segunda-feira, 10 de outubro de 2016

SERES (DES)HUMANOS

Por Alexandre P Bitencourt

            Imagem: Jornal O Estado de S. Paulo, 09/10/16, Aliás E3

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.
João 16:33

Caros leitores, é com pesar que escrevo esse texto, na verdade gostaria de nunca ter me deparado com uma imagem desta. Em pleno século XXI, poderia talvez está escrevendo sobre qualquer outro acontecimento que fosse realmente um fato preconizável de se afirmar que a humanidade tem evoluído com o passar do tempo. No entanto, ao abrir o jornal no último domingo, dia 09 de outubro de 2016, cheguei a triste realidade, que algo não vai muito bem com os humanos, pois não pode ser aceitável que um horror desse seja consequência de atos provocado por seres que se declaram humanos... não, não, não, se os seres que têm empurrado essas pessoas a serem condenadas a um triste e lamentável fim, que esta imagem nos mostra, se auto declaram, humanos, sinceramente, é uma afronta aos que verdadeiramente são humanos, por isso penso que quem realmente é humano, repudia com todo desprezo esse tipo de ação.

Segundo o Dicionário Aurélio, humano é: pertencente ou relativo ao homem; bondoso; humanitário. Em o Dictionaries Password – Fisk, human: natural to, concerning to, or belonging to, mankind: human nature. Ainda nesse dicionário pode-se encontrar o seguinte enunciado: The dog was so clever that seemed almost human. (O cão era tão inteligente que parecia quase humano – tradução livre). A definição de humano do Dicionário Aurélio, é o que acredito, e certamente o que se espera dos seres que se dizem humanos, e decerto é o que não se encontra nos seres (des)humanos responsáveis pela desgraça tanto dessas como de inúmeras outras que têm deixado sua terra, seus familiares, amigos, em busca da incerteza de sobreviver em outro país. Nas definições: concerning to (relativo à), e belonging to (pertencente à), do Password, esses (des)humanos aloprados, encontram guarida, pois as expressões: relativo e pertencente à, podem se referir à maldade, ao mal, à usura, à desonestidade, enfim, tantos outros adjetivos que os classificam como seres nefastos, desprovidos de altruísmo.

De acordo com o noticiado no Jornal O Estado de São Paulo, no caderno Aliás, no domingo 09 de outubro de 2016, e o que se pode notar na imagem acima, algumas pessoas andam por cima dos corpos de imigrantes mortos que, infelizmente, não conseguiram fazer a travessia num barco resgatado no canal da Sicília rumo à Itália.


Se se pensar que os mais antigos fósseis do homo sapiens (do latim homem sábio), data por volta de aproximadamente 130.000 anos e que os seres humanos são donos de um cérebro altamente desenvolvido e que possuem um pensamento abstrato de alto nível, autoconsciência, racionalidade e sapiência, e que também ainda são os únicos seres vivos capazes de alterar o ambiente em sua volta, pode-se concluir que no tocante à racionalidade os seres humanos quase nada têm evoluído, e que nós simples mortais que certamente não compartilhamos com o reduzido pensamento desses seres que enriquecem às custas da miséria de pessoas que precisam pôr em risco e até perder a vida como aconteceu com muitos desses nossos irmãos que aparecem na imagem, para fugir de guerras, violência, fome, devemos estar atentos, alertas, pois o planeta está em constante perigo, uma vez que a usura, a arrogância e falta de humildade faz parte do cotidiano de muitos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CARTA PARA O RENATO INÁCIO

Por Fernando Rocha


Caro Renato Inácio,

A criação artística é de fato uma guerra armada dentro de quem cria, abrir o disco gritando, anunciando a batalha demonstra que você carrega a inquietação que explode em obra de arte. A mudança estética em Limbo calcada na potência elétrica da sonoridade de um power trio, demonstra que estamos mesmo feridos, há quem chore, quem se desespere e quem transforma os dissabores em um movimento criativo, no primeiro disco do Barão Vermelho, Cazuza também abre com um grito.

Você é mesmo alguém que não vai ficar esperando, é da estirpe que faz acontecer, é óbvio que o silêncio faz muito barulho, ao invés de proteger os ouvidos, integra a paisagem sonora, seja o percurso do caminho que se constrói com as suas letras e acordes.

Em Asteroide parece haver um Pequeno Príncipe despejado, sem planeta, sem rosa ou baobá, despejado no coas de Sampa, sem a possibilidade de seguir para outros lugares da galáxia. Uma bela crônica musicada, a linha de baixo é fantástica, nos conduz pelos caminhos dos seus versos.

Ficar só é inevitável, tal como a fugacidade da permanência do desejo, Dois segundos, Ódio sincero, Ode sobre a melancolia formam um bloco que mais dialoga com a estética da cidade de Seattle, lugar onde seu álbum foi mixado, esta última justifica o termo literário presente no título.

Gosto bastante de Porão, mas me alegra muito ver a sua coragem em arriscar, experimentar. Atualmente, a originalidade foi substituída pela honestidade, e esta encontramos em seus dois trabalhos.

Tenho que confessar que às vezes me pego caminhando pela cidade, esta mesma que você canta, cantarolando Distância, sempre tenho medo deste frio nunca passar. Se como você disse numa entrevista, esta for a sua primeira composição, começou muito bem, meu velho!

Vou ficando por aqui, tenho a impressão que o melhor lugar para as palavras é em companhia da música, então elas ficarão melhor aí contigo e sua guitarra do aqui ocupando o espaço da tela do computador.