quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A HUMANIDADE EM BUSCA DE UM LÍDER

Por Alexandre P Bitencourt

Quando se faz uma análise um pouco mais apurada sobre a história da humanidade, a respeito dos seus comportamentos, suas escolhas e decisões, das mais diversas gerações no decorrer dos tempos, tanto das mais remotas quanto das contemporâneas, fica perceptível que as pessoas são incapazes de se organizarem socialmente sem a presença de um tutor, ou seja, de um líder, que geralmente nas sociedades que tem como sistema político a democracia, a escolha desse líder, governante, se dar pela vontade da maioria. No entanto, a maioria, embora se auto titule como a vencedora, nem sempre faz as escolhas mais acertadas, por isso as minorias são constantemente esmagadas, pelas escolhas da maioria, bem como pela necessidade de aceitar e aprender a conviver com as desacertadas tomadas de decisões da maioria.

Desde tempos mais remotos pode-se perceber a incapacidade dos homens de se auto-governarem. No momento em que o povo se reúne para pedir a Deus um rei que governe sobre eles, Deus não hesita e nem questiona o porquê deles quererem um rei para governar sobre eles, até porque eles já não andavam mais segundo os mandamentos do Deus criador, então Deus manda Samuel ungi Saul como rei de Israel, isto é, Deus faz a vontade do povo. Basta ler o livro de I Samuel no Velho Testamento, para concluir-se que os povos não conseguem viver sem ser gerenciado por alguém, porém nem sempre esse líder, lidera segundo a vontade e necessidade do povo, pois Saul, o rei que tanto o povo de Israel pediu a Deus, conseguiu tornar o seu reinado num verdadeiro desastre. No Novo Testamento, nos quatro evangelhos percebe-se que Jesus morreu na cruz para libertar a humanidade de todo tipo de julgo, porém, a forma como as pessoas ainda adoram se prostrar debaixo do julgo de grandes líderes religiosos, é algo que excede os limites de qualquer tentativa de explicação.

Dos exemplos acima citados até os dias hodiernos, passaram-se várias gerações, diversos líderes já governaram em algum lugar, sobre uma determinada nação, povo, etnia, mas a relação destes com o povo é sempre determinada com base em um sistema de governo linear, ou seja, onde o líder é aquele indivíduo que tem para si mesmo, o poder, enquanto que os povos estão sempre condicionados aos seus desmandos, entretanto, o que causa estranheza é o fato desses povos não conseguirem se libertar de tais julgo. Quando os grandes líderes governam por meio de um sistema político ditatorial, a situação ainda é mais agravante, pois o sujeito governa por meio do autoritarismo totalitário, e parece que o povo acaba se acostumado com as arbitrariedades desses regimes, uma vez que sendo a maioria, o seu poder de força parece se ofuscar diante das atrocidades cometidas por esses parasitas do poder, adquirido a qualquer preço. Como exemplo, temos nações que mantém a força como forma de governo, umas de maneiras mais consistentes outras um pouco mais atenuante, mas a população desses países parecem que estão anestesiados, pois não conseguem se mobilizar diante de uma situação que para as pessoas que vivem em países ditos “democráticos”, é no mínimo estranha.

E por fim, vimos com perplexidade nas últimas manifestações no Brasil, um grupo considerável de manifestantes que saíram às ruas de algumas capitais, para pedir o fim das corrupções entre outras, e para que isso ocorresse, clamavam pela volta da força militar, como se fosse possível resolver a violência com mais violência, isso é, sem dúvida desastroso. Que os desdobramentos políticos dos últimos anos em nosso país não são os dos melhores, é notório a todos aqueles que conseguem fazer uma leitura um pouco mais reflexiva, a respeito do que tem ocorrido há tempos, agora o sujeito gritar pelo retorno do regime militar, é de uma irracionalidade sem precedentes, é uma tomada de decisão no mínimo perigosa e assustadora, é incompreensivo para quem ainda tem capacidade de fazer uma leitura racional dos anos que perduraram o regime militar no Brasil. Nesse sentido, não há nada que justifique esses gritos, que devem ter partido de um determinado grupo de pessoas que como a maioria da população não tem autonomia para resolver questões de cunho social por meio do diálogo, sem o uso da força, e geralmente essa força é institucionalizada, representada por alguém, com ou sem o aval do povo para fazer uso do poder contra o povo, em nome da ordem nacional. Triste humanidade!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

É UM TER COM QUEM NOS MATA A LEALDADE

Por Fernando Rocha

Desde o discurso de Alcibíades no enceramento do Banquete, o ciúme pode ser associado ao amor como uma variação do termo, fazendo-nos pensar se seria esta uma dicotomia existente no domínio dos sentimentos, ou ledo engano daqueles que enxergam as relações humanas como as relações de posse comuns ao mundo capitalista.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Eita! Enem sem porteira

Por Reinaldo Santos

Será que é o ponto de vista que faz o objeto, ou o objeto que faz o ponto de vista? Reflexões que necessitam de um Whisky para acompanhar.  No século passado, sim sou de 1900. Em 1998, foi criada uma prova para avaliar o ensino e aprendizagem dos alunos concluintes do ensino médio, Enem.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O MITO DO ANDRÓGINO NO CANCIONEIRO BRASILEIRO

Por Fernando Rocha

O Mito

Aristófanes foi um poeta cômico ateniense, produziu peças teatrais de grande riqueza literária, tendo como tema a vida política da Grécia, mas no Banquete (São Paulo, Martin Claret: 2007), Platão o transformou em uma das personagens de seus diálogos, a qual além de defender sua teoria sobre a origem do amor (Eros) tal quais as demais, também realiza sua defesa e propõe a existência de uma terceira espécie de humanos, pois além de homens e mulheres, segundo a personagem havia um terceiro gênero, o qual reunia os dois gêneros condensados em um só corpo: O andrógino.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Primeira crônica


Por Alessandro Wiederkehr

Nubiloso e gélido, alvejava o dia. Eu andava pelas ruas do bairro observava a paisagem, que outrora me era tão agradável, e pensava como tudo mudou. Dividia a calçada com os despejos; as pessoas, amestradas, muitas, iam para o trabalho, conectadas em seus celulares de última geração; poucas, conversavam sobre o capítulo da novela da noite anterior, corriqueiramente... Aquilo me incomodava... Estava cansado.  Uma tristeza profunda me acompanhava. Estava sem destino quando resolvi ir ao parque, perto de casa, para colocar os pensamentos em ordem e tentar equilibrar o meu estado de espírito.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

CORRUPÇÃO NA PETROBRÁS, O CHARLIE HEBDO, AJUSTE FISCAL NA ECONOMIA BRASILEIRA


Por Ari Barbosa da Cunha

A forma como esses temas são abordados na imprensa nos remete ao velho e atualíssimo pensamento de Karl Marx, segundo qual, em todas as épocas e sociedades, os pensamentos dominantes são os pensamentos das classes dominantes. A classe que é potência material é, também, potência espiritual da sociedade, fazendo com que o ser do ser, depende do lugar ocupado pelo ser.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

LEITURA VERSUS PONTUAÇÃO

Por Alexandre P Bitencourt

Quando estudava ainda na educação básica aprendi que deveríamos ler de acordo com a pontuação do texto, entretanto, o mais importante não me ensinaram que, a meu ver, é o prazer e a liberdade que precisamos ter quando o assunto se trata de leitura. Hoje já formado e agora com o ofício de professor, ainda ouço muito no contexto escolar que devemos ensinar a leitura aos nossos alunos, que devemos ler com eles, até aí tudo bem, se os alunos estiverem na fase de alfabetização não há nenhum problema em lermos com eles, na verdade o problema emana quando ouço que devemos fazer isso porque os mesmos não sabem ler usando a pontuação correta. Mas afinal de contas é necessário usar a pontuação na leitura?

Definitivamente, não. Segundo Luft (2009) a pontuação em língua portuguesa obedece a ritérios sintáticos, e não prosódicos. Ou seja, não há nada na língua portuguesa, salvo as gramáticas tradicionais, que cá entre nós, não é a verdade absoluta, que nos obrigue a usar pontuação em leitura. “Em matéria de leitura, nós, os “leitores”, nos concedemos todos os direitos, a começar pelo que recusamos a essa gente jovem que pretendemos iniciar na leitura. 1) O direito de não ler. 2) O direito de pular páginas. 3) O direito de não terminar um livro. 4) O direito de reler. 5) O direito de ler qualquer coisa. 6) O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível). 7) O direito de ler em qualquer lugar. 8) O direito de ler uma frase aqui e outra ali. 9) O direito de ler em voz alta. 10) O direito de se calar”. (PENNAC, 2011, p.126).

A escola, embora sempre cheia de boas intenções, tem fracassado no tocante às questões da formação de leitores ativos. Mas por que será que a escola não forma leitores? Não formamos leitores com leituras obrigatórias, não formamos leitores com a designação de um professor atribuindo-lhe aula em um determinado dia da semana com uma dada turma para ter aula de leitura, não formamos leitores apenas lendo para a pessoa, principalmente porque nem sempre as tais leituras são feitas em um ambiente propício, para que o leitor possa ter autonomia de escolher, quando e o que ele quer ler, que seja um espaço onde ele possa refletir e criar um significado da leitura para si próprio, que transcenda os meros sinais de pontuação, descritos nas gramáticas normativas por aí afora.

Basta lembrar que nossas escolas foram projetadas e ainda estão em um sistema educacional linear, com salas de aula com carteiras enfileiradas, salas de alfabetização e letramento (letramento aqui, diz respeito ao domínio dos gêneros secundários) com o número de alunos por metro quadrado que ultrapassa os limites do aprender, muitas escolas sem ou com bibliotecas sucateadas. Para formarmos leitores, precisamos, primeiro reinventar nossas escolas, com ambientes novos e adequados à leitura, segundo ter um acervo de acordo com a idade e interesse dos alunos, pois não formamos leitores obrigando o aluno a ler e depois fazer um resumo, até porque de resumo de livro a Internet está cheia, muito menos fazer análise sintática, terceiro precisamos repensar sobre nossa postura enquanto educadores e formadores de opinião, frente às inúmeras mudanças e inovações tecnológicas que tem pipocado com uma velocidade cada vez mais acelerada em nosso meio.  

Referências:
LUFT, Celso Pedro. A vírgula: considerações sobre o seu ensino e o seu emprego / Celso Pedro Luft. 2 ed. São Paulo: Ática, 2009.


PENNAC, Daniel. Como um romance / Daniel Pennac: tradução de Leny Werneck – Porto Alegre, RS: L± Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

ENTENDA A NOVA ORTOGRAFIA

Por Alexandre P Bitencourt


Este trabalho tem como escopo tentar contribuir com alguns esclarecimentos sobre as mudanças concernentes ao Acordo Ortográfico de 1990, corrente desde o dia 01/01/2009, pois muito têm sido os comentários a respeito da nova ortografia, infelizmente a mídia equivocadamente tem colaborado com textos errôneos, nos apresentando o Acordo como uma unificação da língua, como se a língua fosse passível de mudança por meio de acordos, decretos ou leis. A língua: “é, ao mesmo tempo, um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotada pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (SAUSSURE 2006, p.17). Ou seja, o que se consegue em um Acordo é unificar a forma gráfica da língua, o que, a meu ver é benéfico, haja vista que não faz sentido uma língua ter mais de uma grafia, como vinha ocorrendo nos países de língua portuguesa, dificultando a vida dos estrangeiros que tem interesse em aprender a nossa língua, bem como na difusão de material impresso por ambos os países. Este Acordo vem corrigir a duplicidade decorrente do fracasso ocorrido com o Acordo unificador assinado em 1945, onde Portugal adotou, porém o Brasil retrocedeu ao acordo de 1943.

Esclarecendo as mudanças:

Foram acrescentadas as letras K, W e Y, ou seja, agora o alfabeto da língua portuguesa será composto por 26 letras, na seguinte ordem: A a, B b, C c, D d, E e, F f, G g, H h, I i, J j, K k, L l, M m, N n, O o, P p, Q q, R r, S s, T t, U u, V v, W w, X x, Y y, Z z.
Nos países que tem como língua oficial o português, a ortografia de palavras com consoantes “mudas” respeitará as diferentes pronúncias cultas da língua, tornando, às vezes, maior a quantidade de palavras com grafia dupla. Exemplo: fato e facto (grafia e pronúncia dupla), ação (grafia e pronúncia única), aspeto e aspecto (grafia e pronúncia dupla).
Substantivos que são derivados de outros terminados em vogal apresentam terminação uniforme em ia e oi em vez de ea e eo. Exemplo: hástia de haste; véstia de veste; cúmio de cume.
Alguns verbos que terminam em iar admitem variação na conjugação devido à flexão gramatical. Exemplo: premiar – premio ou premeio, negociar – negocio ou negoceio.
As palavras oxítonas[1] cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas, possui variação em (ê, é, ô, ó), pode ter dupla grafia, de acordo com a pronúncia. Exemplo: matinê ou matiné, bebê ou bebé.
As palavras paroxítonas[2] cuja vogal tônica, é seguida de consoantes nasais m e n, apresenta oscilação de timbre (ê, é, ô, ó), com as pronúncias cultas da língua admitindo grafia dupla. Exemplo: fêmur ou fémur, ônix ou ónix, pônei ou pónei, vênus ou vénus.
Não deve mais haver acento gráfico nos ditongos[3] ei e oi de palavras paroxítonas, exceto os casos em que a palavra está incluída em regra de acentuação, como em: gêiser, destróier, Méier, etc. Exemplo: assembleia, heroico, ideia, jiboia, etc.
Não são mais acentuadas graficamente as formas verbais e seus derivados: creem – desceem, deem – desdeem, leem – releem, veem - reveem, e nem o penúltimo o do hiato[4] oo, como em: voo, enjoo.
Exceto nos casos em que a palavra se inclui na regra de acentuação tônica: heróon.
Não haverá mais acento gráfico nas palavras homógrafas. Exemplo: para (verbo) para (preposição), pela (substantivo) pela (verbo), pelo (substantivo) pelo (verbo), polo (substantivo) polo (verbo). Exceção: pôde (pretérito perfeito) e pôr.
Uso facultativo do acento agudo das formas verbais do tipo: Exemplo:
amámos (1º pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
louvámos (1º pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
amamos (1º pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
louvamos (1º pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
Não haverá acento gráfico nas palavras paroxítonas cujas vogais tônicas i e u são antepostas de ditongo. Exemplo: boiuca, cheiinho (de cheio), boiuno, maoista, cauila (=avaro), saiinha (de saia).
Não receberá acento agudo o u tônico de formas rizotônicas[5] de arguir e redarguir. Exemplo: arguo, arguir, argui.
Os verbos aguar, apaziguar, averiguar, desaguar, enxaguar, obliquar, apropinquar, delinquir, e afins possuem paradigma duplo:
Com o u tônico na forma rizotônica, não haverá acento gráfico: averiguo, ague, averigue.
Com o a ou i dos radicais tônicos acentuados graficamente: averíguo, águe, enxágue.
Palavras proparoxítonas[6], cujas vogais tônicas e e o estão em final de sílaba, seguido das consoantes nasais m e n, recebem o acento agudo ou circunflexo de acordo com o timbre (aberto ou fechado). Exemplo: cômodo ou cómodo, gênio ou génio, econômico ou económico.
Não se usará mais o trema em palavras portuguesas ou aportuguesadas. Exemplo: linguística, cinquenta, tranquilo, etc. Exceto em nomes próprios.

Uso de minúsculas e maiúsculas:

Em títulos de livros (bibliônicos), escrever-se-á letra maiúscula no 1º elemento, enquanto os demais podem ser escritos com minúsculas, salvo em nomes próprios: Exemplo: O Senhor do Poço de Ninães / O senhor do poço de Ninães, Menino de Engenho / Menino de engenho.
Nomes que designam altos cargos ou postos podem iniciar com minúsculas: Exemplo: senhor doutor Mário Silva, bacharel João Brito.
Nomes de santos podem usar as duas formas: Exemplo: Santa Filomena / santa Filomena.
Nomes de ruas, templos ou edifícios podem usar as duas formas: Exemplo: rua / Rua do Carmo, igreja / Igreja do Deus vivo, palácio / Palácio do Planalto.

Uso do hífen:

Palavras compostas serão hifenadas sem elementos de ligação, quando o 1º termo for extenso ou reduzido, e representado por substantivo, numeral ou verbo. Exemplo: ano-luz, arcebispo-bispo, boa-fé, decreto-lei, és-sueste, João-ninguém, luso-africano, mesa-redonda, porta-aviões, primeiro-ministro, tenente-coronel, vaga-lume.
Exceto alguns compostos que com o tempo perderam a noção de composição: Exemplo: girasol, madresilva, pontapé, paraquedas e derivados, mandachuva.
Receberão hífen elementos repetidos do tipo: Exemplo: blá-blá-blá, reco-reco, lenga-lenga, zum-zum, zás-trás, zingue-zague, pingue-pongue, tico-tico, trouxe-mouxe.
Palavras cujo elemento há apostrofo devem ser escrita com hífen. Exemplo: mestre-d’armas, mãe-d’água, olho-d’água.
Será empregado o hífen em palavras compostas sem elemento de ligação nos casos em que o 1º elemento estiver representado pelas seguintes formas: além, aquém, recém, bem, sem. Exemplo: além-atlântico, aquém-mar, recém-casado, bem-aventurado, sem-número.
No entanto, em muitos compostos o advérbio bem aparece junto ao 2º elemento. Exemplo: benfeito, benfeitor, benquerença, e derivados, benfeitoria, benfazer, benquerer, benquisto.
Nos compostos sem elemento de ligação no caso em que o 1º elemento for representado com a forma mal e o 2º começar com vogal, h ou l. Exemplo: mal-estar, mal-humorado, mal-limpo. Atenção! Se mal for aplicado à doença, será hifenado: mal-francês (=sífilis)
Em nomes geográficos compostos pelas formas: grã, grão, verbal ou artigo: Exemplo: abre-campo, Baía de Todos-os-Santos, Grã-Bretanha, Grão-Pará, trás-os-Montes.
Exceções: Guiné-Bissau, belo-horizontino, matogrossense-do-sul.
Nos compostos referentes às espécies botânicas, zoológicas e afins, com ou sem preposição. Exemplo: abóbora-menina, bem-me-quer, couve-flor, erva-doce, feijão-verde, etc.
Usa-se hífen nos prefixos, quando o 1º elemento terminar por vogal igual ao 2º elemento inicial. Exemplo: anti-ibérico, arqui-inteligente, auto-observação, contra-almirante, eletro-ótica, semi-interno, sobre-estimar. Incluem neste caso os prefixos e elementos antepositivos terminados por vogal: euro-, agro-, albi-, alfa-, ante-, anti-, arqui-, auto-, bi-, beta-, bio-, infra-, isso-, poli-, pseudo-, Antero-, ínfero-, intero-, postero-, supero-, neuro-, orto-.
Mas, cuidado! Atente para os prefixos: co-, pro-, pre-, re-, pois estes se juntam sem hífen, mesmo que o 2º elemento inicie por o ou e. Exemplo: coautor, coedição, proconsul, preeleito, reeleito.
Se o 1º elemento terminar por consoante igual à iniciada pelo 2º, usa-se hífen. Exemplo: ad-digital, hiper-requintado, sub-barrocal.
Se o 1º elemento terminar com acento gráfico, usa-se hífen: pré-, pós-, pró-. Exemplo: pré-história, pós-graduado, pró-ativo.
Se o 1º elemento terminar com m, n, e o 2º começar por vogal, h, m, n, usa-se o hífen: Exemplo: circum-escolar, pan-africano, pan-mágico, pan-negritude.
Se o 1º elemento for um dos prefixos, ex-, soto-, sota-, vice-, viza-. Exemplo: ex-almirante, sota-almirante, soto-pôr, vice-reitor.
Se o 1º elemento terminar por vogal, sob, sub, e os prefixos terminados em r (hiper, super e inter), e o 2º se iniciar por h, usa-se hífen. Exemplo: adena-hipófise, bio-histórico, deca-hidratado, poli-hidrite sub-humano, super-homem.
Se o 1º elemento terminar por b (ab, ob, sob, sub), d (ad) e o 2º começar por b e r, usa-se hífen. Exemplo: ad-renal, ab-rupto, sub-reitor, sub-bar, sub-bélico, etc.
Exceções: adrenalina, adrenalite, e ab-rupto preferível abrupto.
Usa-se hífen nos sufixos somente nos vocábulos terminados por sufixos de origem tupiguarani: -açu, -guaçu, -mirim, nos casos em que o 1º elemento terminar com vogal acentuada ou a pronúncia requer diferença gráfica dos dois elementos. Exemplo: amoré-guaçu, anafá-mirim, andá-açu, capim-açu, ceará-mirim.

Não haverá hífen:

Não se usará hífen nos prefixos des-, in-, nos casos que o 2º elemento perde o h inicial. Exemplo: desumano, desumidificar, inábil, inumano.
Nas locuções: substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas e conjuncionais, não se usa hífen, exceto alguns usos já consagrados, como: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.
Locuções substantivas sem hífen: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar, pau a pique, boca de fogo, etc.
Locuções adjetivas sem hífen: cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho, à toa, etc.
Locuções pronominais sem hífen: cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que seja.
Locuções adverbiais sem hífen: à parte, à vontade, em cima, de mais, tão somente, etc.
Locuções prepositivas sem hífen: abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, etc.
Locuções conjuncionais sem hífen: a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que, etc.
Nos casos em que o 1º elemento termina por vogal e o 2º inicia por r ou s, deve-se duplicar essas consoantes. Exemplo: antessala, antirreligioso, contrarregra, cosseno, minissaia.

Com esse acordo, serão resolvidas as diferenças ortográficas que existe entre o português do Brasil e o de Portugal, em aproximadamente 98%. As alterações da unificação na forma escrita serão de 1,6% em Portugal e 0,5% no Brasil, além de Brasil e Portugal, mais cinco países da África adotarão as mudanças. Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Compondo uma comunidade de mais ou menos 200 milhões de pessoas nos três continentes que tem como língua oficial o português. 

Segue alguns links para quem quiser se aprofundar melhor no assunto:

Portal da Língua Portuguesa

Wikipedia

Academia Brasileira de Letras

Comissão de Língua Portuguesa

Diário Oficial da União

MINUTA DE DECRETO

Referências:

CUNHA, C. Nova gramática do português contemporâneo / CELSO CUNHA & LUÍS F. LINDLY CINTRA, 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

Dicionário escolar da língua portuguesa / Academia Brasileira de Letras, 2 ed. São Paulo: Companhia Editorial nacional, 2008.

MEC se prepara para a unificação ortográfica da língua portuguesa. Disponível em: ˂portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=8276˃. Acesso em: 29 dezembro 2011.

RYAN, M. A. Conjugação dos verbos em português, 17 ed. São Paulo, Ática, 2007.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral, 27 ed. São Paulo: Cultrix, 2006.



[1] quando o acento tônico recai na última sílaba. Exemplo: material, ca.
[2] quando o acento recai na penúltima sílaba. Exemplo: barro, poderoso.
[3] é o encontro de uma vogal + uma semivogal ou uma semivogal + uma vogal na mesma sílaba. Exemplo: qual.
[4] é o encontro de duas vogais que se separam. Exemplo: ps – pa-ís.
[5] são as que tem a vogal tônica, com ou sem acento gráfico, no radical do verbo: bebo, vinho, etc
[6] quando o acento tônico recai na antepenúltima sílaba. Exemplo: lida, felissimo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A NATUREZA PEDE SOCORRO

Por Alexandre P Bitencourt



Quarta-feira 15 de junho de 2011 – de repente um cisne para no meio da pista, na frente de um caminhão em uma movimentada estrada de Londres, e ainda o que mais chama atenção é o fato dele ter escolhido para justamente na frente do caminhão que é bem maior do que os demais veículos que passavam no mesmo momento naquela mesma estrada. Em um gesto como que de desespero, levanta a cabeça e abre suas asas, fazendo alusão (embora de maneira inconsciente) à PAZ. É como se ele estivesse em nome da natureza, fazendo um pedido de socorro, pois esta já não suporta mais tantos atos destrutivos causados pela intervenção egoísta dos homens, que para viver “bem” é capaz de criar situações de vida de maneira, às vezes, baseado apenas em satisfazer o seu ego. Não se importando com nada e nem com ninguém, tudo em nome do capitalismo selvagem, (o que não quer dizer que seja todo capitalismo) que está apenas a serviço do lucro a qualquer custo, e com isso, vende uma falsa ideia de bem estar social.

As ações humanas em relação à natureza têm gerado cada vez mais enormes preocupações àqueles que ainda tem viva em si, a consciência de que necessita dela para continuar existindo. É mais do que urgente a necessidade de começarmos uma profunda reflexão sobre qual modo de vida pretendemos ter, precisamos de uma vez por toda, assumirmos um enfrentamento em relação às drásticas atitudes que tanto governantes como uma enorme parte da sociedade vem tomando frente ao atual estado de degradação e calamidade a qual se encontra o meio ambiente, como, por exemplo, a falta de cuidado com os rios que ainda tentam sobreviver, com as poucas florestas que ainda restam e com algumas espécies que, infelizmente, a única forma de continuar existindo tem sido o confinamento em zoológicos. Ou tomamos medidas sérias, no sentido de atenuar os danos causados por nossa incompetência, ou, infelizmente estaremos colocando a sobrevivência de gerações futuras em dúvida.

Se nada for feito em um curto espaço de tempo, ficaremos apenas assistindo a nossa própria destruição, e ainda com mais um agravante de não se quer pleitearmos a nossa inocência, uma vez que a natureza tem dado vários sinais de que a forma como ela vem sendo conduzida pelo homem não é das melhores. Pequenos gestos de mudança de comportamento de nossa parte faz uma enorme diferença em nosso relacionamento com a natureza, infelizmente, ao andar pelas ruas e estradas é comum vermos pessoas jogarem objetos de dentro de seus carros, como, garrafas d'água, latas de cerveja ou refrigerantes e etc. Com atitudes como essas, além do sujeito está contribuindo com a poluição do meio ambiente, ele ainda pode ser um agente direto de graves acidentes.


Bom, o cisne fez a parte dele, e você o que tem feito? Quais medidas você tomará doravante, no sentido de mudar o seu comportamento em relação ao meio ambiente? Como cidadãos devemos ser críticos de nossa consciência, fazer aquilo que está ao nosso alcance, inclusive cobrar do poder público o cumprimento das responsabilidades as quais lhes são atribuídas por ofício de mandato. 


Referências:


http://noticias.uol.com.br/tabloide/ultimas-noticias/tabloideanas/2011/06/15/cisne-para-diante-de-caminhao-e-imita-cena-do-massacre-da-praca-da-paz-celestial.htm

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

COMO É DIFÍCIL SE EXPRESSAR POR MEIO DA ESCRITA

Por Alexandre P Bitencourt

Certo dia tive que acompanhar minha esposa ao posto de saúde, pois a mesma estava com uma dor que segundo ela a incomodava bastante. Ao chegar, percebi que haviam muitos lugares próximo ao balcão de atendimento para fazer a ficha, mas quase todos estavam ocupados, sena corriqueira às pessoas que dependem de atendimento em algum estabelecimento público de saúde. Logo minha esposa foi atendida no balcão onde é feito a ficha, e então, ocupamos os últimos lugares que restavam. Dali em diante quem chegasse precisava encosta-se de pé na parede, pois já não haviam mais lugares vazio.

O atendimento médico hoje em dia no sistema de saúde pública é análogo ao modelo de produção de uma fábrica, ou seja, o indivíduo entra na sala do médico que tem à sua mesa dezenas de outras fichas de pessoas que estão lá na sala de espera, umas se retorcem de dor outras se comovem com a dor do outro que parece ser maior que a sua, e também tem aqueles que são neutros e só querem ser atendidos, crianças choram. Enquanto isso eu estava de olho no aparelho que indicava o número da senha de minha esposa para ver em qual sala ela seria atendida, na expectativa de como seria o atendimento, como seria o médico que iria atendê-la.

Diante daquela tensão de esperar o momento em que minha esposa fosse atendida, deparei-me com uma sena não sei se jocosa, pelo desenrolar dos fatos, ou se triste pela duplicidade de humilhação que passaria aquele cidadão cuja aparência levou-me a acreditar que é um mero trabalhador que mantém em dia seus impostos. Em frente ao balcão de atendimento, um rapaz que aparentava estar com um pouco mais de trinta anos, reclamava ao atendente que tinha sido humilhado pelo médico que o atendeu, segundo o rapaz, o médico insinuou que ele estaria ali com a intenção de obter um atestado para faltar ao trabalho. O rapaz se mostrava muito indignado querendo ter garantido o seu direito de ser atendido com um mínimo de dignidade, suponho.

Depois de ter ouvido meio que com uma expressão de pouca hesitação, o atendente pega uma folha em branco e uma caneta, coloca-as em cima do balcão de atendimento e pede para o rapaz fazer por escrito a sua reclamação, é nesse momento que começa a angustia daquele moço, talvez aquilo seria pior do que a dor física que o levara àquele lugar. Não bastava a humilhação de ter sido mal atendido (por pertencer ao grupo da maioria da população brasileira, que precisa de atendimento público de saúde), agora via à sua frente aquela caneta em cima daquela folha de papel em branco. De repente o rapaz senta-se, pega a caneta, olha para o papel em branco, olha para um lado e para o outro, começa suar, sentindo dificuldade para se expressar por meio da escrita. Olho para ele, penso em pergunta-lo se está precisando de ajuda, paro, penso em como poderia reagir, pois até então eu era apenas um desconhecido, um intruso, com mero julgamento de que ele não sabia escrever, na verdade quanto mais o tempo passava mais a minha certeza se confirmava, a expressão dele não deixava nenhuma dúvida em mim, escrever para aquele moço era algo tão incomum que seria melhor dar razão ao médico.