domingo, 28 de junho de 2015

CASAMENTO DE BRANCA DE NEVE

Em o Casamento de Branca de Neve, Monteiro Lobato narra a festa de Branca de Neve com o príncipe Codadade, cujos convidados são personagens das mais diferentes tradições, e a descrição da sua chegada é deveras uma demonstração do verdadeiro carnaval de fábulas que tem como princípio deleitar o leitor ao longo da narrativa. Lobato destaca especialmente a chegada dos personagens da mitologia grega, pois, a Grécia outrora foi palco de tempos mitológicos, isto é, antes de igualar-se aos demais países a Grécia era considerada a terra de origem da própria imaginação humana, da liberdade, da pureza, do imaginário, e do fabuloso. 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

CARTA PARA JAIR NAVES

Por Fernando Rocha

Caro Jair,

Não sei qual é a conspiração do tempo que nos empurra para dentro do mundo, permitindo que a nossa existência esteja no mesmo espaço ocupado por um artista que age como uma antena captadora de tudo aquilo que não pode ser nomeado e expressado pela maioria dos viventes distraídos e embrutecidos.

A rua é sempre o risco do desconhecido, quase sinônimo de desproteção, por isso bastam poucas palavras para não querer estar numa, além de ti, o filósofo Cioran já tinha me alertado sobre tal fato possibilitar a contemplação do apocalipse em curso.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O Planeta Fantástico (Fantastic Planet)

Por Paloma Rangel

Hipnotizante e psicodélico filme de animação que ganhou o Grand Prix de Cannes de 1973 e que é um marco na animação europeia. Conceito atemporal, uma trilha sonora maravilhosa e uma união perfeita do surreal com o real são os três pontos que fazem qualquer pessoa, que goste de refletir sobre os temas abordados, se apaixonar por esse filme.

No planeta Yagam vivem humanóides chamados de Oms, que são escravos (ou animais de estimação) dos Draggs, uma raça de gigantes com mais de dez metros de altura, olhos vermelhos e pele azul. O planeta é um lugar indefinido onde os homens parecem insetos aos olhos dos Draggs.

sábado, 6 de junho de 2015

A PERSPECTIVA UTÓPICA

Por George Gleydston

O Breve Século XX; assim intitulou inteligentemente o historiador inglês Eric Hobsbawn. Esse período marcado pela carnificina da Primeira e Segunda Guerra Mundial, ainda o Neocolonialismo. As superpotências disputaram barbaramente a partilha dos lucros, e o domínio sobre os povos mais fracos, subdesenvolvidos. A modernidade é fortemente abalizada pelo agravamento da desigualdade social, e da degradação do meio ambiente. Tudo é volátil, a relação humana não é mais tangível, ou seja, perde consistência e estabilidade. Partindo deste viés, efetivamente começam as mais densas transformações culturais, científicas, tecnológicas, econômicas, e políticas na sociedade institucionalizada, culminando no fenômeno da globalização. Surgem formas de governação regionais e internacionais que criam uma maior proximidade entre países de todo o mundo. Logo, temos o exponencial desenvolvimento das telecomunicações, e da internet que permitem um maior fluxo de informação, em escala global. O discricionário avanço das multinacionais que criam redes de produção e de consumo no mundo inteiro, e que são detentoras de um extraordinário poder econômico, político, e monopolista. Mas, a rápida expansão da globalização é assimétrica e manifesta-se de formas diferentes, em diversas regiões do mundo. Criando um fosso cada vez maior entre os países mais ricos e os mais pobres. A riqueza, o rendimento, os recursos, e o consumo concentram-se nas sociedades desenvolvidas, ao passo que a grande parte do mundo em via de desenvolvimento industrial tardio debate-se com uma colossal dívida externa, e com a fome crônica, também, doenças pandêmicas, etc. Além disso, o terceiro mundo convive com o aumento da violência urbana e rural, abandonando à míngua as forças produtivas.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

INDISSOCIABILIDADE ENTRE TEORIA E PRÁTICA

Assim como Ghedin (2002), eu também penso que teoria e prática precisam estar juntas uma complementando a outra, no sentido de dar mais notoriedade ao trabalho do professor, no entanto parece que nem sempre ambas estão atreladas, isto é, o que se percebe é que há um distanciamento na atividade docente entre teoria e prática. É comum não colocarmos em prática no dia a dia em sala de aula as teorias que estudamos, e um dos possíveis motivos para tal atitude, pode ser um reflexo de nossa formação, que infelizmente muitas vezes não nos dá uma visão mais ampla a respeito da prática de sala de aula, uma vez que ficamos presos em discursões sobre teorias e teóricos sem um aprofundamento mais amplo sobre às questões pedagógicas, ou seja, como realmente é o dia a dia de uma sala de aula, ficamos na superficialidade, já que não agregamos às nossas práticas docentes às teorias que aprendemos e/ou estudamos.

Outro fator desencadeador da dissociação de teoria e prática pode ser gerado pelo afastamento dos pesquisadores tanto dos professores atuantes como da realidade da sala de aula, provocando com isso certa descrença da maioria dos professores a respeito de tais teorias. Acredito que com tantas teorias que temos já está mais do que na hora de tanto os professores quanto os pesquisadores se unirem para tornar teoria e prática verdadeiramente indissociáveis. Falta também reflexão sobre nossas atividades pedagógicas, às vezes, não refletimos criticamente sobre o que fazemos para quem fazemos e porque fazemos, perdemos várias oportunidades de trocar informações com nossos colegas em nossas atividades na escola e ampliar nossos conhecimentos a respeito de nossas práticas com assuntos irrelevantes, descontextualizado da prática docente.

Bakhtin ao analisar a cultura cômica popular no contexto de François Rabelais conclui que há um número considerável de obras científicas que são dedicadas à essa cultura, porém, toda essa expressiva literatura, salvo poucas exceções, é eximida de espírito teórico, ou seja, são apenas analisadas sob o ponto de vista de leituras pessoais, sem ser feito um maior aprofundamento teórico com valor e amplitude de princípio. “Schneegans não compreende em absoluto o hiperbolismo positivo do princípio material e corporal no grotesco medieval e em Rebelais” (BAKHTIN, 2013, p. 40). Por isso faz uma análise do grotesco sem ter um conhecimento profundo do terno, com base apenas em análise superficial.

Ou seja, a dissociação de teoria e prática, não é algo recente, nem tampouco está perto de ser resolvido esse impasse, principalmente no senário atual de esgotamento da profissão docente, motivado pela desmotivação desses profissionais em âmbito nacional, gerado pela desvalorização, tanto no quesito remuneração como em questões de reconhecimento. E com essa política de desvalorização do professor, afasta-se cada vez mais os jovens que melhor se destacam na educação básica, da profissão docente, e dessa forma não há nenhuma possibilidade de atenuarmos o abismo entre teoria e prática no contexto de uma escola de educação básica.

De um lado fica um número expressivo de pesquisadores produzindo e aperfeiçoando teorias, e para manter esses pesquisadores há um enorme investimento por parte do estado, do outro lado estão os professores, que dependendo do tempo que saiu da faculdade e pelas condições pouco estimulantes ao desenvolvimento da profissão que escolheu, já não acredita mais em nenhuma teoria, muito menos que essas venham fazer alguma diferença no contexto atual a qual se encontra a escola básica. Ou seja, a indissociabilidade entre teoria e prática, continuará sendo apenas um termo imaginário, para os românticos desavisados.