quinta-feira, 4 de junho de 2015

INDISSOCIABILIDADE ENTRE TEORIA E PRÁTICA

Assim como Ghedin (2002), eu também penso que teoria e prática precisam estar juntas uma complementando a outra, no sentido de dar mais notoriedade ao trabalho do professor, no entanto parece que nem sempre ambas estão atreladas, isto é, o que se percebe é que há um distanciamento na atividade docente entre teoria e prática. É comum não colocarmos em prática no dia a dia em sala de aula as teorias que estudamos, e um dos possíveis motivos para tal atitude, pode ser um reflexo de nossa formação, que infelizmente muitas vezes não nos dá uma visão mais ampla a respeito da prática de sala de aula, uma vez que ficamos presos em discursões sobre teorias e teóricos sem um aprofundamento mais amplo sobre às questões pedagógicas, ou seja, como realmente é o dia a dia de uma sala de aula, ficamos na superficialidade, já que não agregamos às nossas práticas docentes às teorias que aprendemos e/ou estudamos.

Outro fator desencadeador da dissociação de teoria e prática pode ser gerado pelo afastamento dos pesquisadores tanto dos professores atuantes como da realidade da sala de aula, provocando com isso certa descrença da maioria dos professores a respeito de tais teorias. Acredito que com tantas teorias que temos já está mais do que na hora de tanto os professores quanto os pesquisadores se unirem para tornar teoria e prática verdadeiramente indissociáveis. Falta também reflexão sobre nossas atividades pedagógicas, às vezes, não refletimos criticamente sobre o que fazemos para quem fazemos e porque fazemos, perdemos várias oportunidades de trocar informações com nossos colegas em nossas atividades na escola e ampliar nossos conhecimentos a respeito de nossas práticas com assuntos irrelevantes, descontextualizado da prática docente.

Bakhtin ao analisar a cultura cômica popular no contexto de François Rabelais conclui que há um número considerável de obras científicas que são dedicadas à essa cultura, porém, toda essa expressiva literatura, salvo poucas exceções, é eximida de espírito teórico, ou seja, são apenas analisadas sob o ponto de vista de leituras pessoais, sem ser feito um maior aprofundamento teórico com valor e amplitude de princípio. “Schneegans não compreende em absoluto o hiperbolismo positivo do princípio material e corporal no grotesco medieval e em Rebelais” (BAKHTIN, 2013, p. 40). Por isso faz uma análise do grotesco sem ter um conhecimento profundo do terno, com base apenas em análise superficial.

Ou seja, a dissociação de teoria e prática, não é algo recente, nem tampouco está perto de ser resolvido esse impasse, principalmente no senário atual de esgotamento da profissão docente, motivado pela desmotivação desses profissionais em âmbito nacional, gerado pela desvalorização, tanto no quesito remuneração como em questões de reconhecimento. E com essa política de desvalorização do professor, afasta-se cada vez mais os jovens que melhor se destacam na educação básica, da profissão docente, e dessa forma não há nenhuma possibilidade de atenuarmos o abismo entre teoria e prática no contexto de uma escola de educação básica.

De um lado fica um número expressivo de pesquisadores produzindo e aperfeiçoando teorias, e para manter esses pesquisadores há um enorme investimento por parte do estado, do outro lado estão os professores, que dependendo do tempo que saiu da faculdade e pelas condições pouco estimulantes ao desenvolvimento da profissão que escolheu, já não acredita mais em nenhuma teoria, muito menos que essas venham fazer alguma diferença no contexto atual a qual se encontra a escola básica. Ou seja, a indissociabilidade entre teoria e prática, continuará sendo apenas um termo imaginário, para os românticos desavisados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário