quinta-feira, 13 de abril de 2017

AO NONO C FORMADO EM 2015

Por Fernando Rocha

Já faz cinco anos desde que nos encontramos pela primeira vez, 2012, ano em que mais um grupo de alunos vindo do antigo fundamental I teve sua rotina escolar alterada: um número maior de professores, um novo horário de estudo, alguns amigos que por motivos diversos, tiveram de se mudar, a chegada de novos companheiros e aqui estamos para celebrar o final de mais uma etapa.

Como contamos o tempo? Sim, eu sei, há anos, meses, minutos, segundos, mas não me refiro ao tempo cronológico, mas sim ao tempo profundo, este que por meio de cada fatia servida, faz com que de cada experiência, possamos tirar lições que nos acompanharão ao longo do resto do caminho. Eu tenho contado o tempo por meio dos fios brancos que aparecem em minha barba e dos centímetros de altura que percebo em cada um de vocês, nas mudanças de interesses que ouço nas conversas de um pequeno grupo, na questão escrita em cada semblante, e nas respostas construídas nas escadas, corredores e no pátio, assumo meu erro, nas vezes em que disse que precisamos aprender a trabalhar em grupo, não o trabalho está em construção e não vai ser apresentado para uma posterior avaliação, vai ser sentido, chorado, comemorado com sorrisos, abraços que terão a vida como lugar e não mais a escola.        

Lá se foi a última vez que ocupamos naquele palco, as funções de professor e alunos, e olhemos para cada um de vocês como membro de uma turma, daqui por diante, seremos todos cidadãos, ocupando uma parte deste caos chamado São Paulo, e cada um seguirá atendendo apenas pelo seu próprio nome, arcando com as consequências de suas escolhas.

Ao contrário dos judeus e indígenas, não temos um rito de passagem para a vida adulta, esta é a primeira cerimônia deste ritual que será finalizado com a conclusão do ensino médio. Haverá medo, insegurança, como quem entra num quarto escuro e sem a possibilidade do olhar, tem em cada passo o temor de adentrar num abismo, mas se estendermos os braços, alcançaremos outras mãos que nos farão perceber que não estamos sós, de mãos dadas numa corrente, o escuro se dissipará e a vida se mostrará possível e instigante.

É comum um professor dizer o quanto alguns dos professores que lhe deram aula, ajudaram a formar o profissional que ele é, eu concordo, eu mesmo tive alguns nos quais tento me espelhar, mas como só se pode ser professor diante de alguns alunos, vocês que estão aqui hoje, contribuíram muito para o professor que estou me tornando. Vou colocar os ensinamentos que vocês me deram em prática, prometo me esforçar para tirar uma boa nota! 

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