quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Reorganizando o DeLorean

Por Marcos Antônio Oliveira

Hoje (vinte e um de outubro de dois mil e quinze) fomos bombardeados por referências ao filme “de volta para o futuro” na Tevê, nas rádios, em programas esportivos, de comédia e nas redes sociais com imagens e textos pilhéricos. O motivo? No segundo filme da franquia a viagem ao futuro teve como destino a data de hoje! Isto quer dizer (se me é permitida a referência e o trocadilho) que o futuro é hoje!

As listas de comparações entre as inovações tecnológicas apresentadas no filme também inundaram a internet mostrando os acertos e também os erros (pois é uma qualidade desejável ao diretor de filmes a de vaticinar!). Mas será o cinema algo mais que um Nostradamus da Era Contemporânea?

Ora, a curiosidade humana deve ser saciada e, assim, é agradável observar se hoje somos ou não supridos por fornecimento adequado de skates voadores, roupas inteligentes e outras comodidades. E mais, se o essencial smartfone estava previsto em 1989 ano de lançamento do filme.

Mas para fins práticos estas descobertas têm pouco valor como também o tem descobrir, após ler 1984 de Orwell, se já existem os maquinários previstos em fins da longínqua década de quarenta como o “fala escreve” e a “tele tela”. Entretanto, o panorama geral da paisagem que contemplamos ao abrir a janela do futuro este sim, é acredito, imprescindível. Nestes termos Orwell teve maior sucesso em projetar a política global. E o DeLorean teve sucesso ao nos conduzir ao sonho de vislumbrar o futuro.

Invenção interessante a máquina do tempo. Interessante e perigosa. Não são poucos os avisos feitos ao longo da franquia para não se interferir no passado com a finalidade de não afetar o futuro. Assim temos poder e responsabilidade sobre outros tempos. No primeiro filme, inclusive, a primeira viagem de McFly ocorre durante um crime que pode ser, digamos assim, “prevenido”. As máquinas do tempo não existem (ainda) ou se existem não são conhecidas, mas será a viagem no tempo impossível em nossa época? Estamos cercados por um tipo “arcaico” de máquina do tempo que procura proteger uma fase da vida humana (infância) a título de investir na melhor qualidade da fase seguinte (adulta).

Estas máquinas se chamam escolas. E num momento em que vemos um movimento mundial de reconhecimento da importância do investimento na educação de qualidade (menos alunos por sala, mais tempo e melhores salários aos professores, melhores materiais de apoio didático, isto é, políticas públicas sérias) o governador do estado de São Paulo, entretanto, anuncia por meio de seu secretário da educação uma reorganização do ensino paulista que supostamente irá adequar as escolas à realidade atual e promover resultados melhores nos índices de avaliações, mas que na realidade parte para fechar escolas, salas, turnos, deslocar alunos e funcionários e tudo isto sem uma consulta prévia aos mais interessados: aqueles que formam a comunidade escolar.

Temos a chance de programar agora um relógio que nos levará a um outro tempo que pode sim ser um futuro de qualidade e que nossa sociedade merece, mas que também pode ser um retrocesso. “Reorganizar” é uma palavra muito doce e um eufemismo para CORTE DE EMPREGOS e para SALAS SUPERLOTADAS. Temos de reorganizar verdadeiramente nosso DeLorean, pois em breve a estrada para o nosso futuro pode estar dramaticamente obstruído. E parafraseando o Dr. Brown, para onde vamos precisamos sim de estradas e estas estradas devem ser pavimentadas no presente!

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