quinta-feira, 7 de maio de 2015

Desverbalização de signos na escola

Umas das diferenças entre os estudos no campo da linguística e o da semiótica pode ser percebido no fato de que os estudiosos da área da linguística estão preocupados, no que diz respeito apenas aos signos linguísticos, ou seja, com o estudo dos signos verbais, com a palavra, com o estudo e desenvolvimento das línguas, sincrônica e anacronicamente. “Convém enfatizar que a Linguística detém-se somente na investigação científica da linguagem verbal humana” (PETTER, 2006, p. 17).  Enquanto que para os estudiosos da semiótica tudo é signo, isto é, não apenas as palavras são signos, mas as artes, o cinema, a literatura, o pensamento, etc. são signos, ou até mesmo qualquer ideia que surja da nossa imaginação, que na medida em que surge, logo outras ideias emanam em um movimento que gira em torno do infinito. “Qualquer coisa de qualquer espécie, imaginada, sonhada, sentida, experimentada, pensada, desejada... pode ser um signo, desde que esta “coisa” seja interpretada em função de fundamento que lhe é próprio, como estando no lugar de qualquer outra coisa” (SANTAELLA, 2008, p. 90).

No que se refere ao ambiente escolar, perpassam cotidianamente uma acentuada infinidade de signos verbais, e a presença deles na escola, a princípio, não causa nenhum problema, nem tão pouco é motivo de estranhamento, haja vista que a escola é um lugar onde há inter-relacionamentos de variadas pessoas, que diariamente compartilham, das mais diversas maneiras, distintos tipos de conhecimentos, sendo assim, cria-se constantemente a necessidade de comunicação por meio dos signos verbais em diversas ideologias, com situações de usos discursivos distintos.

O problema surge, a meu ver, na medida em que não há um movimento que enverede em busca da desverbalização dos signos, ficando esses apenas no campo das ideias. Nesse caso há pouca finalidade em determinados encontros dialéticos, sobremaneira porque na maioria dos casos não há uma transformação dos signos verbais em signos não verbais, ou seja, em ações que resultem na efetivação de situações em torno de causas relacionadas com a vida das pessoas de forma reais, concretas, que transcenda o campo da dialética abstrata e se transforme em melhorias para os alunos, seus pais e toda comunidade escolar a qual tal escola esteja inserida. Isso é muito comum também no discurso político, mormente em épocas de campanhas eleitorais, cuja maioria das promessas não excedem às palavras, após o pleito, se esvaziam sem se transformarem em ações.


Na medida em que se desverbaliza as ideias existentes e externalizadas, ou seja, quando se sai do restrito campo dos signos verbais, e se transforma ideias em realidade, possibilita-se ao outro, oportunidade de ascensão social, bem como deste poder sair da posição de passividade e de se sentir incluído, de se libertar do aprisionamento da falta de conhecimento, pois o conhecer dar asas à imaginação, à inovação, à criatividade, visto que é o conhecimento, o caminho mais viável de racionalização do ser humano, no sentido de uma manifestação pacífica de convivência com o outro, com o diferente. Mantendo sempre uma posição de respeito, de ética, de moralidade. Nesse sentido, penso que a escola pública precisa ser mais ousada, mas para isso há a necessidade de ser reinventada, reconhecer o seu fracasso, a sua falta de estímulo, pois a escola pública por ser a mais heterogênea, formada por pessoas das mais variadas classes sociais, ainda é uma instituição capaz de transformar vidas, mesmo com toda sua precariedade, devido ao descaso que tem enfrentado ultimamente, por falta de investimentos, de incentivo, bem como pelo desrespeito na efetivação das políticas públicas voltadas à educação.

Referências:

PETTER, Margarida. In. Introdução à Linguística. José Luiz Fiorin (org). 5. ed. São Paulo, Contexto, 2006.

SANTAELLA, Lucia. A teoria geral dos signos: como as linguagens significam as coisas. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

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