sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A IMPORTÂNCIA DE JUNG PARA A LITERATURA

Por Alessandro Wiederkehr, Alexandre Passos Bitencourt, Davi Fernandes Costa, Érika Aparecida Góis


O objetivo deste trabalho é expor a contribuição de Jung para a literatura, apresentando a leitura de algumas obras selecionadas baseando-se em conceitos junguianos como Arquétipos, Inconsciente Coletivo e Símbolo.

De acordo com Silveira (2007, p. 137) a manifestação artística não interessa à psicologia analítica enquanto produção estética, mas sim como um reduto simbológico e repleto de conteúdo do inconsciente.

Na visão de Jung, a literatura divide-se em dois diferentes processos: psicológico e visionário. O primeiro engloba as obras que tratam de temas cotidianos e de conflitos pessoais. Estudá-las psicologicamente não traz, segundo Silveira, contribuições significativas. Já o visionário tem como essência a estranheza que sua leitura causa no leitor, sua elaboração provém das esferas do inconsciente coletivo, portanto, sempre estão permeadas de conteúdos misteriosos, figuras arquetípicas, experiências humanas primordiais e mitológicas, além de seus autores afirmarem não ter total controle sobre suas criações.

No presente artigo, privilegiaremos o estudo de obras literárias nas quais notamos traços relevantes para sua classificação como literatura visionária, demonstrando, assim, a importância de Carl Gustav Jung para os estudos literários.

Por obra visionária, pode-se citar como exemplo “Wuthering Heights” (O morro dos ventos uivantes), único romance de Emily Brontë (1818-1848), pelo impacto que causou na sociedade da época. A conflitante hostilidade com que as personagens se relacionam e a frustrada expectativa de que o personagem Heathcliff se tornasse herói chocaram o público leitor, despertando neste, um sentimento de aversão à obra.

Seguindo um viés de uma leitura global, temos como pano de fundo um conflito entre o fantástico, manifestando-se pela aparição dos fantasmas de Catherine e de Heathcliff, e o real, pela negação daqueles, que pode ser entendido, segundo a concepção de Jung, como representação simbólica do conflito entre inconsciente coletivo e consciente.

Dentro desta lógica, pode-se perceber a presença dos arquétipos persona – que é o que a sociedade quer que sejamos – ego – que representa o que somos, nós mesmos – e sombra – que é tudo aquilo o que não se quer ser, é tudo que se opõe aos valores que a persona representa - simbolizado pelos personagens – Linton – Catherine – e – Heathcliff. Segundo Jung, há uma bipolaridade entre os arquétipos, ou seja, eles precisam manter uma relação de proximidade para estar em equilíbrio. Este é abalado quando há um distanciamento dos arquétipos como, por exemplo, quando o ego se afasta da sombra e aproxima-se da persona o que é uma boa justificativa para a relação destrutiva presente na obra.

Se, por um lado, a primeira geração de personagens simboliza os arquétipos, e os conflitos vividos na história são consequência do afastamento dos mesmos, por outro lado, a segunda geração representa, também, os arquétipos, fato que é confirmado pela incessante comparação que a narradora sra. Dean faz entre a primeira e a segunda geração, e às vezes declarando até haver uma certa transcendência entre elas, que fazem uma tentativa de reaproximação, que simbolicamente seria o processo de individuação.

Consideradas as hipóteses mencionadas, entendemos ser “Wuthering Heights (O morro dos ventos uivantes) ” uma alegoria da psique humana.

Outro exemplo de obra visionária é “O Senhor dos Anéis” escrito por J.R.R. Tolkien e publicado em três volumes entre 1954 e 1955. O livro conta à história do Um Anel, objeto forjado pelo Senhor do Escuro com o intuito de dominar todas as raças da Terra-Média, que é o mundo de fantasia criado pelo autor, e a jornada da personagem Frodo e seus companheiros com a intenção de destruir o objeto maligno.

A personagem Frodo é o principal herói da história. O herói pode representar a superação humana perante os obstáculos impostos pela natureza ou pelo destino. Há no herói uma ligação com a divindade. Isso nos remate à sensação de estranheza que Jung diz predominar na Literatura Visionária.

Frodo tem em sua jornada a companhia de seu escudeiro Samwise e de Gollum (uma criatura que já havia possuído o Anel e foi consumida por seu poder). Gollum representa a sombra de Frodo. É tudo aquilo que o herói quer rejeitar, esconder e reprimir. Por várias vezes Frodo tenta, de alguma forma, ajudar Gollum. Dessa maneira pensa que caso Gollum possa se livrar da obsessão pelo poder do Anel, futuramente ele também poderá.

Jung tinha muito interesse pelas artes e a Literatura sempre o interessou, apesar de não se considerar um especialista, deu contribuições importantes com seus conceitos, ainda hoje utilizados para análise de obras.

É claro que ao mesmo tempo devemos perceber que a divisão Literatura psicológica e Literatura Visionária não são absolutas, não engloba toda a Literatura de uma maneira fechada.

Esses conceitos são pontos de partida para uma análise Junguiana, que como o próprio pensador nunca foi ortodoxo, seus conceitos também não são. O que significa que podemos encontrar obras com característica de ambos os conceitos sem nos surpreendermos.

Davi Fernandes Costa, graduado em Letras, especialização em Literatura.
Érika Aparecida Góis, graduada em Letras.

Referências 

BRONTE, E. O Morro dos Ventos Uivantes. São Paulo. Landy, 2003.
SILVEIRA, N. Jung vida e obra. São Paulo. Paz e Terra, 2007.
TOLKIEN, J. R. R. O Senhor dos Anéis. São Paulo. Martins Fontes, 2003.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Reorganizando o DeLorean

Por Marcos Antônio Oliveira

Hoje (vinte e um de outubro de dois mil e quinze) fomos bombardeados por referências ao filme “de volta para o futuro” na Tevê, nas rádios, em programas esportivos, de comédia e nas redes sociais com imagens e textos pilhéricos. O motivo? No segundo filme da franquia a viagem ao futuro teve como destino a data de hoje! Isto quer dizer (se me é permitida a referência e o trocadilho) que o futuro é hoje!

As listas de comparações entre as inovações tecnológicas apresentadas no filme também inundaram a internet mostrando os acertos e também os erros (pois é uma qualidade desejável ao diretor de filmes a de vaticinar!). Mas será o cinema algo mais que um Nostradamus da Era Contemporânea?

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

VÁRIOS DENTES E UMA SÓ MAÇÃ

Por Fernando Rocha

RESUMO

O trabalho aqui desenvolvido tem por objetivo analisar o poema Maçã, de Manuel Bandeira (1886- 1868), o qual pode ser encontrado no livro Estrela da Vida Inteira (2008), para isso utilizarei alguns conceitos dos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guatarri, mais especificamente, os presentes no livro O que é a Filosofia? (2010): Plano de Imanência, Personagem conceitual, Figura estética, Territorialização, Desteritorialização e Reterritorialização. Pois tais conceitos ajudarão a ampliar as possibilidades de leitura deste breve texto.      

O trabalho dos pensadores estará em consonância com o Ensaio sobre Maçã (Do sublime oculto), do professor e crítico literário Davi Arrigucci, o trabalho está presente em seu livro: Humildade, Paixão e Morte: A poesia de Manuel Bandeira (2009), o qual apresenta uma análise profunda da obra, não só na esfera literária, mas que também dialoga com a estética da pintura e da tradição religiosa.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

ESPORTE SIM, VIOLÊNCIA NÃO!

Por Alexandre Passos Bitencourt

Numa quinta-feira, como qualquer outra, aquela, a princípio, não teria nenhuma novidade no cotidiano daquelas pessoas que pertencem e circulam dentro daquele determinado espaço a qual estão inseridas. No entanto, para um grupo de adolescentes que pertencem à comunidade mencionada acima, que iam naquele dia participarem de uma tão esperada partida de futsal, seria uma quinta-feira que, decerto, teria algo novo para eles, uma vez que era um dia onde fariam uma atividade que excedia as atividades que até então estavam acostumados a praticar cotidianamente.

Antes de começar o jogo, todos demostram serem bons amigos, que na verdade o são, não fossem tomados pelo espírito competitivo desenfreado e ornamentado de um inexplicável egocentrismo grupal. Nesse momento tentam controlar suas ansiedades, ouvem atentos ao professor, quase todos com os globos oculares estáticos. Até então, ninguém discorda das regras às quais precisam obedecer para que haja interação de respeito e amizade entre ambos os participantes daquela atividade. Isso se deve, talvez, pelo respeito ao professor ou pelo medo de ser excluído daquele tão esperado evento ou mesmo porque o seu sistema nervoso ainda é passível de ser controlado.

Então o professor que será o juiz daquela partida, chama-os todos ao centro da quadra, e mais uma vez explica-os que aquele era apenas um treino, ou seja, não tinha nenhuma relação com jogo ou campeonato oficial, mas sim, seria uma oportunidade de treiná-los para poderem participar das competições futuras com uma ideia mais formada e amadurecida das equipes que viriam a enfrentar.

Quando finalmente chega o momento mais esperado por todos, cada um toma sua posição, outros estão à beira da quadra para torcer, então o juiz apita, e começa o jogo, mas infelizmente, nesse dado momento começa também uma desnecessária e aferrada disputa competitiva, parece até que estavam disputando uma final de um campeonato oficial de sobrevivência aos vencedores.
Começa então o que não se esperava e não se espera que aconteça dentro do esporte, principalmente, quando esse é praticado com um viés educativo, pelo qual o objetivo é a formação da pessoa humana, para que o indivíduo aprenda, regras de convivência, trabalho em equipe, de forma saudável e prazerosa. Mas o ímpeto competitivo, pautado em uma ideia egoísta de que para que minha equipe ganhe não me importo com a destruição da equipe contrária, toma conta do sistema nervoso daqueles jovens tornando-os incontroláveis e ávidos à mais terrível e brutal forma de lidar com os nossos conflitos e diferenças, que é a agressão física, devido a perda da racionalidade e descontrole emocional.
A violência não é e nunca será uma saída para a resolução de conflitos, e também não combina com nada, conflitos devem ser resolvidos por meio do diálogo, agora o esporte esse sim deve ser incentivado e praticado por jovens e adultos de forma prazerosa, divertida e saudável dentro das comunidades, não de maneira competitiva e excludente, tendo que ser interrompido antes do final, por causa de descontroles irracionais e falta de companheirismo entre as equipes adversárias.