quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

UMA TARDE FORA DO DIA

Por Fernando Rocha

Em muitas tardes, eu gosto de sentar na varanda e ver o pôr do sol, talvez, seja uma reminiscência da minha infância, onde meu pai me dizia que o astro rei estava descendo num bairro vizinho. Hoje, não sei por que a brisa levantou os meus poros, não pensei no meu eu-menina, nem no meu velho, mas sim em você. O silêncio, um trato que selamos sem testemunhas, a dança, suas mãos firmes segurando o meu corpo, seus olhos me invadindo e eu bancando a valente, me esforçando para te encarar, nossos beijos pactos entre bocas que se conectavam com o corpo todo.

Pareceu feitiço, seu cheiro me invadindo, despertando o meu desejo e eu só impulso, sem mais nenhuma razão, me atirei no seu abismo. Fecho os olhos e sinto seu gosto, seu toque. O seu calor, as palavras ditas em forma de sussurros, gemidos e gritos... Pedidos indecentes, atendidos sem nenhum pudor. Não sei onde te encontrar; gostaria tanto de te agradecer por ter me lembrado de que ainda estou viva, que tenho um corpo que pulsa e faz pulsar.

Em meio a tanta violência, muitos diriam que fui imprudente ao aceitar seu charme, em meio a uma avenida tão movimentada, quase ninguém mais se olha, mas eu te olhei e te segui, ali, descobri um eu adormecido em mim.

Preciso parar de pensar nisso, entrar e ver como estão as meninas, criança quando fica quieta é sinal de quem vem coisa por aí, o Rui chegou estranho do trabalho, deve ser mais um problema com as metas que não foram batidas.

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