sábado, 26 de setembro de 2015

TRÊS MOTIVOS DE MUDANÇA NA EDUCAÇÃO DO ESTADO, UM NO MÍNIMO ESTRANHO

Por Alexandre Passos Bitencourt

Em uma entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo, quarta-feira dia 23 de setembro de 2015, no caderno Cotidiano, o sr. Secretário de Educação de São Paulo, Herman Voorwald, elencou três motivos para justificar possíveis mudanças nas escolas estaduais a partir do próximo ano letivo, com a organização das escolas em ciclos, ou seja, ensino Fundamental I, Fundamental II e Médio, em escolas separadas que, de acordo com o secretário, será importante para garantir os tempos e espaços para a aprendizagem dos alunos. O primeiro motivo segundo o secretário foi a municipalização que embora ainda não tenha sido concluída, já levou a migração de 60% dos alunos das séries iniciais para o município, segundo pela diminuição da taxa de natalidade que consequentemente diminui o número de alunos, e terceiro foi a melhoria da condição financeira das classes, nos últimos anos, e com isso houve uma migração de alunos para a rede particular de ensino.

Bom, no tocante às mudanças sobre essa organização das escolas em ciclos, a princípio não consigo ver nenhum problema, até porque a educação chegou em um estado de calamidade tal, que qualquer tentativa de mudança pra quem acredita que a educação tem que ser pública e de qualidade, é como uma luz que pisca no fim de um infinito túnel.


Sobre os motivos apresentados pelo secretário para justificar essa mudança, os dois primeiros, penso que são coerentes e justificáveis com a realidade atual, agora no que diz respeito ao terceiro, confesso que ao ler essa entrevista fiquei estarrecido com a fala do secretário, ou seja, em sua afirmação de que uma das causas da migração de alunos para a rede de ensino particular se deve pela melhoria financeira das classes. Ora, que as classes ascenderam financeiramente no últimos anos, todo mundo sabe, e isso se deve, principalmente, por políticas de distribuição de renda e aumento de ganho do trabalhador nas últimas décadas. Agora, a meu ver, o que causa estranheza é o secretário querer atrelar a fuga de alunos da rede pública de ensino à particular, por causa da melhoria de condição das classes.

Por que as famílias se sacrificam tanto pra pagar uma escola para seus filhos? Não é dever do estado garantir educação a todos? O artigo 205 da Constituição Federal não diz que a educação é direito de todos e dever do estado e da família, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, isto é, preparando-o para a cidadania e sua qualificação profissional? Então por que as famílias estão tirando seus filhos das escolas públicas e colocando-os em escolas privadas? Não é dever também do estado garantir educação de qualidade a todos, tanto para o seu desenvolvimento em sociedade como sua qualificação profissional? Ou será que o secretário pensa que esse direito é somente da família?

Que a educação falhou e que precisa urgente de mudanças, todos que tem um pouco de juízo sabe e concorda, agora mudança pela mudança não sei se será o suficiente para atenuar os inúmeros problemas da educação, como disse Rui Barbosa: “O que, no mudar, se quer, é que se não mude para trás, nem do bem para o mal, nem do mal a pior”. Isto é, separar a educação em ciclos com o mesmo modelo de escola, criar escola de tempo integral, sem fazer mudanças arquitetônicas nas estruturas das escolas, sem espaços adequados para o desenvolvimento dos projetos é suficiente para melhorar a educação? Não seria um oportuno momento para se discutir um amplo projeto para melhorar a educação pública?

domingo, 13 de setembro de 2015

POSFÁCIO PARA “DESEQUÍLIBRIO”, DE NAYARA BRIDA

Por Fernando Rocha

Desequilíbrio, os dois pés no chão não transforma a realidade em algo estável, uma presa fácil de capturar, pois bem, esqueça o ambiente externo, os textos que compõe esta publicação, foram construídos sem a necessidade das ações ou fatos, são jorros de interioridade, do primeiro parágrafo ao último, será como ter o colarinho pressionado, olhos nos olhos invadindo o seu interior, e o disparo de uma metralhadora, não de palavras, mas sim de sentimentos e sensações que antecedem e sucedem a forma primitiva do verbo.

Não há gênero que aprisione Nayara Brida, a extensão dos textos é curta, mas isso não deve ser confundido com fugacidade. A inadequação do ser diante da existência contorna temas como o suicídio, deixando a dúvida se tal ato seria uma espécie de libertação. O retrocesso ao útero como ruptura da linha lógica do tempo.