quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A HUMANIDADE EM BUSCA DE UM LÍDER

Por Alexandre P Bitencourt

Quando se faz uma análise um pouco mais apurada sobre a história da humanidade, a respeito dos seus comportamentos, suas escolhas e decisões, das mais diversas gerações no decorrer dos tempos, tanto das mais remotas quanto das contemporâneas, fica perceptível que as pessoas são incapazes de se organizarem socialmente sem a presença de um tutor, ou seja, de um líder, que geralmente nas sociedades que tem como sistema político a democracia, a escolha desse líder, governante, se dar pela vontade da maioria. No entanto, a maioria, embora se auto titule como a vencedora, nem sempre faz as escolhas mais acertadas, por isso as minorias são constantemente esmagadas, pelas escolhas da maioria, bem como pela necessidade de aceitar e aprender a conviver com as desacertadas tomadas de decisões da maioria.

Desde tempos mais remotos pode-se perceber a incapacidade dos homens de se auto-governarem. No momento em que o povo se reúne para pedir a Deus um rei que governe sobre eles, Deus não hesita e nem questiona o porquê deles quererem um rei para governar sobre eles, até porque eles já não andavam mais segundo os mandamentos do Deus criador, então Deus manda Samuel ungi Saul como rei de Israel, isto é, Deus faz a vontade do povo. Basta ler o livro de I Samuel no Velho Testamento, para concluir-se que os povos não conseguem viver sem ser gerenciado por alguém, porém nem sempre esse líder, lidera segundo a vontade e necessidade do povo, pois Saul, o rei que tanto o povo de Israel pediu a Deus, conseguiu tornar o seu reinado num verdadeiro desastre. No Novo Testamento, nos quatro evangelhos percebe-se que Jesus morreu na cruz para libertar a humanidade de todo tipo de julgo, porém, a forma como as pessoas ainda adoram se prostrar debaixo do julgo de grandes líderes religiosos, é algo que excede os limites de qualquer tentativa de explicação.

Dos exemplos acima citados até os dias hodiernos, passaram-se várias gerações, diversos líderes já governaram em algum lugar, sobre uma determinada nação, povo, etnia, mas a relação destes com o povo é sempre determinada com base em um sistema de governo linear, ou seja, onde o líder é aquele indivíduo que tem para si mesmo, o poder, enquanto que os povos estão sempre condicionados aos seus desmandos, entretanto, o que causa estranheza é o fato desses povos não conseguirem se libertar de tais julgo. Quando os grandes líderes governam por meio de um sistema político ditatorial, a situação ainda é mais agravante, pois o sujeito governa por meio do autoritarismo totalitário, e parece que o povo acaba se acostumado com as arbitrariedades desses regimes, uma vez que sendo a maioria, o seu poder de força parece se ofuscar diante das atrocidades cometidas por esses parasitas do poder, adquirido a qualquer preço. Como exemplo, temos nações que mantém a força como forma de governo, umas de maneiras mais consistentes outras um pouco mais atenuante, mas a população desses países parecem que estão anestesiados, pois não conseguem se mobilizar diante de uma situação que para as pessoas que vivem em países ditos “democráticos”, é no mínimo estranha.

E por fim, vimos com perplexidade nas últimas manifestações no Brasil, um grupo considerável de manifestantes que saíram às ruas de algumas capitais, para pedir o fim das corrupções entre outras, e para que isso ocorresse, clamavam pela volta da força militar, como se fosse possível resolver a violência com mais violência, isso é, sem dúvida desastroso. Que os desdobramentos políticos dos últimos anos em nosso país não são os dos melhores, é notório a todos aqueles que conseguem fazer uma leitura um pouco mais reflexiva, a respeito do que tem ocorrido há tempos, agora o sujeito gritar pelo retorno do regime militar, é de uma irracionalidade sem precedentes, é uma tomada de decisão no mínimo perigosa e assustadora, é incompreensivo para quem ainda tem capacidade de fazer uma leitura racional dos anos que perduraram o regime militar no Brasil. Nesse sentido, não há nada que justifique esses gritos, que devem ter partido de um determinado grupo de pessoas que como a maioria da população não tem autonomia para resolver questões de cunho social por meio do diálogo, sem o uso da força, e geralmente essa força é institucionalizada, representada por alguém, com ou sem o aval do povo para fazer uso do poder contra o povo, em nome da ordem nacional. Triste humanidade!

2 comentários:

  1. Infelizmente o descontentamento com o atual regime e o desconhecimento do que realmente vem a ser um regime militar geram esses repentes.

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  2. Pois é Raquel, realmente são pessoas alheias ao que significa mesmo o regime militar, mas, vai entender. Tem uma frase do Rui Barbosa que eu gosto muito, que diz o seguinte: "O que, no mudar, se quer, é que se não mude para trás, nem do bem para o mal, ou do mal a pior".

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