domingo, 19 de abril de 2015

A arbitrariedade do sujeito em língua portuguesa

Que toda língua precisa de uma gramática para organizar o que uma determinada comunidade linguística vai falar ou escrever, em dada situação de uso entre os seus membros, até os mais desavisados concordam. Mas a questão que se coloca é como deve ser essa gramática, ou seja, ela deve ser um manual para dizer o que uma pessoa deve ou não falar e escrever, se é certo ou errado, como se houvesse certo e errado no ensino de língua, (o mais adequado nesse caso seria “aceitável ou não aceitável”) em determinado momento de uso dessa língua? Ou deve ser elaborada segundo a fala do povo que pertence a determinada comunidade linguística?

Se se escolher a primeira opção, que é ainda a mais utilizada, no tocante ao ensino de Língua Portuguesa, estaremos ensinando uma língua baseada em conceitos estáticos, apenas ensinando aos alunos a repetir regras, que dificilmente usarão em algum momento de sua vida social ou profissional. Como é o caso das orações subordinadas, que até mesmo quem estuda Letras, tem enorme dificuldade de fazer o reconhecimento, por exemplo, de uma oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo. Não é por menos, o nome em si, já assusta qualquer um, pior do que isso, é só a inutilidade de se decorar isso.

Assim como tudo, a gramática depende da relação de poder que está implicada sobre ela. Ninguém se assusta mais com o uso da consoante “n” no lugar de “d”, em palavras como, “falano”, “cantano”, “comeno”, “andano” e por ai vai falano a fora. Isso porque todo mundo fala assim, até mesmo os mais bem instruídos, os ditos “cultos”. Agora ouvir, construções como, “nós vai”, é para os puristas da língua portuguesa, principalmente, os que não estudam e nunca leram sequer um artigo de um linguista, que se dedica ao estudo das línguas, o mesmo que assassinar a língua portuguesa.

Como o primeiro exemplo citado acima é usado por pessoas com um grau de instrução elevado, o seu uso não causa estranheza a ninguém, agora já no segundo caso, que ainda é usado em sua maioria por pessoas que, como muitas por esse Brasil a afora, não tiveram a oportunidade de sequer frequentar o banco de uma sala de aula de uma escola básica, e muitos que até tiveram, no entanto são vítimas da ineficiência das escolas públicas desses nossos “brasis”. Isso muitas vezes, devido ao mal gerenciamento da verba pública, e ainda pior, em muitos casos, são mesmo desviados para fins alheios à educação. Então se a pessoa usa construção como a segunda citada acima, que de acordo com a sintaxe da língua portuguesa não há problema nenhum, pois existe, sujeito e verbo, e todo falante nativo da língua portuguesa compreende, a pessoa sofre preconceito, é taxada como ignorante, assassinador da língua portuguesa, e por ai vai sendo adjetivado negativamente pelos “cultos” da língua portuguesa.

A meu ver, uma gramática, além de ter que ser elaborada, baseada no que seus falantes falam, deve ser optado por se usar a lei do menos esforço. No caso de palavra como, “falano”, que além de ter uma letra a menos, permite-nos menos esforço, do que se falar a palavra “falando”, que tem uma letra a mais. Para quem tem o costume de usar, por exemplo, o Twitter, é vantagem, pois o fato de ter um caractere a menos pode possibilitar ao usuário, articular melhor suas ideias. E no caso da construção, “nós vai”, o usuário ganharia dois caracteres a mais para poder usar em outra palavra, já para o falante o esforço é menor do que ter que falar “nós vamos”, como manda nossa gramática, pois segundo nossa gramática, o verbo tem que concordar com o sujeito, isso acontece porque na língua portuguesa o sujeito é arbitrário, e se pensarmos que os gramáticos são sujeitos, se justifica a involução de regras ultrapassadas, como, no caso do uso do, “para eu” e “para mim”, dentre outros. Caso que não ocorre, por exemplo, na língua inglesa, pois a pessoa não precisa flexionar o verbo caso aumente o sujeito. Nesse caso posso dizer em Inglês: “I speak” “eu falo”, “We/you/they speak” “nós/vocês/eles-elas falam”, sem precisar flexionar o verbo. Exceção de, “He/she/it speaks” “ele/ela/ele-ela fala”, que nesse caso não deve ser confundido com flexão do verbo, mas sim, porque em Inglês em enunciados negativos e interrogativos se usa o auxiliar “do e does” para os pronomes “He, She e It”, como, He/she/it doens’t speak e Does he/she/it speak? Já o enunciado afirmativo dispensa o auxiliar e o verbo recebe o “s”, nos pronomes “he/she/it”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário