segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O SUBSTITUTO

Por Paloma Rangel


Henry Barthes (Adrien Brody) é um professor de ensino médio, que apesar de ter o dom nato para se comunicar com os jovens, só dá aulas como substituto, para não criar vínculos com ninguém. Mas quando ele é chamado para lecionar em uma escola pública, se encontra em meio a professores desmotivados e adolescentes violentos e desencantados com a vida, que só querem encontrar um apoio para substituir seus pais negligentes ou ausentes.

Detachment nada mais é que o retrato de uma realidade dura e amarga que existe em todos os cantos habitados pela humanidade, mas que se intensifica nas escolas, que é muitas vezes o primeiro contato que os indivíduos tem com a cuja indiferença e com a decadência das relações humanas propiciadas pelo sistema que a gente vive.


E é na própria escola que o primeiro passo para a cura dessa crescente falência de humanismo pode acontecer, assim como fez Henry ao incentivar seus alunos a saírem do estado de reprodução de ignorância e a evoluírem seus pensamentos.

Chuck Palahniuk disse no Clube da luta que somos uma geração na qual nosso mal é o mal do espírito, não temos uma grande guerra, mas temos esse desapego, essa indiferença com o outro que se expande para nós mesmos.

"Detachment", que significa indiferença em inglês não poderia ser o título mais apropriado para o filme.

Ela está lá, em todos os momentos, todos os cantos, na diretora mais interessada no cargo do que nos problemas enfrentados diariamente pela escola, mercantilizando a educação, nos pais dos alunos negligentes, e nos próprios alunos. Só mesmo os professores não escapam do substantivo que dá título ao filme. Para mim o ponto alto dessa relação multifacetada e muitíssimo bem explorada pelo roteiro é a cena em que a professora, interpretada pela Lucy Liu, perde o controle e explode em frente a uma aluna, diante de seu desinteresse pelo futuro.

O Substituto não se restringe a apresentar ao espectador uma sala de aula completamente tomada por estereótipos hollywoodianos e professoras lindas e engajadas que caem de paraquedas em uma escola de periferia. O filme vai muito além disso.

‘'...24 horas por dia, para o resto de nossas vidas, a energia que movimenta trabalha arduamente no nosso emburrecimento até a morte. Então, para nos defendermos e pelejarmos contra esse processo de emburrecimento de nosso pensamento, precisamos aprender a ler para estimular nossa própria imaginação; cultivar nossa própria consciência, nosso próprio sistema de crenças. Todos nós precisamos dessa habilidade para defender e preservar nossas próprias vontades.''

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