quarta-feira, 27 de setembro de 2017

UM TRISTE OLHAR

Por Fernando Rocha

O sol, um convite para ficar em casa. O calor, sorrisos, isso não fazia parte do roteiro que eu imaginava para o meu dia. A insistência das mensagens dos amigos me perturbava, o celular no modo silencioso, vibrava, fazendo tremer minha cabeça e a mesinha do quarto.

Sem explicação, lá estava eu, à beira da piscina, olhando para os meus pés submersos, inundado em meu interior, fui surpreendido pelo breve resvalar de um braço, uma moça de olhos claros, com um triste tom de voz, era bonita, mas não era isso o que me hipnotizava, era o olhar dela, o gesto concentrava a sensibilidade de quem pode desaparecer pelo excesso de sentir.

The sad eyed lady of the lowlands, começou a tocar em minha cabeça, era ela, a personagem da canção estava em minha frente, de olhos fechados, perdi a noção do tempo, quando voltei a mim, caminhei pelo clube, não encontrei rastro humano, fui ao vestiário para me banhar, junto com a água do chuveiro, as lágrimas desciam pelo ralo. Na parede havia uma frase escrita com batom: O desespero é a fraternidade que une por meio do silêncio. 

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