quinta-feira, 28 de maio de 2015

ADEUS PROFESSOR, ADEUS PROFESSORA? novas exigências educacionais e profissão docente

JOSÉ CARLOS LIBÂNEO é doutor em Filosofia e História pela PUC-SP. Atualmente é professor titular da Universidade Católica de Goiás, atuando no Programa de Pós-Graduação em Educação, na Linha de Pesquisa Teorias da Educação e Processos Pedagógicos. Em Goiânia, desde 1973, exerceu funções na Secretaria Estadual, onde fundou e dirigiu por três anos o Centro de Formação de Professores. Escreveu seis livros e é também coautor em treze livros, pesquisa e publica artigos em revistas especializadas.

Este livro foi elaborado a partir de três textos que Libâneo escreveu para conferências, são três capítulos, onde ele discute com uma linguagem completamente didática e objetiva, a necessidade tanto da escola, quanto do professor estarem atentos às novas exigências contemporâneas. Valoriza também a escola que continua desempenhando um papel importante na formação e socialização do cidadão, bem como a nobilitação do professor, no entanto, é um livro destinado a professores, educadores e especialistas da educação de um modo geral.

Primeiro capítulo: Profissão professou ou adeus professor, adeus professora? Exigências educacionais e profissão docente. Libâneo coloca em questão neste primeiro capítulo várias interrogações ligadas ao fato de que com a asserção das novas tecnologias e comunicação, agregados a uma sociedade dita pós-industrial, muitos acreditavam que seria extinta a necessidade de continuar por muito tempo com a profissão de docente. No entanto, no decorrer do capítulo ele mostra essa preocupação por parte de muitos como um mito, ou seja, na medida em que vão surgindo novas tecnologias, a escola amplia sua participação na formação do cidadão, que vai usufruir tais mudanças. O professor tem seu papel relevante nesse novo paradigma escolar, porém com outras perspectivas de ensino, isto é, ele deve assumir uma postura voltada para o aprender a aprender e não como detentor do saber.

Sobretudo, o professor precisa se adequar às novas exigências profissionais, e entender o aluno não apenas como mero espectador do saber do professor, mas sim, como um grande conhecedor, mormente das novas tecnologias, quando chega à escola. Então nesse viés o docente precisa assumir uma perspectiva voltada a desempenhar o papel de mediador diante de um aluno que já chega à escola repleto de conhecimentos, ou seja, urge neste novo contexto de transformação da aprendizagem a necessidade que o professor repense suas atitudes educacionais em sala de aula, como um dos principais fatores de sobrevivência de sua própria carreira, perante uma mundialização econômica e de uma sociedade cada vez mais heterogênea, multifacetada e exigente.

Segundo capítulo: As novas tecnologias da comunicação e informação, a escola e os professores. Libâneo nesse capítulo nos leva a refletir a respeito da importância de não confundirmos comunicação com educação, uma vez que ambas andam juntas, mas cada uma tem sua função. É importante ressaltar que segundo o autor, as práticas educativas não estão fechadas apenas à escola, há várias outras formas de se pensar a educação, ou seja, todos os trabalhos ligados à questão pedagógica, devem ser vistos como mentores da propagação educativa, bem como todos aqueles que estão envolvidos com essas questões.

No processo de globalização emana um novo paradigma escolar no qual está atrelado à questão da requalificação profissional em um mercado completamente competitivo e exigente de mão de obra cada vez mais bem qualificada e apta para a demanda de mercado, no âmbito desses acontecimentos cria-se um discurso ilusório que a educação pode ser completa apenas entre o aluno diante de uma máquina tecno-informacional, e que a escola convencional perderia seu espaço para as novas tecnologias, no entanto a escola ainda tem o seu papel fundamental, não apenas na questão sociopolítica, mas porque ela cumpre uma função importante na sociedade que não cabe a nenhum outro órgão, que é a socialização no que diz respeito ao domínio de ensinar a ler e escrever.

Por isso, a escola hoje precisa ser entendida em um espaço sintetizado, onde os alunos tenham a oportunidade de aprender de maneira crítica, a articular informações recebidas pelos meios de comunicação midiáticas. Porém, o verdadeiro pedagogo segundo Libâneo é aquele que entende a formação cultual básica como coluna da formação tecnológica, é saber usar as novas mídias e tecnologias de comunicação como fator relevante e indispensável para a aprendizagem, saber induzir o aluno para uma leitura crítica e reflexiva, principalmente para os meios de comunicação ligadas às mídias televisivas.

Terceiro capítulo: Sobre qualidade de ensino e sistema de formação inicial e continuada de professores. Fica evidente a necessidade cada vez maior devido a uma avassaladora proliferação mundial nos meios de comunicação e tecnologias, aliadas aos ajustes de uma política neoliberal e um ensino que pode ser entendido dentro de um contexto de aprendizagem como neotecnicista, que o professorado se adeque a um sistema de formação que esteja atrelado a uma realidade transformadora, haja vista que a escola de hoje necessita para permanecer na ativa se enquadrar em um método de ensino que possa atender as exigências de uma formação voltada para as realidades contemporâneas, no que diz respeito tanto da capacitação do indivíduo para lidar com as novas tecnologias, quanto nas diversidades culturais.

Mas, “como ajudar os professores a se apropriarem da produção de pesquisa sobre educação e ensino? Como potencializar a competência cognitiva e profissional dos professores? ” São algumas das questões que Libâneo faz neste capítulo. E em resposta a essas questões o mesmo não hesita na necessidade tanto da escola como das instituições formadoras de professores estarem aptas a formarem sujeitos pensantes, isto é, sujeitos que sejam capazes de desenvolver suas capacidades básicas de pensar e ao mesmo tempo reagir em situações das mais diversas possíveis.

Por outro lado, vem à questão crucial do tema aqui abordado que é, sem dúvida, o problema da desvalorização profissional, pois esse tem sido um dos principais fatores responsáveis por afastar muitos da profissão, devido aos baixos salários, e as qualidades de trabalho inadequadas. Libâneo acredita que esses são alguns dos motivos que acabam de certa forma desencadeando a um desinteresse pela profissão, ou seja, falta profissionalismo e sem o mesmo é óbvio que não haverá profissão bem estruturada.

Referências

LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora?: novas exigências educacionais e profissão docente. 11 ed. São Paulo, Cortez, 2009. (Coleção Questões da Nossa Época; v. 67)

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