segunda-feira, 27 de abril de 2015

Advogada do Sr. Amor

Por Luiza Furlan

Caro Sr. Amor,

Acredito bastante na eficiência da justiça. E fico honrada em ter-me escolhido para lhe representar nessa causa. É uma causa difícil de ser ganha, eu entendo, porém, posso lhe assegurar que está em boas mãos.

Entendo que há muita injustiça contra o senhor. Muitos lhe apedrejando, sem nem sequer entender sua situação. E não consigo entender o motivo de tanta perseguição ao senhor, visto que só tem o bem a oferecer ao seu redor. Sei que passa por muitas acusações horrendas, e tem todo o direito e dever de procurar uma defesa. Por essa razão, procuro defendê-lo de maneira limpa, mas totalmente eficiente.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O ESPELHO DA INFÂNCIA

Por Fernando Rocha

As emoções que fazem parte da nossa essência não mudam.
São encobertas, mas grandes sentimentos independem do tempo.
São sempre agora; nada sabem do futuro nem do passado. 
Jakob Needleman

Se a polêmica sobre a existência de uma literatura feita, exclusivamente, para crianças e adolescentes é discutida há muito tempo, como enfocar os autores nesta tal problemática? Pois como as aulas de ciência nos ensinaram, a cegonha não existe, papai e mamãe acasalam, e o pior, talvez não tenham tido o intuito da procriação (você pode ter sido fruto de um vacilo). Assim autores que escrevem ou escreveram literatura adulta já foram crianças.

Manuel Bandeira depois de adulto identificou na emoção particular que fez nascer um poema, a mesma sensação que sentiu em sua meninice, aos seis anos de idade, quando segundo o próprio foi encaminhado para o seu itinerário poético. Travou contato com figuras como Tomásia e outras que aparecem em sua obra. Neste período que se tornou mitológico para ele, como está escrito em O Itinerário de Pasárgada. Lembrando-se de uma terrível chuva que assolou a fazenda de seu avô, na qual viu uma carcaça de boi sendo arrastada, fato descrito e imaginado em Boi-morto, poema que integra seu Opus 10, lançado em 1952.

domingo, 19 de abril de 2015

ARBITRARIEDADE DO SUJEITO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Por Alexandre P Bitencourt

Que toda língua precisa de uma gramática para organizar o que uma determinada comunidade linguística vai falar ou escrever, em dada situação de uso entre os seus membros, até os mais desavisados concordam. Mas a questão que se coloca é como deve ser essa gramática, ou seja, ela deve ser um manual para dizer o que uma pessoa deve ou não falar e escrever, se é certo ou errado, como se houvesse certo e errado no ensino de língua, (o mais adequado nesse caso seria “aceitável ou não aceitável”) em determinado momento de uso dessa língua? Ou deve ser elaborada segundo a fala do povo que pertence a determinada comunidade linguística?

Se se escolher a primeira opção, que é ainda a mais utilizada, no tocante ao ensino de Língua Portuguesa, estaremos ensinando uma língua baseada em conceitos estáticos, apenas ensinando aos alunos a repetir regras, que dificilmente usarão em algum momento de sua vida social ou profissional. Como é o caso das orações subordinadas, que até mesmo quem estuda Letras, tem enorme dificuldade de fazer o reconhecimento, por exemplo, de uma oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo. Não é por menos, o nome em si, já assusta qualquer um, pior do que isso, é só a inutilidade de se decorar isso.

Assim como tudo, a gramática depende da relação de poder que está implicada sobre ela. Ninguém se assusta mais com o uso da consoante “n” no lugar de “d”, em palavras como, “falano”, “cantano”, “comeno”, “andano” e por ai vai falano a fora. Isso porque todo mundo fala assim, até mesmo os mais bem instruídos, os ditos “cultos”. Agora ouvir, construções como, “nós vai”, é para os puristas da língua portuguesa, principalmente, os que não estudam e nunca leram sequer um artigo de um linguista, que se dedica ao estudo das línguas, o mesmo que assassinar a língua portuguesa.

Como o primeiro exemplo citado acima é usado por pessoas com um grau de instrução elevado, o seu uso não causa estranheza a ninguém, agora já no segundo caso, que ainda é usado em sua maioria por pessoas que, como muitas por esse Brasil a afora, não tiveram a oportunidade de sequer frequentar o banco de uma sala de aula de uma escola básica, e muitos que até tiveram, no entanto são vítimas da ineficiência das escolas públicas desses nossos “brasis”. Isso muitas vezes, devido ao mal gerenciamento da verba pública, e ainda pior, em muitos casos, são mesmo desviados para fins alheios à educação. Então se a pessoa usa construção como a segunda citada acima, que de acordo com a sintaxe da língua portuguesa não há problema nenhum, pois existe, sujeito e verbo, e todo falante nativo da língua portuguesa compreende, a pessoa sofre preconceito, é taxada como ignorante, assassinador da língua portuguesa, e por ai vai sendo adjetivado negativamente pelos “cultos” da língua portuguesa.

A meu ver, uma gramática, além de ter que ser elaborada, baseada no que seus falantes falam, deve ser optado por se usar a lei do menos esforço. No caso de palavra como, “falano”, que além de ter uma letra a menos, permite-nos menos esforço, do que se falar a palavra “falando”, que tem uma letra a mais. Para quem tem o costume de usar, por exemplo, o Twitter, é vantagem, pois o fato de ter um caractere a menos pode possibilitar ao usuário, articular melhor suas ideias. E no caso da construção, “nós vai”, o usuário ganharia dois caracteres a mais para poder usar em outra palavra, já para o falante o esforço é menor do que ter que falar “nós vamos”, como manda nossa gramática, pois segundo nossa gramática, o verbo tem que concordar com o sujeito, isso acontece porque na língua portuguesa o sujeito é arbitrário, e se pensarmos que os gramáticos são sujeitos, se justifica a involução de regras ultrapassadas, como, no caso do uso do, “para eu” e “para mim”, dentre outros. Caso que não ocorre, por exemplo, na língua inglesa, pois a pessoa não precisa flexionar o verbo caso aumente o sujeito. Nesse caso posso dizer em Inglês: “I speak” “eu falo”, “We/you/they speak” “nós/vocês/eles-elas falam”, sem precisar flexionar o verbo. Exceção de, “He/she/it speaks” “ele/ela/ele-ela fala”, que nesse caso não deve ser confundido com flexão do verbo, mas sim, porque em Inglês em enunciados negativos e interrogativos se usa o auxiliar “do e does” para os pronomes “He, She e It”, como, He/she/it doens’t speak e Does he/she/it speak? Já o enunciado afirmativo dispensa o auxiliar e o verbo recebe o “s”, nos pronomes “he/she/it”.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

FALTA DE ESPAÇOS DE LAZER E CULTURA NA PERIFERIA

Por Alexandre P Bitencourt

É notório a falta de espaços culturais, educativos, esportivos, de lazer e de entretenimento destinados às pessoas, que nascem e vivem, principalmente, nas periferias das grandes cidades. Andar por ruas e avenidas dessas cidades é deparar-se, a todo o momento com o caos, a cada dia não é difícil, até àqueles que não tem o costume de fazer uma leitura um pouco mais crítica, sobre o descaso do puder público, em relação às pessoas que precisam viver nessas regiões, perceber-se o engessamento constante de carros nas ruas e avenidas, o aumento de pessoas, devido ao alto custo dos grandes centros, que dessa forma, inviabiliza que pessoas com um poder aquisitivo menor vivam em áreas dos centros.

Viver na periferia é culturalmente falando ao mesmo tempo ser e não apropriar-se, ser pessoa, mas enquanto pessoa, na sua maioria esmagadora, não há apropriação da cultura que é pouco produzida nesses rincões, dada a inexistência de espaços voltados à produção e difusão de algumas manifestações culturais que poucos ainda insistem em produzir.

Com isso torna a vida das pessoas vulneráveis, pois o único ambiente que se encontra em enorme quantidade, são bares, mas da pior qualidade que se pode imaginar, apenas voltados à embriaguez de quem os frequentam, mais conhecidos mesmo como botecos. Com essa falta de opção os jovens, infelizmente, são os mais propensos à ilicitude, haja vista que os mesmos não têm com que ocupar o seu tempo ocioso, não há atividades e muito menos ambientes propícios, onde eles possam desenvolver suas habilidades, no sentido de criar uma identidade enquanto ser.

É nesse sentido, que os jovens são de todos, os que mais têm sido abandonados, jogados à sua própria sorte, a escola que deveria ser um fator de peso para o preenchimento desse espaço vazio, vive em um tremendo complexo de representatividade, tem se apresentado mais como um espaço violento aos jovens, desde seus prédios físicos, que mais parece verdadeiros presídios, com suas construções arcaicas, que por si só já é um convite ao emburrecimento de qualquer ser, passando por a dinâmica do seu funcionamento, que requer pessoas com um olhar mais atento à realidade. Que, às vezes, parece não querer compreender os vários fatores discursivos e de poder e suas implicações.

Levantar uma bandeira em prol de causas como essas relacionadas acima, parece algo como, bobagem de quem não tem o que fazer, pois há causas mais importantes, como a erradicação da fome, o fim do analfabetismo, e agora surge outro, que é o analfabetismo funcional. Sem dúvida, que esses são mais urgentes, no entanto como disse Jesus Cristo: “nem só de pão vive o homem”, ou seja, resolver-se problemas da fome, todo mundo que pensa concorda que é mais urgente, mas isso não nos dar o direito de ausentarmos, em relação aos nossos jovens, isto é, deixá-los jogados a própria sorte. Ou cobramos providências do poder público, no tocante ao que diz respeito a criação e manutenção de ambientes culturais, onde os jovens possam se sentir protagonistas de si, ou continuaremos assistindo a triste e silenciosa dizimação cada vez mais cedo, de jovens e crianças que moram em áreas de grande vulnerabilidade, e não tem como e nem com o que gastar seu tempo de ociosidade, pois muitos ainda nascem e crescem sem ao menos ter a oportunidade de conhecer pelo menos o centro da cidade a qual moram.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

INTERESSE COLETIVO VERSUS O INDIVIDUAL

Por Alexandre P Bitencourt


Andar por ruas, principalmente das grandes cidades, não é incomum deparar-nos com pessoas descartando, descaradamente, sem nenhum pudor, alguma embalagem de algum produto, após ter saciado a sua fome, em locais nem sempre apropriados, como se isso fosse algo completamente normal, dado o fato de que esse sujeito, caso fosse abordado por alguém, certamente se justificaria, como se houvesse justificativa para algo injustificável, com a premissa de que alguém é pago para fazer a limpeza. Ou seja, faz isso para garantir a empregabilidade do outro, afinal somos e estamos em uma sociedade plural, nesse sentido devemos ser mais altruístas e menos egocêntricos, ou não?

Bom, verdadeiramente, não entra em questão a proposição de ser ou não ser, pois se continuarmos com essa discussão, decerto, continuaremos perdidos.

Certo dia passava por uma avenida da periferia de São Paulo, de repente ao olhar para a calçada, deparei-me com uma cena, digamos, adequada para as regras da boa convivência, infelizmente, é uma cena não muito comum, quando acontece podemos classificá-la como um caso isolado, se comparado com a dimensão dos casos ao contrário. Vi uma senhora parada pôr a mão no seu bolso e retirar uma sacola plástica, se agachou e pegou o cocô de seu cachorro, fiquei embasbacado, pois na rua onde moro já flagrei vizinhos colocando o seu cachorrinho lindo, ou melhor o seu “filhinho” como muitas preferem, para fazer cocô em frente da minha casa e de outros vizinhos, complicado, né? Ou não?

Há duas questões básicas que perpassam essa tônica, que pode até não ser a solução para resolver esses empasses, mas na falta delas, piora.

Primeiro, não temos uma educação de qualidade, educação no sentido amplo do termo, não uma educação segundo a percepção do senso comum, como já escrevi em outro texto, publicado neste blog com o título, “Educação além do senso comum”, mas sim, uma educação que forme pessoas, ou seja, seres humanos capazes de compreender a sua própria história, a sua cultura, a cultura dos seus antepassados, e, ao mesmo tempo, construa mecanismos que viabilizem esperança de vida às futuras gerações.

Em segundo lugar existe a questão da ausência do estado enquanto provedor da ordem pública e do bem estar das pessoas. É difícil encontrarmos em vias públicas lugares que sejam específicos para o descarte de lixo, bem como também não há uma política pública por parte das prefeituras para disponibilizar pelo menos uma vez ao mês, caminhões para fazer a coleta de objetos, como sofás, guarda-roupas, entre outros, sendo assim, as pessoas sem terem onde jogar, acabam descartando em ambientes inadequados, como terrenos baldios, córregos, causando em época de chuvas, enormes desastres.

O fato é, somos uma sociedade plural sim, e vivemos em comunidades heterogêneas, no entanto somos seres individuas com preferências, atitudes, escolhas e gostos ímpares, o que com isso não nos garante muito menos nos dá o direito de tomar nossas decisões apenas voltadas para o preenchimento e satisfação do nosso ego, pois se continuarmos agindo como seres individuais, fazendo o que achamos certo para nós, tentando a qualquer custo, nos livrar daquilo que é inútil para nós, jogando para os outros, estaremos agindo como qualquer coisa, menos como seres humanos. O que nos torna humanos é o fato de pensarmos, quando deixamos de pensar, logo, não se é mais humano.

Enquanto seres pensantes devemos guiar o nosso pensamento, sobretudo ao interesse coletivo. Para isso, basta que cada um trate de recolher o seu cocô.