domingo, 13 de setembro de 2015

POSFÁCIO PARA “DESEQUÍLIBRIO”, DE NAYARA BRIDA

Por Fernando Rocha

Desequilíbrio, os dois pés no chão não transforma a realidade em algo estável, uma presa fácil de capturar, pois bem, esqueça o ambiente externo, os textos que compõe esta publicação, foram construídos sem a necessidade das ações ou fatos, são jorros de interioridade, do primeiro parágrafo ao último, será como ter o colarinho pressionado, olhos nos olhos invadindo o seu interior, e o disparo de uma metralhadora, não de palavras, mas sim de sentimentos e sensações que antecedem e sucedem a forma primitiva do verbo.

Não há gênero que aprisione Nayara Brida, a extensão dos textos é curta, mas isso não deve ser confundido com fugacidade. A inadequação do ser diante da existência contorna temas como o suicídio, deixando a dúvida se tal ato seria uma espécie de libertação. O retrocesso ao útero como ruptura da linha lógica do tempo.

A imagem dos pés aparece com frequência nos escritos, indicando movimento por uma nova geografia desenhada e dominada apenas pela autora, aqui o leitor participa como refém, mas não é uma situação desconfortável, acalme-se e aproveite para fruir!

Talvez, seja a indicação de que diante da paralisia do corpo a alma é diluída, não como forma de desaparecimento, mas sim como maneira de se espalhar, atingir o que o limite físico do humano é incapaz de alcançar.

Uma marca de estilo interessante utilizada na construção textual é a interrupção de uma frase após um verbo transitivo ou um advérbio com um ponto final, ao invés de reticências, a descrença na sintaxe como forma de descrever o real. A linguagem é sem sombra de dúvida, uma forma limitada de comunicação.

Ler palavras como quem olha para dentro de si e do outro é o que este Desequilíbrio nos oferece, a corda-bamba é este chão em que pisamos, o abismo está no horizonte, não há fuga, agora é render-se à queda, o chão e o céu já não existem mais!

https://www.facebook.com/antitesebnu?fref=ts&__mref=message_bubble

Nenhum comentário:

Postar um comentário