sexta-feira, 20 de novembro de 2015

OS JOVENS E SEU PROTAGONISMO

É preconizável à democracia a forma como os jovens estudantes de escolas estaduais de São Paulo têm demostrado o seu protagonismo, por meio de ocupações de várias escolas, por não aceitarem a maneira como o governo através de sua secretaria de educação vem tentando re(des)organizar a educação do estado, ou seja, sem consultar os mais interessados nessa possível “reorganização”, que são as famílias e os alunos.

Democracia se fortalece com participação, não por imposições, por meio de possíveis suposições, e o que esses jovens alunos têm demonstrado de forma corajosa, é que querem sim, participar do processo de fortalecimento democrático do país, isto é, que eles não são alienados e não aceitam que suas escolas sejam fechadas da noite para o dia, sem serem ouvidos, apenas porque um determinado governo quer que assim seja.

É oportuno afirmar que esses jovens aspiram por uma democracia participativa, ou seja, onde eles sejam ouvidos sobre o que eles desejam, e certamente os seus desejos nesse momento é que o estado não feche suas escolas, escolas essas onde a maioria deles estudam desde pequeno, e apesar de que muitos pensam ao contrário, eles têm muito carinho por elas, caso contrário não estariam lutando com todas as forças pelo não fechamento delas.

De acordo com Pernalete (2006), democracia não é assunto de “massas”, mas sim de sujeitos que discutem e tomam suas decisões com base em informações que sejam confiáveis, ainda segundo a autora democracia não é fácil, pois democracia requer um povo maduro, isto é, cidadãos prontos para exigir, propor, controlar, corrigir, desmentir e acima de tudo dialogar.

Pensar em democracia onde o indivíduo vota, mas não participa do processo de tomada de decisões como um todo, onde o sujeito não tem voz, é aceitar uma democracia formal, e o que esses jovens estudantes estão demostrando de forma heroica e inédita na educação, é que eles não querem uma democracia formal, e sim, uma democracia a qual eles possam exercer sua cidadania de forma participativa, com voz, e maturidade dialógica.

Oxalá que o grito desses jovens alunos seja o início de um continuo processo para uma verdadeira “reorganização” da educação pública de qualidade para todos. Não com o fechamento de escolas (uma vez que fechar escola num país onde a educação há tempo patina à beira do abismo, é por si só motivo de estranheza), mas sim com a dessucateação delas, tornando-as mais atrativas e menos desestimulantes, uma escola mais humana, com capacidade para transmitir além de conteúdos de qualidade, cultura, uma escola que forme cidadãos aptos a lidar com as diferenças de forma respeitosa e pacífica. E isso é possível apenas com a participação da sociedade, exigindo do poder público o cumprimento das leis que garantem, educação básica gratuita a todos, tendo em vista ao pleno desenvolvimento da pessoa, bem como o preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. “... Em todo o caso, aqueles cidadãos que não se interessam pela pólis não são considerados inofensivos, mas inúteis”. (PÉRICLES, aput PERNALETE, 2006, p. 23)

Referência

PERNALETE, Luisa Cecília. Democracia, participação, cidadania. Edições Loyola. São Paulo, 2006.

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