segunda-feira, 13 de abril de 2015

A falta de espaços de lazer e cultura na periferia

É notório a falta de espaços culturais, educativos, esportivos, de lazer e de entretenimento destinados às pessoas, que nascem e vivem, principalmente, nas periferias das grandes cidades. Andar por ruas e avenidas dessas cidades é deparar-se, a todo o momento com o caos, a cada dia não é difícil, até àqueles que não tem o costume de fazer uma leitura um pouco mais crítica, sobre o descaso do puder público, em relação às pessoas que precisam viver nessas regiões, perceber-se o engessamento constante de carros nas ruas e avenidas, o aumento de pessoas, devido ao alto custo dos grandes centros, que dessa forma, inviabiliza que pessoas com um poder aquisitivo menor vivam em áreas dos centros.

Viver na periferia é culturalmente falando ao mesmo tempo ser e não apropriar-se, ser pessoa, mas enquanto pessoa, na sua maioria esmagadora, não há apropriação da cultura que é pouco produzida nesses rincões, dada a inexistência de espaços voltados à produção e difusão de algumas manifestações culturais que poucos ainda insistem em produzir.

Com isso torna a vida das pessoas vulneráveis, pois o único ambiente que se encontra em enorme quantidade, são bares, mas da pior qualidade que se pode imaginar, apenas voltados à embriaguez de quem os frequentam, mais conhecidos mesmo como botecos. Com essa falta de opção os jovens, infelizmente, são os mais propensos à ilicitude, haja vista que os mesmos não têm com que ocupar o seu tempo ocioso, não há atividades e muito menos ambientes propícios, onde eles possam desenvolver suas habilidades, no sentido de criar uma identidade enquanto ser.

É nesse sentido, que os jovens são de todos, os que mais têm sido abandonados, jogados à sua própria sorte, a escola que deveria ser um fator de peso para o preenchimento desse espaço vazio, vive em um tremendo complexo de representatividade, tem se apresentado mais como um espaço violento aos jovens, desde seus prédios físicos, que mais parece verdadeiros presídios, com suas construções arcaicas, que por si só já é um convite ao emburrecimento de qualquer ser, passando por a dinâmica do seu funcionamento, que requer pessoas com um olhar mais atento à realidade. Que, às vezes, parece não querer compreender os vários fatores discursivos e de poder e suas implicações.

Levantar uma bandeira em prol de causas como essas relacionadas acima, parece algo como, bobagem de quem não tem o que fazer, pois há causas mais importantes, como a erradicação da fome, o fim do analfabetismo, e agora surge outro, que é o analfabetismo funcional. Sem dúvida, que esses são mais urgentes, no entanto como disse Jesus Cristo: “nem só de pão vive o homem”, ou seja, resolver-se problemas da fome, todo mundo que pensa concorda que é mais urgente, mas isso não nos dar o direito de ausentarmos, em relação aos nossos jovens, isto é, deixá-los jogados a própria sorte. Ou cobramos providências do poder público, no tocante ao que diz respeito a criação e manutenção de ambientes culturais, onde os jovens possam se sentir protagonistas de si, ou continuaremos assistindo a triste e silenciosa dizimação cada vez mais cedo, de jovens e crianças que moram em áreas de grande vulnerabilidade, e não tem como e nem com o que gastar seu tempo de ociosidade, pois muitos ainda nascem e crescem sem ao menos ter a oportunidade de conhecer pelo menos o centro da cidade a qual moram.

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