segunda-feira, 15 de outubro de 2018

FAKE NEWS

Por Alexandre P. Bitencourt




Termo em inglês para a disseminação indiscriminada de notícias, fake news ou notícias falsas ou mesmo como preferem alguns, mentiras, é, sem dúvida, a bola da vez. Embora não seja nada de novo, visto que na construção histórico-cultural das sociedades sempre houve “mentiras” conhecidas atualmente como fakes. Pois em toda cultura existe aquele sujeito que se acha “esperto”, por isso, acredita que pode criar situações inventadas a partir do seu interesse pessoal para conseguir algum tipo de vantagem, pois é na busca indiscriminada de obter algum tipo de vantagem que pessoas são levadas a inventar e reproduzir boatos baseados em interesses próprios, mesmo que aquilo que ele inventa seja a ponta de um iceberg que pode provocar graves consequências em determinado grupo social.

É basicamente durante as eleições para presidente dos Estados Unidos que as fake news ganham proporções incontroláveis, dado que o atual presidente dos EUA aproveitou da ingenuidade da maioria da população para propagar em redes sociais, fake news, contra sua adversária. No GloboNews Documentário - Fake News 'Baseado em fatos reais’ fala das notícias falsas, de 17 de outubro de 17, o repórter André Fran entrevista um dos produtores de fake news na cidade de Vales na Macedônia, conhecida como a capital das fake news, e é exatamente isso que um dos produtores das fake news, um jovem de 19 anos diz, que os americanos são ingênuos, pois gostam de ler apenas o que lhes convém, mesmo que o que leem não seja um fato verdadeiro, mas sim uma fake.

O Brasil tem sido palco para a divulgação indiscriminada de inúmeras fakes news, assim como ocorreu nas eleições dos EUA em 2016, por aqui não tem sido muito diferente, pois a propagação de fake news tem colocado em evidência o quanto o brasileiro se deixa influenciar por fakes sem ao menos se dar a curiosidade de buscar saber se realmente aquilo que ler e depois compartilha em sua restrita comunidade de WhatsApp é verdadeiro ou não. Talvez isso ocorra por questões referentes à problemas educacionais, porém, acredito que ainda é muito cedo para apontar se realmente a ineficiência na educação, possa reverberar diretamente no compartilhamento e aceitação indiscriminada de fake news.

Particularmente no contexto político atual do Brasil seria jocoso, não fosse tragicômico, pois é no afã ao combate à corrupção que determinados candidatos têm ganhado notoriedade, e, claro, tem feito isso, exatamente com a propagação de inumeráveis fake news. E isso ocorre porque parece que nossa sociedade é bastante infantilizada, por isso acredita naquilo que lhe convém e satisfaz o seu ego, mesmo que tal satisfação seja momentânea. Nesse ínterim das contradições, é possível se identificar alguns grupos que se mostram mais “vulneráveis” às fake news, por questões óbvias, claro. É claro que se tratando de fake news não há grupo isento, no entanto, parece que atualmente no Brasil grupos ligados à extrema direita, conservadores e religiosos, principalmente, os neopentecostais, mas também há pentecostais, têm se mostrado mais adeptos ao compartilhamento de fake news, mas, claro, não são os únicos.

Aqui é importante ressaltar que os cristãos têm como fundamento de sua Fé a palavra de Deus, logo, a Bíblia Sagrada é o livro mais importante para o cristianismo, pois bem, na Bíblia é possível se encontrar diversas passagens em repúdio à mentira, em João 8:44, o diabo é tido como o pai da mentira; em Romanos 1:25, diz que a verdade de Deus foi mudada pela mentira e que amaram mais a criatura do que o Criador; em II Tessalonicenses 2:1-17, o apóstolo Paulo relata que a vinda de Jesus será precedida de manifestações do anticristo, a quem desejar é interessante a leitura destes trechos da Bíblia. Escrevi este parágrafo porque acho complicado o posicionamento da igreja evangélica no contexto atual da política, pois me parece que ele não dialoga com o que está na Bíblia, mas enfim, esse é um campo bastante complexo.

Para Bakhtin (2003), por sua precisão e simplicidade, o diálogo é a forma clássica de comunicação humana, ou seja, segundo ele cada réplica, por mais breve e fragmentária, possui determinada conclusibilidade específica do falante que suscita resposta, em relação à qual se pode assumir uma posição responsiva. A meu ver quaisquer que seja o cargo público requer responsabilidade e diálogo por parte de quem o assume. Mas se se tratando do cargo de presidente da república é inadmissível que alguém que tenha a pretensão de assumi-lo, o faça por meio de fake news, é preciso que haja o debate de ideias entre os concorrentes, até porque independente de quem ganhar governará para todos, assim como todos devem colaborar para que haja governabilidade, é assim que funciona uma democracia.

Democracia se faz e se fortalece com diálogo, sem diálogo e respeito às minorias, sejam elas quais forem, pode ser qualquer coisa, menos democracia. 

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