sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Eita! Enem sem porteira

Por Reinaldo Santos

Será que é o ponto de vista que faz o objeto, ou o objeto que faz o ponto de vista? Reflexões que necessitam de um Whisky para acompanhar.  No século passado, sim sou de 1900. Em 1998, foi criada uma prova para avaliar o ensino e aprendizagem dos alunos concluintes do ensino médio, Enem.

Durante onze anos, essa prova, passou despercebida, pelo calendário estudantil, afinal era enfadonha e não contribuía para nenhum vestibular, coisas de uma sociedade utilitarista, se não tem utilidade não serve. Mas o mais interessante não era a prova, mas sim o resultado dela, todo ano tinha as “10 mais do Enem” ou “pérolas do Enem”, erros de português que era compartilhado pela rede social finado, ORKUT. Erros grassos evidenciando que evidenciava agonizante educação tupiniquim.  

Tentativas para tira-la (a prova) do ostracismo não faltaram dentre as quais destaco o famoso “1 ponto da Fuvest”, para os melhores alunos, o famoso Nerd, os pontos do Enem geram um ponto a mais no vestibular da USP e Unicamp, mas o que é um ponto para quem precisa de cem?

Nada abalava a comoção nacional em compartilhar "as 10 mais do enem" ou suas pérolas.

Em 2009, ano de mudanças, O ENEM, tornou-se a porta de entrada às UNIVERSIDADES FEDERAIS, ou seja, passou de uma prova de diagnostico estudantil para ser vestibular. Então, aquele o patinho feio, transforma-se em belo cisne, mudando assim as regras a burguesia estudantil, né legal, estruturas sociais consolidadas como as técnicas de redação na tipologia dissertativa, como a ser questionada pelo do sistema de lucro educativo nacional, apoiado é claro, mídia.  

As redações que em anos anteriores eram compartilhadas em perolas, afinal quem as escreviam eram os estudantes concluintes do ensino médio de escolas públicas, que carrega a sina de não saber escrever. Agora, o exame é de fundamental importância para o ingresso no mundo acadêmico, também para os filhos dos donos do poder, enfim uma etapa de vida. Mas temos um pequeno problema, as correções das provas, as quais não avaliam a estrutura da prova, mas sim a competência do aluno em escrever, sinal de perigo. Como um aluno que estudou nas melhores escolas está sendo julgado por critérios diferentes do estabelecido nos manuais de redação, esses elaborados pela burguesia, para a burguesia.

Antigamente, no século passado, as produções textuais eram avaliadas de acordo com as habilidades linguísticas dos candidatos, isso dava a prova critérios mais justos de correção, se é que o vestibular é justo, Ah! Vale lembrar, que o objetivo inicial do Enem era avaliar estudantes de escolas públicas, os critérios da banca examinadora eram descritivos e não normativos. Trocando em miúdos, levava-se em consideração a coesão e coerência argumentativa do candidato e não se ele escrevia "casa” ou “caza".

Mas, sempre tem uma adversativa para complicar as coisas, isso causava certo mal estar na classe dominante, afinal os filhos da elite, que também estava prestando O vestibular de medicina. Os meninos que aprenderam a escrever uma dissertação com o manual debaixo do braço, típico sovaco culto, estava concorrendo com o candidato que frequentara as carteiras públicas, nas quais estudava da maneira que dava. Hum, isso não poderia acontecer.

Como em terra de saci uma calça serve para dois, a mídia influenciou a opinião pública, formada nos bancos quebrados das unidades públicas de ensino que a correção da prova federal estava errada, afinal o que é certo e certo! Para que explicar um fenômeno que é conhecido por todos, vamos escrever casa com /s/, mesmo que esse vocábulo não tenha sentido na frase, mas está com a ortografia perfeita. Assim a disputa por uma vaga na cadeira de medicina não será mais equitativa. Cada um em seu devido lugar, como prega os bons costumes. Mas ainda há um probleminha, afinal como manter a hegemonia excludente sem impactar a opinião pública?

Desprestigiando a correção!

Nada como as pérolas do Enem para motivar ou induzir a opinião alheia até que enfim no ano de 2014 temos 530 mil alunos com zero, Ufa! Agora sim está correto!

Nada como um "Escola para todos" para acalmar o povo, entretanto é no dia a dia, no face to face, que a exclusão, rola solta. Caba não mundão, nóis que é gargalhar com as bravatas do discurso.

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