segunda-feira, 27 de julho de 2015

POR UMA ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE

Por Alexandre P Bitencourt

Se olharmos a educação pública no Brasil pelo ponto de vista do acesso, no que diz respeito a quantidade, e se só isso for o suficiente para o desenvolvimento e transformação da nação, para a apropriação das pessoas aos bens culturais, para ascensão social dessas pessoas, não há dúvida de que o país avançou e muito em níveis de abertura e ampliação de vagas na educação Básica. Agora se o fato do sujeito ter leis que assegurem a garantia dele ter uma vaga numa escola pública, e essa não der a ele chances de pelo menos poder concorrer de forma menos desigual com quem tem recursos financeiros para estudar em escolas privadas ditas de ponta, me parece que a escola pública está prestando um serviço, se não inútil, pouco relevante à sociedade de forma geral.

A verdade é que não basta apenas resolver os problemas de quantidade, pois isso já está mais do que provado, quando se olha para os índices das avaliações externas que medem a qualidade da educação básica. No entanto, quando se estuda sobre educação no Brasil, o que se percebe é uma sequência de equívocos na implementação de políticas educacionais, ou seja, uma supervalorização, no que diz respeito a quantidade, porém essa quantidade geralmente é desprovida de qualidade.

Que é importante a abertura da escola a todos, ninguém tem dúvida disso, o que deve ser motivo de questionamento é a repetição de políticas que gera acesso, mas não garantem inclusão. Isto é, não basta colocar o indivíduo na escola, é preciso oferecer mecanismos para que esse sujeito consiga desenvolver suas habilidades, dito de outra forma, não basta uma escola aberta aos filhos dos trabalhadores que não serve para os filhos das elites, porque sendo assim, esses caras continuarão na exclusão, uma vez que eles não terão conhecimentos bastante para concorrer uma vaga em uma universidade mais bem-conceituada, para ter uma formação digamos que um pouco melhor, pois com uma formação precária eles assumirão as vagas em empregos cujos salários são menores.

O que o Brasil não pode permitir é continuar errando com a abertura da educação superior, da mesma maneira que aconteceu com o acesso à educação básica, ou seja, não adianta apenas abrir as portas para o ensino superior sem ter resolvido os entraves da educação básica. Jogar o sujeito despreparado no ensino superior em universidades comerciais, com visão apenas de negócios e com pouco cuidado com uma formação de qualidade, não é nada agradável, e certamente contribuirá muito pouco para o desenvolvimento de uma nação sólida com cidadãos críticos e autônomos, ou será que construir uma nação com pessoas bem formadas e independentes não é bom para o estado? Prefiro acreditar na utopia que sim.

Apontar problemas em políticas que dão privilégios mais às questões referentes à quantidade, sem atentar para a qualidade, não configura necessariamente uma subversão à abertura da escola a todos, ao contrário penso que a escola realmente tem que ser pra todos, no entanto o que se deseja é que essa escola seja não só de quantidade, mas sim de qualidade, uma escola que forme pessoas para a vida, com capacidade para poder participar de igual com todos, das oportunidades que surgem.

Colocar todos na escola, decerto, é um enorme ganho à sociedade, mas isso por si, não é objeto desencadeador de oportunidades se essa não for construída com as mínimas condições de qualidade. Devemos sim, querer e exigir uma escola pública melhor, que crie perspectivas aos jovens, uma escola pública que saiba lidar com os anseios da juventude que, infelizmente, tem abandonado o ensino médio, porque não conseguem fazer uma relação conceitual com o contexto atual em que estão inseridos, uma escola que forme pessoas para o enfrentamento dos constantes desafios e incertezas do século XXI, uma escola com capacidade para qualificar e não somente certificar, uma escola que consiga dialogar com o mundo polifônico e policrônico dos alunos.

Um comentário:

  1. Infelizmente, detecta-se um ensino público deficiente em nosso país no que diz respeito a políticas públicas voltadas para o aspecto qualitativo, um cenário de injustiças se mostra e, enquanto negarmos aos nossos jovens o direito à igualdade de oportunidades, improvavelmente ocorrerão transformações. Precisamos mudar o contexto com urgência!

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