quinta-feira, 27 de agosto de 2015

POR QUE A ESCOLA NÃO É ASSIM?

Por Alexandre Passos Bitencourt



Existe algumas coisas na educação que são muito estranhas, uma delas a qual quero enumerar neste breve texto, é a hilária tentativa de proibir os alunos a usarem o celular em sala de aula, na verdade existe até a LEI  12.730, DE 11 DE OUTUBRO DE 2007, que proíbe o uso do celular por parte dos alunos em sala de aula no estado de São Paulo. Como se os três artigos que compõem a tal lei fossem suficientes para convencer os alunos que eles em sua maioria, nasceram no Séc. XXI, mas precisam aprender a se comportarem em uma escola do Séc. XX. Claro que esta lei não faz nenhum sentido, principalmente, nos dias de hoje, onde o celular não é um adorno de luxo, mas sim, um rico instrumento, que além de ser um objeto de entretenimento para as pessoas que gostam de jogar, pois são vários os aplicativos de jogos para a pessoa escolher o que mais se adeque ao seu gosto, como também é um meio de interação entre as pessoas, através do acesso às redes sociais.

Em contrapartida à descabível e desastrosa postura da escola em continuar insistindo na tentativa frustrada de proibir o uso do celular em sala de aula, por acreditar no infundado dogma de que este, atrapalha a aprendizagem dos alunos, pois eles precisam aprender os conteúdos que a escola escolheu para eles, pois é essa a especialidade da escola, ensinar conteúdo, fez isso no passado e continua fazendo, porque é só isso que ela sabe fazer. Existe hoje na cidade de São Paulo o projeto chamado de WIFI LIVRE SP, que tem como coordenação a Secretaria Municipal de Serviços com apoio técnico da PRODAM – Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo, que contrasta com as escolas públicas que guardam as senhas de acesso à rede WIFI, escondida a sete chaves. É óbvio que o uso do celular e o acesso livre às redes WIFI, não vai resolver os problemas da educação que são diversos, mas certamente, também não vai ser objeto para o fim da educação, como muitos pensam, ao contrário, será o reconhecimento da escola que já estamos há 15 anos do séc. XXI.

Em reportagem veiculada na revista Nova Escola Nº 284 de agosto de 2015, mostra que a iniciativa de escolas na Bahia e em São Paulo em fazer o uso do celular como recurso pedagógico para aprendizagem dos alunos e também como meio de interação entre escola e família tem dado certo. Então por que a escola não abraça essa iniciativa da prefeitura de São Paulo e de empresas privadas em liberar WIFI? Por que a escola não é assim? Por que a escola insiste na perenização do quadro negro, acompanhado de conteúdo?

Segundo Coll e Monereo em seu livro, "Psicologia da Educação Virtual", uma escola, uma equipe docente, um professor, com muitos anos de experiência usarão as TCIs (Tecnologia da Comunicação e Informação) apenas como complemento de suas aulas expositivas de leituras e exercícios auto administráveis, mas dificilmente farão uso das TCIs como ferramenta para que os alunos possam interagir e contrastar informações diversas sobre variados temas, ou seja, uma interação faz sentindo quando é real, quando ocorre entre seres viventes, no entanto, hoje em dia, graças a capacidade do ser humano, no que diz respeito ao desenvolvimento da tecnologia, é possível haver interação real sem necessariamente haver a presença de mais de um corpo no mesmo ambiente, isto é, podemos interagir e contrastar ideias diversas, com outra pessoa ou mesmo com grupos de pessoas ao mesmo tempo sem a necessidade do contato físico, porém para isso acontecer é necessário estarmos conectados em redes.


Caso contrário, a interação será sempre a mesma.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

Por Fernando Rocha

Da infância trago a violência como ficção, exibida na tevê, monstros que depois de mortos, renasciam gigantes para serem exterminados pelos eficientes robôs dos Changeman e do Jirayia. A tela mágica permitia ao humano atingir o além da sua condição, o voo do Super-Homem, Rambo uma espécie de exército de um homem só.

A celebração da queda de um muro que dividia o mundo, uma canção com um assobio. Animais cobertos por petróleo, labaredas de fogo intermináveis. Um pouco mais tarde, eu um pouquinho mais velho, crianças mortas na Bósnia, lágrimas nos meus olhos, meu pai já não precisava mais pedir silêncio na hora do jornal.

Um tapete de cadáveres em Ruanda, negros mais escuros contra negros mais claros, mas todos negros, membros de um só país.

Hoje, 26 anos depois, a violência continua lá, na tela, não há um herói japonês nem um monstro alienígena sequer, há homens que exercem papel de maestros do caos, provocam o medo dos telespectadores, ajudam a indústria de seguros, quem sabe quais outras mais?

Quem vê uma rosa no jardim pelo qual passa todos os dias? A rotina, olhos no relógio, no céu, no chão e na tela do celular, uma prisão do cotidiano, tudo coisificado, tenho a leve impressão de que os atos violentos exibidos nas retinas ganham a mesma dimensão daqueles da minha longínqua infância.

Nas redes sociais, embora num ambiente virtual, a violência ganha tons reais, todos têm opiniões, mais do que isso, todos têm razão, a razão é um troféu exibido por meio de palavras hostis que geram uma ninhada de ditadores, cristãos incitando ódio, desejando a morte de outrem, ora, mas o fundador da religião não foi vítima dessa mesma lógica?

Muitos se preocupam com cunhas, malafaias, pensando que eles só têm uma amplitude maior nas mensagens que propagam, eu me preocupo com os que no seu micro espaço de atuação são tão ou mais radicais do que eles, infelizmente, todos querem ser homens de bem, um requisito importante é dizer que é cristão, mesmo que não aja segundo o dogma. Para isso é importante se pronunciar heterossexual, queria mesmo saber no que interfere o fato de algumas pessoas transarem com humanos do mesmo sexo? Isso coloca sua vida em risco? Aumenta preços? Danifica plantações? Piora a qualidade do ar?

Esta ilha de isolados, na qual todos pensam ser especiais, todos querem um carro bacana, querem ir ao shopping e comprar, sair de lá com um olhar que diz: Eu realizei algo! Mas é feio dizer isso em público, não é? Por isso ir às ruas protestar contra um governo que executa uma política econômica muita parecida com aquele em que votaram, parece mais digno.

É óbvio que muitos são parte do grupo da nova classe média, ou seja, demonstram aos governistas que a inserção à cidadania por meio do consumo, sem fomentar uma real participação por meio da cultura, que aqui não se restringe ao âmbito das escolas, faculdades, cursos técnicos, os quais exercem o papel de capataz de atrocidades, a quem lá se encontra, tal como em Ruanda iguais que odeiam seus semelhantes, porque assim pensam se diferenciar e atingir o status de SINGULAR.

Talvez, reflexo daquele muro da minha infância, a eterna mania de ver apenas dois lados numa situação, subtraí da mente a possibilidade de raciocinar, o clima de futebol contamina o Brasil, quem não é a favor, está do outro lado, poucos votam, muitos torcem, como se não estivessem dentro do mesmo caldeirão. Só espero que os fogos do final sejam diferentes daqueles que mancharam o mar de petróleo e que matou os animais, no nosso caso, seriam animais humanos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Um mundo além das palavras

Por Paloma Rangel


As câmeras mostram o mundo com ênfase não no "onde", mas "o que está lá". A manhã, paisagens naturais, pessoas em oração, povos indígenas, aldeias inteiras dançando, destruição da natureza através de explosões e minas a céu aberto, pobreza, vida urbana, campos de concentração, valas comuns, ruínas antiga, piras funerárias e retorno à natureza. Numa busca para que cada quadro consiga capturar a grande pulsação da humanidade nas atividades diárias.

A começar, "Baraka" é um documentário profundamente sensorial. Com suas músicas e imagens estonteantes, o filme mexe com corpo e imaginação: em diversos momentos senti palpitações estranhas enquanto refletia sobre os significados das cenas, todas fotografadas com brilhantismo.

Por se tratar de algo imensamente subjetivo, "Baraka" pode ser lido sob diversas perspectivas, mas não se deve perder de vista o fato de que o filme tem um propósito e direcionamento básico, este preenchido a todo momento pela experiência do observador. A principal discussão do filme diz respeito ao velho tema de opostos: "civilização X barbárie". As cenas que retratam organizações tribais primam sobretudo pela serenidade, sabedoria e espiritualidade, enquanto as que representam as cidades são inquietas, caóticas e vazias em significado metafísico.