sexta-feira, 1 de maio de 2015

DA FICÇÃO À REALIDADE NUA E CRUA

Ao lermos o capitulo primeiro do Gênesis, que relata sobre a criação pode-se perceber que Deus após concluir todo o seu trabalho de criação, abençoou-os, e por ter criado o homem à sua imagem e semelhança, deu-lhe poder para dominar sobre os peixes, as aves, os animais e todos os seres moventes. Mas não satisfeito, o homem com todo o seu projeto destrutivo de tudo o que foi criado para ele poder se beneficiar e conviver harmonicamente, resolve ampliar o seu poder de dominação, estendendo a sua forma de domínio sobre o outro.

Em o livro Fahrenheit 451, Ray Bradbury usa uma sociedade fictícia, ambientada em uma cidade dos Estados Unidos para discorrer sobre questões relacionadas às tenções sociais e de classe aplacadas por meio da violência ou da repressão social. Esse romance é um relato da história de um bombeiro conhecido como, Montag que queimava livros, e em um determinado momento ele conhece Clarisse McClellan, uma jovem que cria nele uma certa inquietude sobre as coisas simples, como por exemplo, uma conversa entre amigos e ao mesmo tempo o indaga, a respeito do “porquê” das coisas. E um dos questionamentos de McClellan ao Mantag foi querer saber o porquê pelo qual ele queimava livros, se a função dos bombeiros é basicamente o oposto ao que ele estava fazendo.

A atividade desenvolvida por Montag é nada mais nada menos do que uma forma de controle do homem sobre o homem, e esse controle é exercido por aqueles que têm sobre si, o poder. Na verdade, Montag não estava fazendo o que ele queria, mas sim, cumprindo ordem, sobre pena se ser responsabilizado pelo não cumprimento daquilo que lhe era imposto.

A forma de dominação do homem sobre o outro é de uma violência sem precedentes, basta ver a maneira como é elaborada a distribuição de renda e de bens. Ou seja, sempre concentrada em torno de poucas famílias que detém o controle da distribuição do capital mundial.

Fazendo um passeio da ficção científica relatada por Bradbury em Fahrenheit 451, com a triste realidade a qual temos assistido em relação à educação hodiernamente, não é muito difícil se perceber que a forma de controle de poder, que recai sobre as massas reprimidas, continua firme e forte.

O que tem acontecido há tempos com a educação pública no Brasil, é motivo de desânimo e enorme tristeza àqueles que tem persistido, porque ainda acreditam que a educação é, se não a única, pelo menos um dos vieses mais eficientes para contribuir com a humanização do homem, isto é, com a maneira de relacionamentos e de melhor convivência entre as pessoas. A educação tem o poder de desembrutecer e dar liberdade ao ser humano, bem como de torná-lo mais colaborativo, e faz isso sem precisar fazer uso nem da força e nem da repressão.

Analogamente à ficção de Bradbury em Fahrenheit 451 tem sido o massacre sofrido pelos professores em todo país, de formas das mais diversas possíveis, como, desvalorização, falta de incentivo, baixos salários, enfim, vários fatores que, quando não impedem, dificultam o trabalho dos professores. Não bastasse todo esse ambiente desestimulante, os professores ainda são massacrados pela polícia, que de forma bruta e desigual, impedem violentamente eles de entrarem na casa que tem como nome, a casa do povo. E o mais chocante em todo esse ato de violência contra os professores, é ver que pessoas inescrupulosamente estão dentro da casa do povo, rindo e se divertindo com o aniquilamento do conhecimento. E isso é porque somos uma nação educadora, imagine se não fossemos. Nação educadora, onde professores da escola pública precisam fazer greve, porque governantes não respeitam os educadores, a meu ver, é no mínimo estranho. Enquanto isso, os filhos de quem tem dinheiro estão em “boas” escolas particulares, sendo abarrotados de conteúdo, e são esses que continuarão sendo donos do poder e domínio sobre as massas desfavorecidas.

Resumindo-se tudo isso, continuaremos perdidos. Pois aqui não é ficção, é a realidade nua e crua.

Um comentário:

  1. Já diria Belchior " A vida é diferente, a vida é muito pior..." Eu acreditei no anarquismo, mas o problema é que destruindo a sociedade como a conhecemos, ainda haverá humanos. Somos um povo que uniu duas características ruins: O consumismo da sociedade norte-americana e o ódio europeu. A educação não é e nunca foi levada à sério, pois aqui acreditamos que ter alguém dentro de uma instituição basta, mas raramente é questionado o que esta pessoa faz lá dentro. Nas greves o argumento mais comum levantado pelos pais e repetido exaustivamente pela mídia oficial é: Onde os pais vão deixar seus filhos para irem trabalhar? Fora isso, há uma crise que antecede a econômica, quase ninguém mais se enxerga como pobre, curiosamente, este sentimento se restringe aos bens materiais, já intelectualmente, a maior parte das pessoas defende a estética pobre, basta observamos que quando há uma conversa e alguém ousa sair do senso comum só um pouquinho, este(a) é descrito como um metido à besta. Os dois filmes que disputaram mais estatuetas no Oscar, neste ano, não foram exibidos na zona leste, mas por aqui, você pode comprar um celular de última geração.

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