sexta-feira, 23 de setembro de 2016

UMA HISTÓRIA DE DESAMOR

Por Carolina 

Fiz essa carta porque já não espero mais resposta sua e para falar tudo o que eu queria que você soubesse. Quando eu terminei com você, por você ter ido atrás de vida de mulheres (porque sim, eu terminei), eu pensei que nunca mais fosse ficar contigo. Não queria mais ninguém, mas precisava ir atrás de uma amizade e felicidade falsas, vazias e instantâneas. Se eu me arrependo de ter ido? Nem um pouco! Se eu me arrependo de ter respondido o moleque da forma que eu respondi? Sim. No fundo sabia que meu coração mole ia passar por cima, mas eu precisava de alguma coisa pra tirar aquele carimbo de trouxa da testa, em nenhum momento quis outra pessoa. Quando você descobriu, meu mundo caiu. Sabia que você não cederia fácil como eu, e ali sim, você me humilhou. As palavras que você falou me doem até hoje. Engraçado porque ao mesmo tempo que eu concordava que foi o pior erro do mundo, só pra concordar com você e acabar a briga, eu estava querendo desmascarar a cara de santo que você estava fazendo. Você não foi sincero comigo, mas eu deixei, pensei que fosse o preço pra ter você. Eu estava disposta a pagar o quanto fosse, e paguei, e pago. Quando eu vi que você não tinha parado... nossa!... eu não soube o que fazer, não sabia se eu te acordava te batendo de novo (não queria ser mais assim), se eu ia embora (inútil, porque eu voltaria), mas eu pensei e fiz a sonsa, era preciso. Depois de tanto tempo separados eu já não sabia quem era você. No quão prepotente e seguro você se tornou, e eu deveria ter percebido isso e ter ido embora com a minha ressaca daquele dia, mas enfim. Mais uma vez, demorou para assumir o que você fez, e eu deixei passar. Quando notei o seu ciúme exagerado, tempos depois de eu falar que você não tinha ciúmes, confesso que gostei, mesmo sabendo que estava sendo forçado, talvez me imitando, não sei. Tentei te deixar o mais confiante em mim possível: passei senhas, deixei email aberto, celular desbloqueado, exclui fulanos, postei fotos nossas pra todos verem, te mandava fotos sempre que achava necessário que você visse o que eu estava fazendo (unha, estudos, crianças, etc). E você, sem fazer nem 1%, ainda teve a capacidade de mentir de novo. ((Antes que você pense que eu estou só de criticando, não estou, quero que você entenda como eu vi e agi com tudo o que aconteceu.)) O celular não saía da mão, os momentos de ver facebook/instagram, álbum de fotos e bloco de notas eram estratégicos para que eu não olhasse, eu não poderia estar por perto. Você foi me magoando todos os dias com essas atitudes, porque eu enxergava nosso fim nitidamente em cada situação dessa. Foi aí que eu vi o quanto de amor por você existia em mim, como eu era forte por tirar forças de lugares diferentes só por querer estar com você. Nunca me apaixonei todos os dias por alguém, nunca fui tão feliz ao lado de outra pessoa. Você também conseguia curar momentaneamente a minha tristeza com o seu carinho, seu jeito de querer me agradar, seu riso junto com o meu, seu sono e o meu... quase dando nó nas pernas, a minha sempre mais quente que a sua.  A gente brigava por tudo e por nada, principalmente por falta de paciência e confiança, mas sempre era tão banal pra mim. Um abraço, 5 ou 50 minutos de respiração e vamos em frente. Você não, quando você se magoa, é muito difícil trazer você para o presente de novo, mas eu ficava ali, nem tão carinhosa, mas sempre te enchendo ou te esperando. Eu comecei a notar que você não estava nem aí da primeira vez que dormi na sala e, nem pra ver se eu ainda estava lá de madrugada, você não levantou. Você não enfrentar minha mãe, é a maior prova que você não está disposto. Até porque você namora comigo, o centro da situação deveria ser eu. Seguindo a teoria do “eu te amo”, você iria querer ficar comigo não importa o que falem, pensem, o quanto os outros gostam de você, deveria aturar essas coisas pra ficar comigo. Assim como eu já aturei mil graças da sua mãe, e até sem olhar na cara dela, frequentei a casa dela só pra ficar contigo. Entendo totalmente como é ruim estar num lugar onde você sente que estão falando mal de você a todo momento (como eu me sinto na casa da sua tia), mas eu não estou nem aí, porque meu maior objetivo é estar do seu lado, ou era. Acho que nem vale falar sobre a loja, tua carga de ego, você sabe o que é aquilo pra mim. Sábado foi o cúmulo da falta de respeito, o cúmulo da falta de amor, o cúmulo da incompreensão. Entendo que você estava “bravinho” e pensando merdas sobre o que eu poderia estar fazendo na festa do meu afilhado, por isso te mandei foto toda hora, falava com você. Você sabia que eu estava mal, pedi pra ir no hospital e você me levou (obrigada). Você foi o caminho inteiro mexendo no celular, não satisfeito, no hospital você deu mais atenção pro celular do que pra mim que estava com dor, ali do seu lado. Você e sua mania de mulher... teve a capacidade de me esconder o visor do celular, ainda. Eu juro que não acreditei que você fez aquilo. Eu não ia conseguir dormir com você, era capaz de eu arremessar a porra do telefone pela janela, pra ver se dessa vez ele quebrava. Falei pra você ir embora e você me deixou surpresa pela segunda vez, você foi. Eu com dor, sem dinheiro, sem ninguém pra ir me buscar, você ainda me bloqueou. Caralho você nem se importou como eu fui embora, se eu melhorei. Você faz a graça, eu fico brava, você me larga e nem ao menos pede desculpas?  Sei que esse não é seu forte, mas a situação era mais do que própria pelo o que você fez comigo a noite toda. Só que você tá me ignorando até agora. Você quer ficar no silencio? Ok, a gente fica! Depois disso, fiquei 4 dias internada que foram bons para refletir. Não preciso das migalhas que você me dá. Chega desse morde e assopra. Você tentou esse tempo todo e você conseguiu me perder, já entendi que você não está disposto, você não tem coragem, depois dos 4 SMS que te mandei. No 5º SMS não respondido, vi que você não me ama. Desde que a gente voltou, você nunca esteve disposto, e uma pessoa só, não conserta uma relação sozinha. Namorar não dá pra ser unilateral. Seria lindo, gostoso, nós tínhamos nossos planos e acabaram aqui, ou eu pensava que a gente tinha, porque até viagem pros EUA você ia com o seu irmão. Hoje estou te deixando. E antes que você aprenda com a dureza da vida, vou te contar: você não é tudo isso que a sua mãe fala, nem o que eu queria que você fosse, mas você é bom de coração. Não deixa essa raiva que você está no peito te tornar uma pessoa amarga. Aprenda com isso. As suas escolhas também pesam. Que a paz dessa nossa foto possa nos lembrar o quanto é bom se entregar de corpo e alma em um amor. Mas agora acabou pra mim, não tenho mais de onde tirar forças, e te respeito o suficiente pra te dar todos os meus motivos do porquê não vou atrás dessa vez. Desde que voltamos, nunca foi falta de determinação minha. Desculpa por te deixar tantas mágoas, e eu te desculpo também, sem você pedir, como quase sempre.

Com muito amor, 03/12/2015

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

FORMAR OU INFORMAR?

Formar ou informar? Qual é a função dos meios de comunicação? Certamente há quem acredite que é informar, bem como há outros que acreditam mesmo que é formar, mas também existem os que acham que são os dois. Isso depende do ponto de vista de cada um, da necessidade, da situação, da finalidade, ou seja, certamente esses consensos e divergências podem ser associados à relatividade.

Essa notícia que aparece na manche do Jornal O Estado de São Paulo, no domingo, 28 de agosto de 2016, da forma como este enunciado foi colocado, não há dúvida que houve uma clara intensão de desqualificar uma parte, um lado, e uma explicita tentativa de ocultamento de culpa do outro. Se a função social de um importante veículo de comunicação, com o prestígio e notoriedade que ocupa esse jornal no senário nacional, fosse meramente a de informar, de maneira imparcial, sem necessariamente ter assumido um lado, uma posição política, certamente a frase teria aparecido com um aspecto informativo, e não da forma como foi posta, com a tentativa de formar, impor juízo de valor, naquilo que é ou deveria ser escolha do leitor.

Como leitor, prefiro, eu mesmo buscar um significado naquilo que leio que possa contribuir de alguma forma com minha formação como cidadão no contexto social a que faço parte, a meu ver uma manchete dessa, deixa por sua intencionalidade, de ser uma oportunidade de contribuir para uma sociedade cada vez mais informada, e torna-a acrítica, enveredada em um caminho, numa posição de separação e ódio.

Se a intenção do jornal fosse informar sem assumir com isso uma dada posição, decerto a redação do título desta notícia teria aparecido escrita de forma imparcial, o que a meu ver, deveria ser a função de qualquer meio de comunicação que se prese, nesse caso, poderia ter sido escrita de várias outras formas, como por exemplo, OAS implica petistas e tucanos, ou tucanos e petistas, por que não? Pois assim, ficaria claramente explicita a intensão de informar e não a intencionalidade formativa assumida pelo jornal..., mas enfim, certamente há muitos que gostam e apoiam tal posicionamento.