segunda-feira, 20 de julho de 2015

ESCOLA (DES)FORMADORA DE LEITORES

Em matéria publicada no caderno Metrópole do jornal O Estado de São Paulo, dia 11 de julho de 2015, sobre leitura, mostra que mais de 57% dos estudantes de oito anos não foram capazes de superar os dois primeiros níveis em uma escala de quatro, de aprendizado em leitura na Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2013. Isso, sem dúvida, é um dado preocupante e que requer urgente tomada de decisão dos responsáveis pelas implementações de políticas públicas voltadas à educação. Pois esses dados explicitam duas situações referentes a atual situação a qual se encontra a educação em nosso país, que se não houver atenção dissociada de projetos partidários (uma vez que os mesmos são construídos com projetos pautados apenas no poder), infelizmente, matérias como essa irão ser cada vez mais frequentes, e a população, principalmente, a mais desassistida, continuará desvelando no lento e infinito labirinto da desigualdade social.

A primeira é que definitivamente, há muito a escola está estagnada, já não é mais capaz de convencer o aluno sobre o quanto é importante o conhecimento para o seu desenvolvimento enquanto cidadão que pertence a uma determinada comunidade, que faz parte de uma cultura e que precisa a todo momento se relacionar com o outro, que o conhecimento pode lhe proporcionar melhor qualidade de vida, uma vez que com o conhecimento o indivíduo terá mais chances de ascensão social.

Nesse sentido, penso que a escola precisa se reinventar, se reconhecer enquanto instituição, não dona de um saber inquestionável, mas sim, de importância para o crescimento da pessoa tanto profissionalmente como culturalmente. E para isso é preciso que a escola abra as suas portas à comunidade, ouça os anseios e necessidade dos alunos, dialogue com as famílias, dê mais importância aos currículos por projetos onde o aluno consiga se reconhecer enquanto pessoa e protagonista do seu aprendizado, e menos importância ao aprendizado por conteúdo como ainda é hoje, cujo foco é abarrotar o coitado do aluno de determinado conteúdo com pouca relevância para a sua vida, e isso os alunos já não aceitam mais, basta ver o comportamento da maioria em sala de aula, literalmente de costas aos professores. Na verdade, os conteúdos têm sua importância na formação da pessoa, se esses forem vistos como meio e não como fim no processo de ensino aprendizagem.

Segundo, se a escola enquanto instituição reconhecidamente responsável pela formação de crianças, jovens e adultos, continuar engatinhando na formação e desenvolvimento das pessoas de maneira duvidosa, carregando esses pífios índices de formação no quesito leitura para crianças como se fosse algo dentro da normalidade educacional do país, ou seja, se a escola continuar aceitando o estigma de instituição incapaz de formar leitores com capacidade de fazer o reconhecimento de conceitos relacionados com a sua realidade dentro do contexto de vida a qual esse indivíduo está inserido, certamente essa escola está fadada ao contínuo fracasso.

E se pensarmos que essa escola é a responsável pela formação de futuros cidadãos, é algo que gira em torno do desesperador, pois uma nação com formação precária é no mínimo uma nação que vai conviver sempre com a desigualdade, haja vista que a educação é um dos meios mais sólidos para a consolidação de uma nação menos desigual e com mais oportunidades, respeito e liberdade para as pessoas. Formar leitores críticos é importante para compreensão do contexto atual político, econômico, educacional, isto é, para compreender a sua posição como cidadão, Patativa do Assaré, um dos maiores poetas populares, falecido em 2002, disse que estudou apenas seis meses, no entanto leu os escritores eruditos que segundo ele foi importante para conseguir fazer uma leitura crítica da realidade e necessidade do seu povo. Ou seja, quando uma escola não convence, não forma, mas certifica, isso sim é preocupante, pois pessoas habilitadas sem propensão e intimidade com a leitura, dificilmente será uma pessoa gabaritada à formação de futuros leitores.

Enfim, os dados são uma clara realidade da escola que temos, perdida sem saber qual rumo seguir, desaparelhada, que tem mais conseguido desformar do que formar cidadãos leitores, uma escola desestimulante, sucateada, ainda fechada com medo, e que não reconhece o devido valor dos seus profissionais, pessoas que dedicam uma vida em prol do ensinar, compartilhar conhecimento mesmo dentro da conjuntura atual de descaso para com os educadores, uma escola que precisa de amplas transformações, na parte física e estrutural, claro que não basta construir prédios modernos e bem aparelhado tecnologicamente, até porque isso é o mínimo que se espera de uma escola que pretende ensinar leitura para crianças e jovens multifacetados, é preciso também que haja mudança atitudinal de gestores e professores, caso contrário perenizará em manchetes como sendo incapaz de ensinar leitura às crianças bem como instituição contribuidora para o enlouquecimento de professores. 

Um comentário:

  1. Cara, vi uma pequisa mostrando que 34% dos universitários não conseguem ler. A leitura é envolta numa redoma muito aburguesada nas escolas, por isso os alunos perdem o interesse, principalmente, da pré-adolescência em diante! Questões...

    ResponderExcluir