacionadas às tenções sociais e de classe aplacadas por meio da violência ou da repressão social. Esse romance é um relato da história de um bombeiro conhecido como, Montag que queimava livros, e em um determinado momento ele conhece Clarisse McClellan, uma jovem que cria nele uma certa inquietude sobre as coisas simples, como por exemplo, uma conversa entre amigos e ao mesmo tempo o indaga, a respeito do “porquê” das coisas. E um dos questionamentos de McClellan ao Mantag foi querer saber o porquê pelo qual ele queimava livros, se a função dos bombeiros é basicamente o oposto ao que ele estava fazendo.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Advogada do Sr. Amor

Por Luiza Furlan

Caro Sr. Amor,

Acredito bastante na eficiência da justiça. E fico honrada em ter-me escolhido para lhe representar nessa causa. É uma causa difícil de ser ganha, eu entendo, porém, posso lhe assegurar que está em boas mãos.

Entendo que há muita injustiça contra o senhor. Muitos lhe apedrejando, sem nem sequer entender sua situação. E não consigo entender o motivo de tanta perseguição ao senhor, visto que só tem o bem a oferecer ao seu redor. Sei que passa por muitas acusações horrendas, e tem todo o direito e dever de procurar uma defesa. Por essa razão, procuro defendê-lo de maneira limpa, mas totalmente eficiente.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O ESPELHO DA INFÂNCIA

Por Fernando Rocha

As emoções que fazem parte da nossa essência não mudam.
São encobertas, mas grandes sentimentos independem do tempo.
São sempre agora; nada sabem do futuro nem do passado. 
Jakob Needleman

Se a polêmica sobre a existência de uma literatura feita, exclusivamente, para crianças e adolescentes é discutida há muito tempo, como enfocar os autores nesta tal problemática? Pois como as aulas de ciência nos ensinaram, a cegonha não existe, papai e mamãe acasalam, e o pior, talvez não tenham tido o intuito da procriação (você pode ter sido fruto de um vacilo). Assim autores que escrevem ou escreveram literatura adulta já foram crianças.

Manuel Bandeira depois de adulto identificou na emoção particular que fez nascer um poema, a mesma sensação que sentiu em sua meninice, aos seis anos de idade, quando segundo o próprio foi encaminhado para o seu itinerário poético. Travou contato com figuras como Tomásia e outras que aparecem em sua obra. Neste período que se tornou mitológico para ele, como está escrito em O Itinerário de Pasárgada. Lembrando-se de uma terrível chuva que assolou a fazenda de seu avô, na qual viu uma carcaça de boi sendo arrastada, fato descrito e imaginado em Boi-morto, poema que integra seu Opus 10, lançado em 1952.

domingo, 19 de abril de 2015

A arbitrariedade do sujeito em língua portuguesa

Que toda língua precisa de uma gramática para organizar o que uma determinada comunidade linguística vai falar ou escrever, em dada situação de uso entre os seus membros, até os mais desavisados concordam. Mas a questão que se coloca é como deve ser essa gramática, ou seja, ela deve ser um manual para dizer o que uma pessoa deve ou não falar e escrever, se é certo ou errado, como se houvesse certo e errado no ensino de língua, (o mais adequado nesse caso seria “aceitável ou não aceitável”) em determinado momento de uso dessa língua? Ou deve ser elaborada segundo a fala do povo que pertence a determinada comunidade linguística?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A falta de espaços de lazer e cultura na periferia

É notório a falta de espaços culturais, educativos, esportivos, de lazer e de entretenimento destinados às pessoas, que nascem e vivem, principalmente, nas periferias das grandes cidades. Andar por ruas e avenidas dessas cidades é deparar-se, a todo o momento com o caos, a cada dia não é difícil, até àqueles que não tem o costume de fazer uma leitura um pouco mais crítica, sobre o descaso do puder público, em relação às pessoas que precisam viver nessas regiões, perceber-se o engessamento constante de carros nas ruas e avenidas, o aumento de pessoas, devido ao alto custo dos grandes centros, que dessa forma, inviabiliza que pessoas com um poder aquisitivo menor vivam em áreas dos centros.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Interesse coletivo versus o individual


Andar por ruas, principalmente das grandes cidades, não é incomum deparar-nos com pessoas descartando, descaradamente, sem nenhum pudor, alguma embalagem de algum produto, após ter saciado a sua fome, em locais nem sempre apropriados, como se isso fosse algo completamente normal, dado o fato de que esse sujeito, caso fosse abordado por alguém, certamente se justificaria, como se houvesse justificativa para algo injustificável, com a premissa de que alguém é pago para fazer a limpeza. Ou seja, faz isso para garantir a empregabilidade do outro, afinal somos e estamos em uma sociedade plural, nesse sentido devemos ser mais altruístas e menos egocêntricos, ou não?

segunda-feira, 30 de março de 2015

Letramento no ensino de LE

De acordo com a Proposta Curricular do Estado de São Paulo, as diretrizes de ensino de LE são articuladas por meio da aprendizagem com base no letramento, onde o indivíduo é capaz, não apenas de formular conhecimento, mas de reconhecer, tanto a si, como o outro, em um processo de interação social com objetivos diversos dentro da comunidade a qual ele faz parte como sujeito discursivo. Já não enfatiza mais, nem o ensino das estruturas gramaticais, muito menos das funções comunicativas, uma vez que as mesmas têm um viés simplista no tocante ao ensino de LE, pois não privilegiam o letramento em um sentido amplo da palavra, e sim, a meras situações de hipóteses.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O Cordel como literatura (não)popular

Entre as numerosas investigações científicas consagradas aos ritos, mitos e às obras populares líricas e épicas, o riso ocupa apenas um lugar modesto. Mesmo nessas condições, a natureza específica do riso popular aparece totalmente deformada, porque são-lhe aplicadas ideias e noções que lhe são alheias, uma vez que se formaram sob o domínio da cultura e da estética burguesa dos tempos modernos. Isso nos permite afirmar, sem exagero, que a profunda originalidade da antiga cultura cômica popular não foi ainda revelada.
(Bakhtin)

A Cultura popular pode ser definida como qualquer uma das manifestações que envolve dançamúsicafestaliteratura, folclore e arte, em que o povo tanto produz como participa de forma ativa. A cultura popular resulta sempre de uma interação contínua entre as pessoas de determinadas regiões e recobre um complexo de padrões de comportamento e crenças de um determinado povo. Surgiu com uma adaptação do homem sobre o ambiente a qual vive, e abrange inúmeras áreas do conhecimento, como por exemplo, crenças, artes, moral, linguagem, ideias, hábitos, tradições, usos e costumes, artesanatos e folclore.

quarta-feira, 18 de março de 2015

UM EU PROVINCIANO À MARGEM DA METRÓPOLE


Por Fernando Rocha

Piadas seguidas por sorrisos escandalosos, a branquinha como combustível, o homem é um inventor de bordões que contaminam toda sua vizinhança. Para situações difíceis: Chora sangue! Ao invés de siga em frente: Arrocha!
 

sábado, 7 de março de 2015

Educação além do senso comum

A escritora Clarice Lispector escreveu uma belíssima crônica, cujo título é: “você é um número”. Nela a autora nos adverte a tomarmos cuidado, pois a nossa vida está reduzida a ser apenas um mero número. Vale a pena ler! Na verdade somos realmente um número desde o momento em que nascemos, pois a partir de então, fazemos parte das estatísticas como um a mais nascido no país, na cidade, no hospital (claro se esse nascer em hospital, pois nem todos nascem em hospital, mas se for em casa, continuará sendo um número a mais que a parteira ajudou a nascer), será mais um na família, ou um a mais sem família. Até o momento em que morremos, quando é expedido o atestado de óbito, nesse caso, para o estado este ser será um número a menos que requererá os benefícios diversos, principalmente, quando se trata de estado patriarcal, que não forma cidadãos independentes, autônomos, com capacidade para refletir sobre a liberdade.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Castro Alves – Os escravos

Breve biografia de Castro Alves

Nasce no dia 14 de março de 1847, Antônio de Castro Alves em Muritiba, comarca de Cachoeira, a poucas léguas de Curralinho, na Bahia. Filho do dr. Antônio José Alves e de d. Clélia Brasília da Silva Castro. Em 1852/53, sua família se muda para Muritiba e depois para S. Félix, às margens do rio Paraguaçu. Aprende as primeiras letras com o Prof. Primário José Peixoto da Silva. Passa a frequentar a escola de Antônio Frederico Loup, em Cachoeira, no outro lado do Paraguaçu. No início do ano de 1854, sua família instala-se em Salvador, à rua do rosário, n.º 1, num sobrado em que seis anos antes, fora assassinada, pelo noivo, a formosa Júlia Feital, segundo a lenda, com uma bala de ouro. Em 1856/57, Castro Alves frequenta os cursos do colégio Sebrão, em 1858 transfere-se para o ginásio Baiano do Dr. Abílio César Borges, mas tarde Barão de Macaúbas. Em 1859, falece sua mãe, D. Clélia de Castro.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ensinar línguas com os variados gêneros textuais, não de forma isolada

Quando uma determinada língua é compreendida como forma de comunicação entre indivíduos, pertencentes a uma mesma comunidade, seu uso deve ser pensado não de maneira isolada, mas sim, atrelado às práticas sociais de seus usuários. Para Bakhtin (2003, p. 261), “todos os diversos campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem”, ou seja, as pessoas comunicam entre si, por meio de enunciados relacionados aos diversos gêneros textuais, não por estruturas dissociadas da realidade do falante, ainda segundo Bakhtin (p. 283), se não existisse os gêneros discursivos, isto é, se precisássemos criá-los no processo discursivo pela primeira vez, certamente a comunicação seria impossível. Nesse sentido pode-se afirmar que a língua só faz sentido aos seus usuários se for entendida como interação social, como modo do indivíduo interagir com o outro e ser compreendido, e não como estruturas fechadas.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A LÍNGUA ARQUITETA DA MEMÓRIA EM PROFUNDAMENTE

Por Fernando Rocha

A língua convertida em linguagem possibilita aos seres humanos o ato da comunicação, é por meio dela que um homem pode reconstruir o passado e/ou avançar ao futuro. Destacando-se dentro do coletivo, os literatos que com um elaborado trabalho com a massa bruta da linguagem, conseguem esculpir beleza singular por meio da escrita, neste seleto grupo está o poeta Manuel Bandeira.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O discurso que quase emudece Fabiano em Vidas secas de Graciliano Ramos

Quando falamos em análise do discurso estamos falando em algo vago e ao mesmo tempo amplo, uma vez que pode ser remetido a qualquer coisa, ou seja, toda produção de linguagem pode ser considerada um “discurso”, Fernanda Mussalim (2006). A Análise do Discurso, de origem francesa tem como característica condicionar o sujeito a uma determinada ideologia que predetermina o quê, ou não deve ser dito, em determinado contexto social, que de certa forma somos levados a crer, e, a certo ponto é verdade, que o discurso dominante está atrelado à questão do status social a qual o indivíduo possui na comunidade em que ele está inserido. Em “Vidas secas” Graciliano Ramos mostra por meio do personagem Fabiano e sua família, que o não domínio da linguagem, isto é, a falta de compreensão de suas implicações, faz com que o indivíduo seja excluído, tanto dos bens culturais, como fica impedido de ascender socialmente.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A HUMANIDADE EM BUSCA DE UM LÍDER

Por Alexandre P Bitencourt

Quando se faz uma análise um pouco mais apurada sobre a história da humanidade, a respeito dos seus comportamentos, suas escolhas e decisões, das mais diversas gerações no decorrer dos tempos, tanto das mais remotas quanto das contemporâneas, fica perceptível que as pessoas são incapazes de se organizarem socialmente sem a presença de um tutor, ou seja, de um líder, que geralmente nas sociedades que tem como sistema político a democracia, a escolha desse líder, governante, se dar pela vontade da maioria. No entanto, a maioria, embora se auto titule como a vencedora, nem sempre faz as escolhas mais acertadas, por isso as minorias são constantemente esmagadas, pelas escolhas da maioria, bem como pela necessidade de aceitar e aprender a conviver com as desacertadas tomadas de decisões da maioria.

Desde tempos mais remotos pode-se perceber a incapacidade dos homens de se auto-governarem. No momento em que o povo se reúne para pedir a Deus um rei que governe sobre eles, Deus não hesita e nem questiona o porquê deles quererem um rei para governar sobre eles, até porque eles já não andavam mais segundo os mandamentos do Deus criador, então Deus manda Samuel ungi Saul como rei de Israel, isto é, Deus faz a vontade do povo. Basta ler o livro de I Samuel no Velho Testamento, para concluir-se que os povos não conseguem viver sem ser gerenciado por alguém, porém nem sempre esse líder, lidera segundo a vontade e necessidade do povo, pois Saul, o rei que tanto o povo de Israel pediu a Deus, conseguiu tornar o seu reinado num verdadeiro desastre. No Novo Testamento, nos quatro evangelhos percebe-se que Jesus morreu na cruz para libertar a humanidade de todo tipo de julgo, porém, a forma como as pessoas ainda adoram se prostrar debaixo do julgo de grandes líderes religiosos, é algo que excede os limites de qualquer tentativa de explicação.

Dos exemplos acima citados até os dias hodiernos, passaram-se várias gerações, diversos líderes já governaram em algum lugar, sobre uma determinada nação, povo, etnia, mas a relação destes com o povo é sempre determinada com base em um sistema de governo linear, ou seja, onde o líder é aquele indivíduo que tem para si mesmo, o poder, enquanto que os povos estão sempre condicionados aos seus desmandos, entretanto, o que causa estranheza é o fato desses povos não conseguirem se libertar de tais julgo. Quando os grandes líderes governam por meio de um sistema político ditatorial, a situação ainda é mais agravante, pois o sujeito governa por meio do autoritarismo totalitário, e parece que o povo acaba se acostumado com as arbitrariedades desses regimes, uma vez que sendo a maioria, o seu poder de força parece se ofuscar diante das atrocidades cometidas por esses parasitas do poder, adquirido a qualquer preço. Como exemplo, temos nações que mantém a força como forma de governo, umas de maneiras mais consistentes outras um pouco mais atenuante, mas a população desses países parecem que estão anestesiados, pois não conseguem se mobilizar diante de uma situação que para as pessoas que vivem em países ditos “democráticos”, é no mínimo estranha.

E por fim, vimos com perplexidade nas últimas manifestações no Brasil, um grupo considerável de manifestantes que saíram às ruas de algumas capitais, para pedir o fim das corrupções entre outras, e para que isso ocorresse, clamavam pela volta da força militar, como se fosse possível resolver a violência com mais violência, isso é, sem dúvida desastroso. Que os desdobramentos políticos dos últimos anos em nosso país não são os dos melhores, é notório a todos aqueles que conseguem fazer uma leitura um pouco mais reflexiva, a respeito do que tem ocorrido há tempos, agora o sujeito gritar pelo retorno do regime militar, é de uma irracionalidade sem precedentes, é uma tomada de decisão no mínimo perigosa e assustadora, é incompreensivo para quem ainda tem capacidade de fazer uma leitura racional dos anos que perduraram o regime militar no Brasil. Nesse sentido, não há nada que justifique esses gritos, que devem ter partido de um determinado grupo de pessoas que como a maioria da população não tem autonomia para resolver questões de cunho social por meio do diálogo, sem o uso da força, e geralmente essa força é institucionalizada, representada por alguém, com ou sem o aval do povo para fazer uso do poder contra o povo, em nome da ordem nacional. Triste humanidade!